O querido amigo Mário Rui Fonseca, fundador e em conjunto alma-mater deste jornal enviou-me na sexta-feira passada uma mensagem a agradecer o meu contributo para o Médio Tejo conseguir ultrapassar o cabo das Tormentas e, por isso mesmo, festejar o seu quinto aniversário nessa altura.

Respondi acenando parabéns, escrevendo não existir razão para agradecimentos. O laconismo da minha resposta deixou-me insatisfeito, pensei no sulfúrico Cabo das Tormentas no que tange à decisão de conceber um jornal digital numa região ainda pouco atreita a manifestações de acompanhamento das inovações tecnológicas numa região por um lado longe do médio progresso de tal género de informação, por outro desprovido de hábitos capazes de escorarem um jornal em papel. Pois bem, o assinalar da efeméride, só por si justifica realce, a revigorante mensagem recomenda outras e melhores considerações.

Bem sei, os Pilatos daqui e dalém incapazes de superar as dificuldades inerentes a um projecto deste género lavam as mãos no lavadouro da inveja, remoem impotências, tentam ignorar a real/realidade tão bem descrita pelo poeta Ramos Rosa, por assim ser refutam a possibilidade de o lustro por si brilhante ficar mais luminoso dada a qualidade da informação desprendida da árvore seivosa que já é o Médio Tejo.

Fui passar o fim-de-semana a Lisboa revendo os meus queridos familiares, Filho, Neto e Nora, no entanto, uma pedra no sapato incomodava-me – o Mário Rui merecia resposta mais calorosa, mais revigorante -, monologava no intervalo das gargalhadas puras do Vasco, assim se chama o meu descendente.

Aí, para aí, à esquerda, e à direita, hoje, dia da implantação da República, dei um estremeção, vou reparar a falta que ninguém me marcou, mais aziaga por isso mesmo.

O acima escrito é o cerzir do desconchavo da resposta ao Mário Rui, redobrando os parabéns sinceros que lhe enderecei.

Abraços apertados apesar da nefanda pandemia.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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