Sérgio Oliveira, presidente da Câmara de Constância. Foto: mediotejo.net

Sérgio Oliveira convocou uma conferência de imprensa para quinta-feira, que decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Constância, para fazer um ponto de situação de viva voz sobre o processo da fábrica e responder às perguntas dos jornalistas, isto depois de ter emitido na véspera um comunicado onde já dava conta dos últimos desenvolvimentos, e que reiterou.

Que não eram muitos, convenhamos, mantendo-se uma clima de incerteza sobre o futuro da fábrica em Portugal. O autarca disse ter sido contactado “telefonicamente” pelo vice-presidente da Tupperware Europa, após pedido de esclarecimento, e que o responsável da fábrica disse que “não sabe o futuro da empresa”, que estão “em fase de negociação com os investidores” e a “trabalhar para criar uma estratégia para que empresa seja mais atrativa para investidores”.

Acrescentou ainda ter sido informado que “pararam a produção na Tupperware Portugal, Bélgica e África do Sul porque têm muito stock”, não havendo informação sobre se volta a produzir.

ÁUDIO | SÉRGIO OLIVEIRA, PRESIDENTE CM CONSTÂNCIA:

O presidente do município de Constância, onde a fábrica está instalada e emprega cerca de 200 trabalhadores, disse que “esta informação foi já transmitida ao gabinete do ministro da Economia”, pedindo-lhe “que acompanhe este processo” e que “coloque à disposição da empresa todos os apoios possíveis para que a mesma continue a laborar em Montalvo”.

Fonte oficial do Ministério da Economia disse à Lusa que “o Governo está a acompanhar o desenvolvimento da situação da empresa nos EUA e não deixará de o fazer relativamente à situação da empresa em Portugal”, tendo confirmado estar em contacto com o autarca de Constância.

O presidente da Câmara já havia afirmado, no dia 18 de setembro, estar apreensivo e preocupado com o anúncio do início do processo de declaração de falência da multinacional norte-americana Tupperware, e “com o futuro dos 200 trabalhadores” da fábrica instalada no concelho.

“Angústia, ansiedade, incerteza e preocupação. É aquilo que nós vivemos atualmente, fundamentalmente pelas pessoas que têm ali o posto de trabalho, precisam daquele trabalho para viver”, afirmou Sérgio Oliveira, tendo dado conta de ter solicitado naquele dia “esclarecimentos à empresa” e pedido a “intervenção do ministro da Economia”.

Também no dia 18 de setembro, a Lusa solicitou esclarecimentos por escrito à empresa, não tendo obtido resposta até ao momento.

Dário Lima, do Sindicato dos Trabalhadores (SITE CSRA), disse que, “se se vier a verificar o fecho da fábrica, será um flagelo social para cerca de 200 trabalhadores e respetivas famílias”.

O deputado do PCP, Alfredo Maia, por sua vez, questionou a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre “que avaliação faz o Governo da situação descrita” e “que medidas tomará (…) para travar os referidos despedimentos, garantindo os postos de trabalho em causa”.

Já o BE do distrito de Santarém, em comunicado, alerta que “o eventual desemprego destes 200 trabalhadores, além da catástrofe social que representa, é uma pesada machadada na frágil economia do concelho e da região”, tendo defendido que “o governo (…) tem de intervir aqui e agora, assegurando a continuidade dos postos de trabalho na Tupperware”, em Constância.

A fábrica da Tupperware em Portugal, a funcionar desde 1980 em Montalvo, Constância, depende a 100% da casa-mãe norte-americana, com o anúncio do pedido de declaração de insolvência a poder ter consequências na unidade portuguesa, hoje com cerca de 200 trabalhadores efetivos.

A multinacional norte-americana Tupperware iniciou o processo de declaração de falência, arrastada pela queda nas vendas, e vai procurar a aprovação do tribunal para continuar a operar e facilitar um processo de venda para proteger a marca.

A Tupperware Brands, conhecida mundialmente pelos seus recipientes de plástico para guardar alimentos, iniciou voluntariamente o processo do Capítulo 11 no Tribunal de Falências de Delaware, o que fez cair as ações em mais de 50% na Bolsa de Nova Iorque e levou à posterior suspensão.

A empresa já tinha adiado as suas contas anuais de 2023 em março deste ano e, em junho, anunciou planos para encerrar a sua única fábrica nos EUA e despedir quase 150 empregados.

De acordo com os meios de comunicação social, a Tupperware procurará obter a aprovação do tribunal para facilitar um processo de venda da empresa e continuar a funcionar durante o processo de falência.

Uma década depois de ter iniciado a sua atividade nos Estados Unidos, a Tupperware expandiu-se para a Europa e, em meados dos anos 60, estava presente em seis países europeus, tendo depois dado o salto para os mercados da América Latina e da Ásia.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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