Dois milhões de euros. Conseguimos juntar dois milhões de euros em apenas duas semanas. Que façanha tremenda! Alguém tem dúvidas de que a boa vontade é a força mais poderosa do universo?
Façanha tremenda parece-me pouco, na verdade. Isto é épico, é brutal, é mais do que isso: é orgulho e alegria e felicidade, tudo ao molho, e ao mesmo tempo é sentir que estas palavras não chegam para descrever a nobreza desta conquista.
Depois disto, temos mesmo de inventar uma palavra nova que case bem com fé e esperança e bondade e união e magia. Uma palavra que traduza tudo isto e tenha a força do olhar da Matilde. Uma palavra que traduza tudo isto, tenha a força do olhar da Matilde e a fé de tanta gente boa.
É urgente inventá-la porque ainda não existe, e faz falta. Chega de falar do apelo dos pais desta bebé, desesperados, numa aflição que acreditamos poder compreender, mas não, sejamos honestos, é dor inconcebível e indecifrável. Como se lida com um diagnóstico destes? Como se continua a viver com o medo, a angústia, o desespero e a revolta?
Felizmente é mais fácil inventar palavras do que medicamentos, não são precisos béqueres nem provetas, tubos de ensaios, pipetas, testes em laboratório ou autorizações especiais. Ainda assim, é empreitada mais difícil do que parece.
E agora, como é que termino esta crónica? Não sei por que razão me pus a escrever sobre isto se me faltam as palavras. Olha, fica assim, quero lá saber do número de caracteres. Muita sorte da boa, Matilde. Ponto final.
