Para meu pesar o pichel de barro, fiança, bojudo ou arredondado, com bico diferente do das garrafas, alguns dotados com uma tampa (principalmente os de estanho) só raramente surge em cima da mesa dos restaurantes. A causa? A água vem engarrafada em plástico, os sumos em pacotes com palhinha plástica (depois queixam-se da proliferação de lixos dessa matéria) e o vinho outrora de pichel abandonou os pipos e garrafões para uma embalagem designada por box.
A palavra pichel fala grego, estando intimamente ligada à palavra vinho. Sempre que diviso um pichel rememoro imagens de funçanatas de variados teores onde o pichel a bordejar espuma de vinhos capitosos desprovidos de veleidades a «armar ao pingarelho» salientavam ânimos, saciavam goelas sequiosas, além de originarem mais comeres e reacenderem as conversas sem pressas.
Em tempos idos, aprendi a apreciar o vinho generoso duriense servido de um pichel de estanho, tendo o contributo de taliscas de bacalhau azul. Lembranças!
