“Nós temos acompanhado o processo, aliás, é um processo que não é novo. Não queria dizer que é histórico, mas não é novo. Ainda há uns anos fomos confrontados com uma situação dessas, também de uma pressão, de um caminho de encerramento. Um conjunto de trabalhadores despedidos e depois foram contratados trabalhadores temporários para fazer face àqueles que tinham despedido”, lembrou Paulo Raimundo aos jornalistas, à margem de uma visita à Casa Memória de Camões, em Constância.
“Infelizmente é isto. Nós temos acompanhado, aliás, com perguntas ao Governo e com uma exigência, do Governo acompanhar e dar a mão a esta situação. Não há nenhuma razão para que não se acompanhe e não se salvaguarde os 200 postos de trabalho”, vincou.
“Os números, têm esta coisa, não é? São números, mas não são números… são pessoas, famílias, situações de desespero, compreensivelmente de desespero e de grande preocupação e é preciso olhar para isto e o Governo tem que fazer tudo o que tiver ao seu alcance para garantir, primeiro, que se aguentam os postos de trabalho, a empresa continua a laborar e também para, diria, fiscalizar para que não aconteça o mesmo que aconteceu há dois anos atrás, sensivelmente, onde num processo semelhante foram não sei quantos embora e depois foi necessário contratar trabalhadores temporários, não é?”, lembrou Raimundo.
“A gente precisa de salários, valorização de quem trabalha, de quem criar riqueza, esse caso é um caso concreto desses”, afirmou Paulo Raimundo na sexta-feira, em Constância, tendo reiterado que o PCP defende o aumento do salário mínimo para mil euros a 1 de janeiro de 2025.
“A nossa proposta de salário mínimo nacional é conhecida, o aumento para os 1000 euros, fixar em janeiro do próximo ano, já devia ter sido este ano. É uma proposta que é possível, que é urgente, que é necessária, contribui para a elevação das condições de vida. Estamos a falar de mais de 800.000 pessoas, que têm o salário mínimo nacional”, declarou.

ÁUDIO | PAULO RAIMUNDO, SECRETÁRIO GERAL DO PCP:
“Só fala assim destas coisas, dos salários dos outros, quem não tem que passar por gerir a sua vida com salários destes, com salários de 800 euros ou com salários de 1000 euros brutos, que é o que é o quase três milhões de trabalhadores auferem. Portanto, quem tem que gerir a sua vida, felizmente, com outro tipo de salários, fala de forma leviana da vida dos três milhões de trabalhadores. Ora não pode ser”…
Para Paulo Raimundo, “mil euros é um aumento significativo, mas é importante para quem o recebe e é importante para a nossa economia, porque nós temos uma situação… Mais de 90% do nosso sistema empresarial são micro, pequenas e médias empresas e essas empresas vivem do mercado interno, vivem do que eu tiver no bolso, do que o senhor tiver no bolso, do que cada um nós tiver no bolso. E quanto menos nós tivermos no bolso, menos estamos em condições de comprar, de adquirir e, portanto, qual é o principal prejudicado? São os trabalhadores e são as os micro, pequenos e médios empresários”, afirmou.
“Ora, quando nós temos uma fatia importante da economia, a grande maioria das nossas empresas que vivem à custa do mercado interno, se não houver mercado interno vão ao charco. E o mercado interno, uma questão fundamental, é aumentar salários de forma significativa e as pensões. É nessa batalha que estamos”, concluiu.
PCP diz que Marcelo “não tem alternativa” a novas eleições se orçamento chumbar
O secretário-geral do PCP disse ainda em Constância que, se o Orçamento de Estado para 2025 não for aprovado, o Presidente da República “não tem alternativa” senão dissolver o parlamento e convocar novas eleições, mantendo a “coerência” com o passado.
“Não acompanhamos [a decisão de eleições antecipadas] mas o Presidente da República (PR) não tem alternativa. Há dois anos, perante este cenário de orçamento chumbado, o PR disse que a única alternativa era dissolver a Assembleia [da República] e convocar eleições”, afirmou Paulo Raimundo em Constância, onde visitou a Casa Memória de Camões, tendo lembrado que, para o PCP, este “não era o único caminho” a seguir.
Segundo lembrou Paulo Raimundo, o PCP defendeu, então, que “pode haver outro orçamento, o governo pode governar em duodécimos”, e que “havia outros caminhos”, para reiterar que Marcelo Rebelo de Sousa “disse”, em 2022, “que a única alternativa era dissolver a AR” e convocar eleições antecipadas.
“Portanto, hoje, perante factos iguais, independentemente da nossa opinião, que não era essa, o senhor presidente não tem alternativa que não seja dissolver a AR e convocar eleições”, afirmou o secretário-geral do PCP.
Paulo Raimundo notou, no entanto, que o PR disse estar “muito confiante” Na aprovação do OE. “E eu acho que ele saberá as razões pela qual está muito confiante que vai haver orçamento””, declarou.
ÁUDIO | PAULO RAIMUNDO, SECRETÁRIO GERAL DO PCP:
Questionado sobre uma eventual instabilidade política com o cenário de eleições antecipadas, o dirigente comunista disse que “ninguém quer eleições” mas que o orçamento apresentado “não serve o país nem os portugueses”, imputando responsabilidades a quem o aprovar.
“Diz-se, e é verdade, ninguém quer eleições, mas a estabilidade política é importante quanto baste. De que vale falar de estabilidade política se a vida das pessoas estiver instável nos salários, nas pensões, no Serviço Nacional de Saúde, na habitação, na educação”, questionou.
Paulo Raimundo defendeu que “a estabilidade política não é um fim em si mesmo”, tendo feito notar que “quem puser a mão por baixo deste orçamento, independentemente desta ou aquela medida pontual”, estando a discussão centrada no IRS Jovem e IRC, “vai ter de assumir as responsabilidades do conjunto do orçamento”.
O secretário-geral do PS afirmou na sexta-feira que rejeita um Orçamento do Estado com as alterações ao IRS e IRC propostas pelo Governo, “nem nenhuma modelação” dessas mesmas medidas, porque estas “são más” e nem isso as tornaria boas.
Pedro Nuno Santos propôs ainda que a margem orçamental destinada ao IRS Jovem seja aplicada em investimento público para habitação da classe média, num aumento extraordinário de pensões e num regime de exclusividade para médicos no SNS.
O primeiro-ministro qualificou naquele dia de “radical e inflexível” a proposta do secretário-geral socialista para o Orçamento do Estado 2025, mas disse que vai tentar um “esforço de aproximação”, concretizado numa contra proposta a entregar esta semana.
Notícia relacionada:
c/LUSA


Á cerca de sensivelmente dois anos atrás, NENHUM efectivo da Tupperware foi despedido… As dez pessoas que saíram, foi por ” iniciativa própria”.
E eu, estive entre esses dez…