Já devia ter escrito no Médio-Tejo Digital sobre o Boletim Municipal O Sardoal. Porquê? Porque o merece amplamente, sem qualquer espécie de favor. Trata-se de uma publicação camarária onde o culto da personalidade está arredado, na qual as notícias são escritas de modo a todos as entenderem dado nem todas e todos possuírem elevado grau de literacia. Muito bem.
Detenho alguns números na barafunda dos meus documentos por inserirem informações interessantes no arco dos meus pontos focais na área da história da alimentação, do turismo religioso e usanças de antanho nas comunidades constitutivas do concelho sardoalense.
Acrescento: todos quantos queiram aprender as vinculações sociais pelo menos no século XX neste concelho será obrigado a consultar O Sardoal. Se é de justiça escrever tão evidente verdade, entenda-se também como elogio.
Podia acrescentar a esta crónica bem temperada de louvores, justos louvores, referências pessoais, não o faço, se o fizesse contrariava o ter acentuado ser O Sardoal relapso aos mandamentos da «Confraria do Badalo», tornando-o um exemplo pouco seguido de Melgaço ao Corvo. Infelizmente.
Obviamente seria profunda hipocrisia ignorar os fundamentos políticos contidos no referido Boletim, a diferença em relação à concorrência reside na circunstância de a figura do Presidente da Câmara não surgir linha sim, linha não, do relato das actividades camarárias ser feito ao modo do sal na comida, nem de mais, nem de menos. O fundibulário Bispo de Viseu, Dom António Alves Martins fazia a analogia com o sal relativamente à religião. O liberal Bispo tinha a rigorosa noção do exagero, a máxima adverte: tudo que é demasiado é moléstia.
No que tange ao grafismo eu gosto, no entanto, é tudo uma questão de gosto, só que «gostos não se discutem», claro que discutem quantas vezes acriticamente prevalecendo a paixão sobre todos os restantes argumentos ou razões.
No último número recebido a componente cultural ganhou espaço e saliência, também nesta matéria O Sardoal difere dos demais, os seus mentores têm a preocupação da importância da aculturação de todos, pessoalmente toca-me a constante referência a livros, leituras e escritores. Posso discordar das escolhas feitas, mas alegra-me o incentivo à leitura, tal como ma agrada o mesmo empenho nesse propósito do Médio-Tejo Digital.
Apetecia-me tecer considerações acerca do Sardoal no passado ter sido estância de veraneio de gente possidente atraída pela amenidade climatérica da Vila, não cedo à tentação, esta crónica é dedicada ao estimável O Sardoal. E, mais não escrevo!
Armando Fernandes
- Alegro-mo pelo Prémio Nobel deste ano ter sido atribuído a Bob Dylan. O Musicólogo e Presidente da Câmara do Sardoal que pensa do facto?
