Um novo médico vai entrar ao serviço do Centro de saúde de Mação a partir de segunda-feira, dia 2 de outubro, ao abrigo do Regulamento de Incentivos à Fixação de Médicos implementado pelo Município de Mação, que atribui um incentivo financeiro de até 2500 euros mensais a cada médico de família que se fixe no concelho.
“Felizmente já tivemos sucesso”, notou o presidente de Câmara na sessão ordinária da Assembleia Municipal de dia 26 de setembro, em resposta à intervenção no período antes da ordem do dia da deputada socialista Carla Loureiro.
“A partir do dia 1 de outubro começará a exercer no nosso concelho um médico, fruto da deliberação que a Câmara tomou e que a Assembleia Municipal também tomou, com base no Regulamento de Incentivos em vigor. Na próxima segunda-feira já estará entre nós a trabalhar”, mencionou o edil.
Vasco Estrela lembrou que teve de ser feita formalização de candidatura, tendo sido aberto prazo para candidaturas para atribuição de incentivo pecuniário, no âmbito do Regulamento para Atribuição Excecional de Incentivos à Fixação de Médicos na Unidade de Saúde de Mação,
O médico já tem contrato de trabalho assinado com o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, sendo que terá também de ser assinado um acordo entre o Município e o clínico, que em mobilidade, virá exercer em Mação vindo do ACES da Arrábida.
Apesar de algumas conversações com outros médicos, apenas o clínico que estará a partir da próxima semana ao serviço da população maçaense manifestou interesse efetivo, mas as candidaturas ao regulamento de incentivos municipais vão continuar disponíveis.
“As candidaturas continuam abertas, em contínuo; desde que haja interessados, nós abrimos as candidaturas. Houve esta manifestação de interesse, e há uma ou outra conversa com um ou outro médico, veremos se conseguimos ou não. Mas, como sabem, a situação é dramática”, frisou.
Perante uma situação “dramática” que tem vindo a denunciar nos últimos meses, e em entrevista ao nosso jornal, apontando o dedo ao Governo por não estar a cumprir com o seu dever de encontrar uma solução efetiva para o país, Vasco Estrela admite que a vinda deste clínico “não vem resolver o problema, que é muito mais grave do que isso, mas pelo menos vem ajudar a mitigar esta situação e a ultrapassar este problema”.
Falando das notícias desta semana com referência ao funcionamento das urgências no Hospital de Santarém, disse serem “altamente preocupantes” pelo que se espera e prevê para os próximos meses, até em termos das urgências de Hospitais Centrais, com “a decisão de muitos médicos em renunciarem às horas extraordinárias, o que poderá trazer um caos nesta área”, disse, alarmado.

“Acho que é um problema demasiadamente sério que o país, de uma vez por todas, tem de parar para pensar como é que o vamos ultrapassar”, crê o autarca.
Neste tópico, a deputada Carla Loureiro (PS) interveio falando na dificuldade de encontrar médicos disponíveis para virem para o Centro de Saúde de Mação, mas referindo-se também à resposta de recurso que a unidade de saúde disponibiliza ao fim de semana, que “é melhor do que nada”.
Porém, e conforme Vasco Estrela também já tinha constatado, apontou as condições indignas a que as pessoas são sujeitas, muitas com idade avançada e comorbilidades, e que lá estão à porta da unidade de saúde “às 4 ou 5 da manha” para aguardarem madrugada fora por uma vaga de consulta de recurso ao fim de semana.
Um problema que entende que o município poderia resolver “com alguma facilidade”, e sugeriu que se utilize a sala de antecâmara, antes da sala de espera, que poderia estar aberta para as pessoas estarem abrigadas enquanto aguardam para serem atendidas, ou até estabelecer um sistema de senhas.
“Podia-se fazer mais e melhor pelas pessoas que ali estão à espera, já que não conseguimos [atrair médicos] nem com apoios de 2500 euros. Pelo menos dar algum conforto a quem espera. Há pessoas que aguardam realmente doentes, e estarem à chuva e ao frio é muito desagradável”, lamenta.
O presidente de Câmara disse estar em sintonia com a deputada sobre o assunto, e referiu-se à imagem das pessoas em fila durante a madrugada num “estado lastimoso e degradante”.

Deu conta que iria reunir, previsivelmente esta semana, com a diretora do ACES Médio Tejo, “para falar na possibilidade de abrir uma sala no centro de saúde para que as pessoas possam estar abrigadas nas infindáveis horas de espera”.
Admitiu, porém, que “poderão levantar dificuldades”, mas mostrou não se render facilmente.
“Estarei na disposição de propor que a CM Mação assumirá a responsabilidade de ter lá alguém, nem que seja uma empresa de segurança, para garantir que durante aquelas duas ou três horas nada de mal acontece à infraestrutura, que aliás, supostamente, passará para a nossa responsabilidade através da transferência de competências através do mês de novembro. Veremos se isso nos dará o direito ou não de abrir a porta à hora que nós queremos”, argumentou.
O edil considera que “é impensável que nos meses de inverno pessoas doentes estejam ali às 5 e 6 da manhã com temperaturas quase negativas ou à chuva”.
“É algo que não se pode permitir; nem no que limite se meta ali uma tenda ou faça alguma coisa. Temos de resolver aquela situação”, vincou.
Recorde-se que este novo clínico ingressa no Centro de Saúde de Mação por mobilidade, fruto da implementação do regulamento de incentivos à fixação de médicos, aprovado pela autarquia maçaense.
A proposta de regulamento de atribuição de até 2 500 euros mensais a cada médico de família que se fixe no concelho, até um máximo de três profissionais de saúde, mereceu a unanimidade dos partidos políticos em Mação. Com 75% da população sem médico atribuído, a autarquia acredita que desta forma vai conseguir resolver a questão, tendo alguns profissionais já manifestado o seu interesse.
A autarquia decidiu lançar um pacote de medidas de incentivo à fixação de médicos para tentar estancar um problema que afeta a população maioritariamente idosa, dispersa por mais de 100 localidades, num concelho com mais de 400 km2 de área e que necessita de acompanhamento médico e cuidados regulares.
No concelho de Mação há vários meses que os utentes sofrem constrangimentos no acesso a consultas, uma vez que a unidade de saúde está dotada apenas com um médico de família, existindo aos fins de semana médicos que fazem atendimento complementar.
O autarca já havia descrito ao nosso jornal que “há fins de semana em que as pessoas vão para o centro de saúde de madrugada, na esperança de conseguir uma janela de oportunidade entre as 10h00 e as 19h00 para ter uma consulta”, situação que se tem arrastado, e que Vasco Estrela frisa ser uma situação insustentável e que não se poderá manter “de forma indefinida”, mas reconhecendo que este caos no acesso a consultas nos centros de saúde e extensões de saúde “é generalizado por todo o país”.

