Foto: KailPilger, Pixabay

Não é a primeira vez, nem será a última, que escrevo acerca do pimento – dos pimentos – especialmente na estação Estival. A razão reside no facto de este parente do tomate e da beringela, após ter sido uma descoberta de Cristóvão Colombo na sua primeira viagem à América Central que no seu entender seria a concretização da «certeza» de ter chegado à Índia navegando ao contrário, o trouxe e cedo se expandiu na Europa. O explorador das Caraíbas e do Golfo do México trouxe outras espécies das suas viagens, que a par e passo aqui escreverei. Hoje a crónica é dedicada a este vegetal apreciado fresco e seco (em pó) nas suas inúmeras variedades, ou na qualidade de elemento marcante na confecção de saladas, recheios de carnes. Há quem o coloque junto a peixes, porém por estas bandas é reclamado nas composições de saladas, mormente naquelas onde coadjuvam peixes grelhados cujo máximo expoente são carapaus e sardinhas.

Muito rico em vitamina C, o pimento é cozinhado debaixo de variadas fórmulas, purés, recheados, em conserva, concedendo alacridade a numerosas composições culinárias. Uma delas, muito popular na Península Ibérica, é fritar pequenos pimentos verdes muito picantes, a escala de sabores vai do pimento doce ao pimento muito «queimão» um pouco em conformidade com a sua proveniência, muito imitados são os denominados pimentos de Padron (Galiza) naturalidade da grande poetisa galega Rosalía de Castro, que cantou os encantos da Pátria Galega.

Também os pimentos vermelhos vendidos secos e em pó, a célebre paprika ou paprica, por cá conhecida como pimentão-doce que tanto e tão bom gosto concede a enchidos, carnes defumadas, carnes assadas, sem esquecer guisados e estufados.

Os leitores amantes dos desenhos animados conhecem o filme japonês Paprika que tanto entusiasmo gerou entre miúdos e graúdos. Estamos no Verão, estamos em tempo de apreciarmos os pimentos conforme nos dê na real gana. Volto a lembrar: em matéria de gostos cada qual tem os seus, se existisse cânone não se gastava o amarelo!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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