A ACATIM – Associação Comunitária de Apoio à Terceira Idade de Mouriscas, no concelho de Abrantes, suspendeu de funções o encarregado-geral Pedro Matos devido a acusações de assédio a várias funcionárias daquela instituição. A direção da IPSS confirma ter aberto processo de averiguação interna, esperando ter respostas nas próximas semanas a fim de tomar medidas condizentes com o que for apurado.
Refira-se que esta é uma nova polémica a envolver Pedro Matos, presidente de junta socialista igualmente suspenso desde 2023 de funções na Junta de Freguesia de Mouriscas por suspeitas de crimes de peculato.
“Nestas coisas não podemos ser solidários. É extremamente desagradável”, começa por lamentar o presidente da direção da ACATIM, Luís Pires, confirmando ter-se partido para um processo de averiguações que envolve o encarregado-geral Pedro Matos, suspenso há cerca de um mês de funções enquanto as diligências decorrem.
Em declarações ao nosso jornal, o presidente da direção da instituição refere que a suspensão ocorreu “com base nos indícios que nos chegaram sobre eventuais situações de assédio”, referindo que ainda estão por confirmar “que tipos de assédio se trata”, pois em cima da mesa está também uma eventual situação de assédio moral e comentários racistas.
“O processo de averiguações está a terminar, em breve haverá notícia sobre o desfecho do processo. Mas, de facto, como medida preventiva achámos por bem suspender funções para tudo decorresse com normalidade e não houvesse perturbação, nomeadamente perturbação de foro psicológico às funcionárias eventualmente afetadas”, explica Luís Pires.

Enquanto encarregado-geral, Pedro Matos lidava de perto com as funcionárias do lar de idosos, “coordenando alguns trabalhos na instituição que implicavam relacionamento com as funcionárias, e havia tarefas que enquanto encarregado lhe competia coordenar e orientar”.
Questionado sobre se, no passado, existiram alguns indícios que levassem às atuais suspeitas denunciadas internamente, o presidente da direção diz que não, e que estas suspeitas são recentes.
“Não havia indícios. Algumas dificuldades de relacionamento, por vezes talvez um bocado áspero, mas situações concretas… surgiram agora. Porque se verificou mal-estar entre as funcionárias sobre situações que estariam a verificar-se, o que levou a esta tomada de atitude da direção”, justifica.
Outro ponto terá que ver com utilização de bens da instituição para uso próprio pelo encarregado-geral, algo que Luís Pires diz ter sido corrigido após intervenção da direção da ACATIM, que terá conseguido a restituição dos bens em causa e por isso optado por não abrir procedimento sobre o assunto.
“Essa situação foi normalizada, foi reposta nos termos corretos. A partir da reposição considerámos que não havia razão para procedimento e neste caso não é isso que está em causa agora”, confirma o responsável.
Após processo de averiguações internas, e já tendo sido ouvidas funcionárias da instituição, a ACATIM irá tomar deliberação final daqui por “uma ou duas semanas”, podendo estar em cima da mesa o afastamento de funções do encarregado-geral agora suspenso.
“O processo irá até ao fim, e o desfecho dependerá do grau de gravidade das ocorrências e da natureza destas. A partir daí, há soluções e medidas que terão de ser tomadas”, assegura Luís Pires.
O mediotejo.net tentou entrar em contacto com o visado, mas sem sucesso até ao momento.
Em dois anos esta é a segunda polémica que envolve Pedro Matos, também suspenso de funções enquanto presidente de Junta de Mouriscas desde o ano passado. O autarca eleito pelo Partido Socialista foi detido em junho de 2023 por suspeitas de crime de peculato, no culminar de investigação e buscas efetuadas pela Polícia Judiciária naquela junta de freguesia.
