Executivo camarário do Município de Mação. Foto arquivo: mediotejo.net

Na sequência da renúncia do autarca António Louro do cargo de vice-presidente da Câmara Municipal de Mação, deixando vago um lugar no executivo camarário de maioria social democrata, tomou posse na reunião de dia 24 de janeiro a vereadora Tânia Pires. O presidente da Câmara deu ainda conta do despacho em que nomeou Margarida Lopes para vice-presidente da autarquia, bem como a redistribuição de pelouros. A nova vereadora do PSD não terá pelouros atribuídos e não estará a tempo inteiro.

Vasco Estrela, autarca maçaense, referiu não existir “alteração substancial” tendo os pelouros que antes eram responsabilidade de António Louro sido distribuídos pelo presidente e pela vice-presidente da CM Mação.

O edil deu conta de que, seguindo a lista candidata do PSD às autárquicas de 2021, seria Luís Mário Marques, o quinto da lista, a ser convidado a integrar o executivo, mas manifestou a sua indisponibilidade para fazer parte do executivo municipal. “Sendo assim foi convocada para estar presente nesta reunião e para tomar posse a Tânia Pires”, a número 6 da lista do PSD.

Tânia Raquel da Silva Martins Pires é técnica de desporto na Câmara Municipal de Mação, tomou posse enquanto vereadora do executivo a tempo parcial/meio tempo e não terá pelouros atribuídos, tal como o vereador da oposição, Nuno Barreta (PS).

Tânia Pires tomou posse como vereadora do PSD na reunião de executivo camarário de dia 24 de janeiro. Foto: mediotejo.net

Segundo o presidente da Câmara chegou a ponderar a hipótese de atribuição de pelouros à nova vereadora, mas, considera, “noutra altura, provavelmente, justificaria” que lhe fossem atribuídos pelouros, mas “a um ano e oito meses do final do mandato efetivo, penso que não justifica (…) quando a Tânia que não tem objetivamente experiência política, é um facto, independentemente das suas qualidades pessoais e profissionais, diria que poderia estar a começar a ficar com toda a capacidade e terminava esta função”.

“É trabalhadora da Câmara, também desenvolve atividades importantes junto quer dos mais novos, quer da população idosa, e ponderado tudo isso e o que conversei com ela foi no sentido de não ter pelouros. Não significa que, a meio deste processo, não haja uma qualquer eventualidade que venha a justificar que tenha pelouros”, justificou.

Por outro lado, quanto à redistribuição de pelouros, Vasco Estrela disse que existiram “poucas alterações” tendo assumido alguns dos pelouros que António Louro assumia até à renúncia, tendo outros passado para alçada da vice-presidente, Margarida Lopes.

Outros pelouros foram ainda extintos, e passaram a incorporar outros existentes. “Não houve nenhuma alteração substancial àquilo que existia, mas sendo certo que existiam pelouros e competências que o António Louro tinha que terão de ser garantidos”, frisou, indicando ainda o despacho de nomeação de Margarida Lopes como vice-presidente da CM Mação.

Foto: mediotejo.net

“Com esta alteração, para o presidente e para os vereadores a tempo inteiro exigirá naturalmente mais algum esforço e trabalho, porque o que era a dividir por quatro, passa a ser dividido por três. Espero a colaboração dos vereadores para desempenharmos estas funções de acordo com aquilo que foram os compromissos assumidos com a população deste concelho”, disse Vasco Estrela.

Depois de formulados os votos de boas-vindas e bom trabalho à nova vereadora do executivo de Mação, Margarida Lopes, por sua vez, agradeceu ao presidente de Câmara “a confiança depositada em mim com a nomeação para a vice-presidência, espero continuar a corresponder e a colaborar como sempre tenho feito e dentro daquilo que tem acontecido, para o sucesso da nossa atividade camarária”.

À margem da reunião, em declarações aos jornalistas, o edil reconheceu o trabalho que António Louro vinha a desenvolver com “enorme competência” ao longo de praticamente 20 anos de vida autárquica, dizendo esperar que a sua renúncia não traga “prejuízo para os nossos municípes e para a autarquia”.

“Compete-nos a nós os três, que aqui ficamos, tentarmos da melhor forma possível fazer a gestão dos pelouros que já tínhamos, dos pelouros que lhe pertenciam, e responder às solicitações das pessoas, com a competência que temos tido ao longo destes anos. Temos de encarar estes processos com alguma naturalidade e seguir em frente”, assumiu.

