Foto: Município de Torres Novas

Os dois autocarros enviados para a Polónia pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) com o objetivo de trazerem refugiados ucranianos para Portugal chegou na manhã de sábado, dia 19 de março, ao Palácio dos Desportos, em Torres Novas. Tendo em conta um primeiro autocarro que chegou no dia 17 de março, foram cerca de 140 os refugiados transportados através desta operação conjunta dos 13 municípios do Médio Tejo, conforme deu nota Anabela Freitas, presidente da CIMT, em conferência de imprensa.

Depois dos cerca de 80 refugiados serem devidamente acolhidos, de lhes ser proporcionada uma refeição quente, cuidados médicos imediatos e testagem Covid-19, a CIMT – nas pessoas de Anabela Freitas (presidente da Câmara de Tomar e da CIM Médio Tejo), Pedro Ferreira (presidente da Câmara de Torres Novas), Jorge Faria (presidente da Câmara de Entroncamento) e Marlene Carvalho (vereadora da Câmara de Alcanena) – realizou uma conferência de imprensa onde foi feito um primeiro balanço desta operação que enviou três carros para o leste da Europa para trazer cidadãos ucranianos em fuga da guerra.

Foto: mediotejo.net

Conforme destacou a líder da CIM Médio Tejo, os três autocarros foram alugados tendo como primeiro objetivo o de retirar pessoas do teatro de operações e traze-las para Portugal e depois, das pessoas transportadas que ficassem na região do Médio Tejo, dividi-las pelos vários municípios da região, de acordo com aquelas que são as suas disponibilidades em matéria de habitação, emprego e acolhimento.

No total foram 140 refugiados transportados (grupo constituído essencialmente por mulheres e crianças), seis cães e um gato. Destes 140, mais de metade vão ficar na região, mas, conforme referiu Anabela Freitas, estão referenciadas cerca de 400 hipóteses de alojamento no território abrangido pela CIM Médio Tejo.

Anabela Freitas disse também que vão ter de decorrer trabalhos em paralelo para ajudar a uma plena integração dos cidadãos ucranianos. O primeiro passo começa pelo processo administrativo de registo destas pessoas no país – algo que começou logo a ser feito no sábado no Palácio dos Desportos – no sentido da obtenção do estatuto de refugiados. Cada município irá depois acompanhar os refugiados que forem para o seu concelho.

Em todos os concelhos vai ser articulada com as escolas a integração das crianças no meio escolar, sempre suportado naquilo que é a comunidade ucraniana local, sendo que vão igualmente ser constituídas turmas para que os refugiados ucranianos possam obter cursos de língua portuguesa.

Foto: mediotejo.net

No que toca à integração no mercado de trabalho, “em todos os concelhos estão sinalizadas ofertas de emprego”, notou Anabela Freitas, sendo que as ofertas de emprego são feitas ou através da plataforma do IEFP ou com os contactos que as próprias câmaras tenham.

A também presidente da Câmara Municipal de Tomar deixou o conselho de que o pedido seja sempre feito através do IEFP para que se possa usufruir de apoios pela integração destas pessoas nas empresas. 

“O IEFP criou uma plataforma onde as entidades empregadoras registaram as suas ofertas de emprego. É óbvio que nós em cada concelho conhecemos aquilo que é o nosso tecido empresarial e o nosso tecido do terceiro setor, e o terceiro setor é já um setor que estava com um défice grande de trabalhadores, e aquilo que estamos a receber são essencialmente mulheres e crianças, e portanto será aquele que se calhar será o mais fácil de escoar”, adiantou a autarca tomarense.

O Palácio dos Desportos, em Torres Novas, foi preparado para receber os refugiados ucranianos trazidos nos autocarros alugados pela CIMT. Foto: CM Torres Novas

Quando foi questionado sobre a possibilidade da constituir uma associação ou comissão de ajuda aos ucranianos, Anabela Freitas foi taxativa: “A gente, quando não quer fazer nada, constitui uma comissão. Eu acho que a melhor amizade que aqui podemos trazer é tudo fazer para os integrar e portanto isso é a verdadeira amizade sem estar a constituir o que quer que seja”, defendeu, referindo que tanto os 13 municípios como as entidades parceiras estão empenhados em desenvolver este esforço conjunto.

ÁUDIO | ANABELA FREITAS FAZ UM BALANÇO DA OPERAÇÃO:

Jorge Faria, presidente do município do Entroncamento, relembrou que há mais refugiados a chegar à região que não os que vieram nos autocarros, nomeadamente os que vieram por meios próprios, com amigos, ou grupos de cidadãos da sociedade civil portuguesa, pelo que os municípios estão também a trabalhar na sua integração.

Sobre este ponto, Anabela Freitas realçou que é mais fácil quando estas pessoas chegam através de ações conjuntas e organizadas do que pelas suas próprias vias ou com pessoas que foram buscar refugiados:

“A guerra traz tudo o que é de bom mas também traz muito do que é mau. E portanto o aproveitamento de mão de obra barata, a exploração, o tráfico humano, está sempre patente aqui. Enquanto vêm numa operação organizada como a nossa, volto a dizer, é o mais fácil. E portanto temos de tentar chegar a estes que também estão no nosso território, que vêm sem nós sabermos para que sejam registados, tenham os mesmos cuidados de saúde, e o mesmo nível de integração de qualquer um destes que vêm nos autocarros”, relembrou a autarca. 

“Nós vamos fazer agora uma avaliação desta operação, até porque muitos dos nossos concelhos estão também a ser contactados pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM), no sentido de podermos acolher refugiados que estão sobretudo no Centro de Acolhimento de Lisboa, e portanto há concelhos que vão já na próxima semana buscar pessoas articuladas com a ACM”, disse Anabela Freitas, que acrescentou que agora vai ser decidido se vão ser alugados mais autocarros para ir buscar mais refugiados ou se, em articulação com a ACM, vão ser acolhidos nos concelhos da região refugiados que já estão em território nacional.

A presidente da CIM Médio Tejo quis ainda deixar publicamente uma palavra de apreço ao trabalho desenvolvido pelo Serviço Municipal de Proteção Civil de Torres Novas, “que montou toda esta estrutura, para que as pessoas se sintam verdadeiramente acolhidas”.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 902 mortos e 1.459 feridos entre a população civil, incluindo mais de 170 crianças, e provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas, entre as quais mais de 3,3 milhões para os países vizinhos, indicam os mais recentes dados da ONU.

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

Entre na conversa

1 Comentário

  1. “A guerra traz tudo o que é de bom mas também traz muito do que é mau” ???? ( Anabela Freitas)
    Confesso que não percebi ou, às tantas, é melhor nem tentar perceber…Bom?!!! Para quê? Para quem?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.