O pavão fazia parte de faustosos banquetes na Europa. Detalhe de pintura a óleo de Jan Brueghel (1618). Créditos: Wikimedia Commons

Esta ave, interdita aos judeus enquanto alimento, porque o Talmude considera que pela sua plumagem de enorme beleza não foi destinada para ser comida, mas sim para ser contemplada. E a lei mosaica assim o determina.

O pavão está associado aos banquetes medievais de grande cerimonial, festas de convivialidades que duravam horas, daí ser usual na mesa do Imperador Carlos Magno. O engenho e arte dos cozinheiros levava os pavões assados com mil cuidados a serem apresentados ostentando as suas voluptuosas plumas, pescoços e caudas.

Um cozinheiro medieval, de nacionalidade francesa, elogiou as carnes dos pavões e cisnes. Os elogios não determinaram o aumento de consumidores destas aves, antes pelo contrário, os cisnes continuam a soltar lúgubres pios, os pavões a erguerem as caudas em leque, porém não constam das cartas de comer dos restaurantes. Nem nos excêntricos de cariz oriental. Ainda bem!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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