Questionado sobre a saída de António Louro e qual o impacto do anúncio da sua decisão, Vasco Estrela reconheceu que não era a “perspetiva” do início de mandato, e que via que António Louro viesse, com grande probabilidade, a ser o candidato pelo PSD às próximas eleições, ainda que tal não estivesse definido, “tudo apontava” para tal.

Foto: mediotejo.net

“É uma decisão muito pessoal, que eu tenho de respeitar, que compreendo do ponto de vista pessoal, que acho que para o concelho é importante que ele esteja à frente daquele projeto [de reforma da floresta do concelho por via da implementação das Áreas Integradas de Gestão da Paisagem], um projeto que a todos deve mobilizar, e tem mobilizado as pessoas do concelho. Fez uma opção de vida, foi muito claro quando me transmitiu a decisão dele no dia 27 [de dezembro], estava muito convicto daquilo que iria fazer. Não fiz grande esforço para o contrariar porque nos conhecemos muito bem e percebi claramente que a decisão estava tomada”, disse, assumindo ter certeza que “também lhe custou”.

Ainda assim, Vasco Estrela reconhece que outra solução além da renúncia poderia ter existido, de “forma legal e transparente”, indicando que poderia ter passado pelo facto de António Louro não assumir a presidência da Aflomação e ficar na Câmara, e estar outra pessoa à frente da associação de produtores florestais, mas a verdade é que este é um projeto que tem sido criado e defendido pelo até então vice-presidente da autarquia há várias décadas.

Por outro lado, pela acumulação de cargos entre a vice-presidência da Câmara Municipal, e a presidência da direção da Aflomação bem como da entidade AZR, criada no âmbito da gestão do processo de implementação das AIGP no concelho, houve a assunção clara de que “poderia haver uma incompatibilidade objetiva e para salvaguardar a sua posição em termos pessoais, fez bem [em sair]”, entende o autarca.

Caminhando o presidente de Câmara de Mação para o último mandato permitido por lei à frente da autarquia, considera que esta alteração no executivo camarário representa “mais uma história para as memórias”, considerando que situações piores marcaram os anteriores mandatos, desde os incêndios de 2017 e 2019, as polémicas com o Governo e os processos em tribunal, a pandemia de covid-19.

António Louro, há cerca de 20 anos ligado à vida autárquica de Mação, tem acompanhado Vasco Estrela nos mandatos à frente da Câmara Municipal, enquanto vice-presidente, tendo surpreendido com a decisão da sua renúncia ao cargo para se dedicar apenas à presidência da Aflomação e da entidade AZR, levando por diante a implementação do novo projeto de reforma da floresta para o concelho. Foto: PSD de Mação

“Obviamente que quebra um bocadinho o que estava previsto, quebra a forma de trabalhar, as dinâmicas, quebra alguns relacionamentos, mas é da vida… Digamos que nunca tive um mandato normal do ponto vista de as coisas correrem como era previsível, a todo o tempo, é mais uma história para as memórias”, considera.

Mediante a nova distribuição, Vasco Estrela passa a assumir os pelouros de Gestão e Coordenação de Pessoal e Serviços Municipais; Coordenação, Gestão de Programas Comunitários; Gabinete Empreendedor – Empresas, Agentes Económicos e Programas Específicos; Finanças; Relação com Juntas de Freguesia; Associativismo; Desporto; Descentralização de competências; Educação; Ambiente; Paisagem e Floresta; Proteção Civil; Coordenação de Obras Municipais; Jardins, Parques e Espaços Verdes.

Já a vice-presidente Margarida Lopes irá assumir os pelouros de Cultura; Informação e Comunicação; Feiras e Promoção Municipal; Toponímia; Saúde; Arquivo Municipal; Juventude; Tempos livres; Ação Social; Turismo; Salubridade Urbana e Higiene; Serviço de Informação Geográfica.

Vasco Marques, vereador em regime de permanência, prosseguirá com os pelouros do Património Municipal; Energia; Formação Profissional; Emprego e Programas Ocupacionais; Modernização Administrativa; Sinalização, Trânsito e Prevenção Rodoviária; Serviço de Fiscalização Municipal; Transportes Municipais / Gestão e Coordenação dos Transportes Escolares; Gestão e Coordenação de Praias Fluviais e Parque de Campismo; Gestão e Coordenação dos Edifícios e Refeições Escolares.

Composição do atual executivo da Câmara Municipal de Mação, liderado pelo autarca Vasco Estrela, com a vice-presidente Margarida Lopes (PSD), o vereador Vasco Marques (PSD), a vereadora Tânia Pires (PSD) e o vereador eleito pelo Partido Socialista, Nuno Barreta. Fotos: CMM

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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