Longa, larga, profunda e misteriosa continua a ser a história da alimentação do Homem nos primórdios da nossa origem, apesar dos avanços da ciência, da história, das artes, da técnica no que concerne ao estudo dos produtos e hábitos alimentares dos nossos avós de há centenas de milhares de anos.
E como manducavam lesmas, caracóis, insectos, pequenos répteis, piolhos, os tais rebentos vegetais, escaravelhos, pulgões, lagartas e demais bicharada? Sem saberem criar e dominar o fogo, só lhes restava comerem debaixo das fórmulas do cru (aconselho a leitura do monumental trabalho “O Cru e o Cozido”, do sábio Claude Lévi-Strauss), do fermentado e do podre.
O homem ao “fabricar” o fogo e dominá-lo quando lhe desse na real gana (a maior invenção da Humanidade), conseguiu cozinhar, um acto da maior grandeza, levando-o a pouco e pouco estabelecer sete cozeduras distintas, as quais conduziram ao cruzamento das espécies animas, vegetais, dos fungos (cogumelos), das pedras (sal), estabelecendo as premissas das artes culinárias, logo a seguir da nona arte, a gastronomia.
A arte da cozinha já os cozinheiros e estetas gregos nos seus tratados diziam ser a Arte da Paciência, o que as Mestras cozinheiras sabem muito bem.
A arte da cozinha não deve ser a arte de “todo o burro come palha, só é necessário saber dar-lha”, ou as aparências iludem. Sendo a gastronomia uma representação cultural, como demonstrou Hipócrates, impõe-se não a adulterarmos, não obrigando a grandes recursos para evidenciarmos as suas sápidas virtudes.
