Cataplana. Foto: DR

As Mestras cozinheiras sabem, como mestras que são, PARAR um cozinhado quando o mesmo atinge o ponto de outra forma o assado no forno fica esturrado (há conversas que cheiram a esturro), o cibo na panela desfaz-se em papa ou água do mesmo modo das promessas eleitorais, a fritura na sertã ou frigideira é névoa fumarenta agressiva das narinas (ventas dizia-se antigamente).

Ou seja: sageza reside na combinação alfa-ómega da cozedura (são sete) pois de outra forma as e os executantes a fim de salvarem os produtos executam o parar, de maneira astuta ao ponto do manducante não dar pelo erro de distracção, descuido, desajuste na quantidade, despiste na condução e regulação do fogo, o aprendiz presumir de mestre ficando sendeiro da sua prosápia.

O notável cozinheiro Abade de Priscos (imediações de Braga) possuía a secreta fórmula de retirar o cheiro a bispo dos assados, guisados e souflés após aspergir misterioso elixir que ao que se saiba nunca divulgou mas abstruso crítico da capital escreveu um livro (gato por lebre) a indiciar conhecer o segredo enganando quem comprou o gatarrão. O meu caso!


Discover more from Médio Tejo

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

Deixe um comentário

Leave a Reply