O médico cirurgião Luís Fernandes. Créditos: mediotejo.net

Luís Fernandes nasceu em Abrantes em outubro de 1936, na então freguesia de São Vicente, casou três vezes e teve duas filhas. A cidade viu-o crescer e receber a instrução primária na escola em frente ao Colégio Nossa Senhora de Fátima, pela mão da professora Hermínia Pires Alves, “uma grande professora” que o marcou bastante, disse em entrevista ao mediotejo.net. Morreu em casa, esta segunda-feira 13 de janeiro. Amanhã, ao meio-dia, o seu corpo irá para a Capela de Sant’Ana, em Abrantes, onde decorrerá o velório. O funeral realiza-se na quarta-feira.

Luís Fernandes confessava uma inicial “inclinação para letras“ mas pesou a profissão do pai, o médico Manuel Fernandes (que dá nome ao antigo Liceu de Abrantes, atual escola secundária) e que “gostava que algum filho fosse médico”. Assim, Luís, o filho o mais novo, formou-se em Medicina.

Terminada a escola primária, e sem estabelecimentos de ensino na cidade para prosseguir os estudos, aos 10 anos mudou-se para Lisboa, onde já estudavam os dois irmãos mais velhos, ingressando no Liceu Camões, perto de um diferente Tejo que, tal como a distância da cidade natal, ia crescendo.

Atendendo ao gosto do pai, Luís Fernandes entrou para a única escola superior de ensino de Medicina existente na época, a do Hospital Universitário de Santa Maria. Logo “nas salas de anatomia e práticas” o jovem de 18 anos percebeu a vocação para a cirurgia.

A viver em Lisboa, apesar de gostar muito de Abrantes, Luís Filipe Moura Neves Fernandes fez-se então médico, um rapaz acabado de sair da faculdade de Medicina com um diploma e um futuro de imprevistos. Mais tarde especializou-se em cirurgia geral, porque antes de iniciar carreira foi chamado pela pátria para cumprir o serviço militar como médico.

Recruta feita na Escola Prática de Cavalaria em Santarém e, em 1968, acaba convocado para outro tipo de carreira: a de tiro, em Espinho, onde permaneceu um mês em preparação para a Guerra do Ultramar. Em fevereiro de 1969 embarcou para a Guiné e regressou em janeiro de 1971.

Anos mais tarde, em 1983, nomeado pela então Ministra da Saúde, Leonor Beleza, presidisse à comissão instaladora do novo Hospital de Abrantes, inaugurado dois anos mais tarde. Nomeado ministerialmente, voltou a ser Luís Fernandes para presidir ao conselho diretivo e, em 1989, indigitado para presidir ao conselho de Administração onde se manteve durante 17 anos, até se reformar.

Em 2002, Luís Fernandes ainda sem limite de idade para a aposentação mas com o devido tempo de serviço, época que coincidiu com a união de vários hospitais em unidades hospitalares em todo o País, colocou um ponto final na sua carreira.

Depois de reformado, Luís Fernandes e 25 amigos resolveram, com escritura notarial, fundar a Liga de Amigos do Hospital de Abrantes, da qual foi presidente duas décadas.

Gostava de ouvir música clássica, por isso integrava o Círculo Richard Wagner em Portugal e frequentava anualmente os festivais de Wagner. Gostava ainda de livros, de História e de azulejos antigos.

Luís Fernandes morreu em casa, esta segunda-feira, 13 de janeiro. Na terça-feira, às 13h00, o seu corpo irá para a Capela de Sant’Ana, em Abrantes, onde decorrerá o velório. O funeral realiza-se na quarta-feira, com as cerimónias fúnebres a acontecerem na Igreja de São Vicente, às 11h00, seguindo depois para o cemitério dos Cabacinhos, em Abrantes.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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