Capela de São Brás, no Castelo de Belver. Créditos: mediotejo.net

A freguesia de Belver, no concelho de Gavião, celebra este fim de semana as habituais festas das Santas Relíquias, organizadas pelo Clube Recreativo e Desportivo Belverense. Mas, afinal, o que são as Santas Relíquias que o povo assegura que vieram da Terra Santa e que estão estão religiosamente guardadas num dos altares da Igreja Matriz, dentro de uma arca? O evento decorre em honra das Santas Relíquias e é para dignificá-las que se realiza a festa anual da terra.

Na Idade Média, Belver era uma terra de Hospitalários, também chamados de Ordem de Malta fundada em Jerusalém, que foi evoluindo à sombra do castelo que é Hospitalário, do século XII, do reinado de Dom Sancho I. As relíquias foram entregues ao Grão Prior da Ordem de Malta que as foi ‘colecionando’, as mesmas que se encontram na arca da Igreja Matriz.

“E as relíquias são o anel de São Brás que era bispo, cabelos de Maria Madalena, palhinhas da manjedoura do menino Jesus, ossos… ou seja, aquilo que a imaginação da Idade Média criou à volta das relíquias e do negócio” que envolveram as Santas Relíquias por todo o mundo cristão, explica o professor Carlos Grácio.

No castelo de Belver está ainda a Capela de São Brás, construção do século XVI, que ostenta um retábulo/relicário “em pau santo ou pau ferro, as opiniões dividem-se”, refere Carlos Grácio, mas é por certo de “madeira exótica”, dedicado ao bispo São Brás.

Outra lenda relata então que as Santas Relíquias foram depositadas nessa Capela pelo Infante D. Luís (filho do rei D. Manuel I), local de onde foram roubadas.

Todo o retábulo é composto por pequenas esculturas que têm um buraco no peito e a maioria não tem mãos, precisamente para guardarem o conjunto de relíquias que se diz terem sido trazidas da Terra Santa pelos Cavaleiros Hospitalários.

Capela de São Brás, em Belver, construção do século XVI, que ostenta um retábulo/relicário. Foto: DR

Do culto das Santas Relíquias, fenómeno de religiosidade popular enraizado na população de Belver, nasceram os festejos.

As festas arrancaram na sexta-feira e continuam este sábado, com gastronomia, arruada, e musica na aldeia. No domingo as saudações à população são dadas pela Banda Filarmónica Alveguense, às 09h00. E às 16h30 tem lugar a missa alusiva às Santas Relíquias de Belver seguida então da procissão e leilão de fogaças, às 18h00. Pelas 21h00 está previsto o espetáculo EsPasso de Dança Catarina Miranda. As festas encerram com a atuação de Marco Morgado, às 22h30.

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Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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