Ricardo Ribeiro. Foto: DR

O Médio Tejo é feito de vários caminhos e os do Ferro foram inaugurados no passado dia 11 de abril com o arranque do primeiro roteiro da nova rede de itinerância cultural da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Já se percorreram muitos quilómetros desde então em Abrantes, Entroncamento, Mação, Tomar e Vila Nova da Barquinha e existem outros tantos para fazer até ao último dia, domingo, por isso aqui fica o itinerário do fim-de-semana.

As visitas orientadas aos percursos artísticos continuam em quatro dos cinco concelhos envolvidos. Em ambos os dias é possível explorar as criações de Paulo Carmona a partir do Centro Cultural Elvino Pereira de Mação, (10h00), de Marina Palácio a partir da biblioteca municipal de Vila Nova da Barquinha (11h00), de Violant a partir do Complexo Cultural da Levada de Tomar (16h00) e de Yola Pinto a partir da estação ferroviária do Tramagal (16h00), em Abrantes.

Os Caminhos do Ferro estão associados à dança, mas o programa integra outras artes performativas e, se a maioria dos espetáculos está direcionada para o público em geral, também existem propostas para os mais novos. O Centro Cultural do Entroncamento recebe a peça teatral de Filipe Caldeira “O cão que corre atrás de mim (e o avô Elísio à janela)”, às 17h30 de sábado e domingo, que conta a história de Caco, o menino que teme o cão que ladra na rua e é vigiado pelo avô Elísio.

A Sopa Nuvem volta a ser confeccionada ao vivo pela Companhia Caótica em Mação. Foto: DR

O teatro ainda passa por Mação e Vila Nova da Barquinha. No sábado, às 12h00, é servida mais uma dose da “Sopa Nuvem”, o espetáculo em que a Companhia Caótica dá a provar ao público, literalmente, uma sopa feita de feijão e amor familiar no Centro Cultural Elvino Pereira. Também no Centro Cultural, mas de Vila Nova da Barquinha, é a marioneta da Companhia Teatro de Ferro que se descobre no palco através do marionetista e tenta definir o limite entre o que se cria e o que já existe. Este espetáculo, “Olo – Um solo sem S”, realiza-se em ambos os dias às 16h00.

O percurso do novo circo é ligeiramente diferente e depois de ter feito paragem no concelho de Abrantes esta quinta-feira, o espetáculo “Circo à Mostra” é levado pelos Caminhos do Ferro até Tomar e Vila Nova da Barquinha. Ambos os concelhos recebem os artistas que colaboram regularmente com a Companhia Erva Daninha às 15h00, o primeiro na Praça da República, a 15, e o segundo no parque ribeirinho, a 16.

O Circo à Mostra da Companhia Erva Daninha passa por Tomar e Vila Nova da Barquinha. Foto: mediotejo.net

Outros espetáculos que continuam a sua viagem pelo Médio Tejo durante o fim-de-semana, depois das respetivas estreias na região em pleno feriado, são os associados à área da dança. O “Baile dos Candeeiros” põe a mexer e ilumina a Praça Salgueiro Maia, no Entroncamento, às 21h30 de sábado, depois de o ter feito na sexta-feira em pleno anfiteatro do Castelo de Almourol, em Vila Nova da Barquinha.

O movimento continua através do projeto artístico comunitário “Andar”, que trilhou os primeiros metros em Tomar no feriado. A coreógrafa Aldara Bizarro segue no sábado até ao parque ribeirinho de Vila Nova da Barquinha acompanhada por 50 dançarinos amadores da região e o centro histórico de Mação recebe-os no domingo à hora do costume (18h30).

O Baile dos Candeeiros ilumina a Praça Salgueiro Maia, no Entroncamento. Foto: DR

O último momento do programa é dedicado à música e a Praça da República, em Tomar, transforma-se numa casa de fados a partir das 21h30 com o concerto de Ricardo Ribeiro. Um momento para recuperar forças dos muitos quilómetros percorridos ao longo de seis dias ao som do fadista que foi recentemente nomeado pela segunda vez para o prémio de Melhor Artista do Ano pela revista Songlines com o álbum “Hoje é assim, amanhã não sei”.

Os Caminhos do Ferro despedem-se da região, mas isso não significa que os caminhantes irão guardar as bagagens porque o projeto “Caminhos” regressa em julho com os Caminhos da Água, que destacam a música, e os Caminhos da Pedra, associados ao teatro. Os restantes concelhos da área de intervenção da CIM do Médio Tejo passarão a fazer parte do mapa da rede de itinerância cultural nessas alturas.

Sónia Leitão

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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