Foto: Leonel Mourato

Os quatro primeiros percursos pedestres do projeto “Rotas de Mação”, apesar dos atrasos sofridos pela instalação da pandemia de covid-19, estão a ser trabalhados no terreno com vista ao pedido de vistoria para a sua homologação. Para já estão a ser revisitados, na semana de entre 15 a 19 de junho, e a sua sinalética está a ser reforçada, dando passos necessários até à reta final: o lançamento oficial dos mesmos. Também em vias de ser testado está o SER – Sistema de Emergência e Resgate, um sistema de emergência pioneiro no país, uma vez que “não há nenhum percurso em Portugal que tenha um sistema destes”. A organização apela à compreensão e paciência de quem já faz por iniciativa própria estes caminhos, referindo que ainda estão a ser ultimados pormenores e que os percursos ainda não estão 100% concluídos, o que pode gerar alguma insegurança e confusão na caminhada.

Leonel Mourato, porta-voz e membro do grupo, anda esta semana no terreno juntamente com outros elementos das “Rotas de Mação”, com a AMS, empresa responsável pela instalação da sinalética, o fotógrafo Joaquim Diogo e os respetivos presidentes de Junta das áreas de incidência dos percursos, e membros da Proteção Civil Municipal, bem como elementos da Guarda Nacional Republicana.

Em declarações ao mediotejo.net, junto à Lagoa da Serra do Bando, durante as verificações do PR2 MAC, explica que estão distribuídas “22 balizas de socorro – postes verticais de cerca de 1,50 metros – colocados em pontos que têm rede móvel, e distam cerca de 2 quilómetros uns dos outros”.

Foto: mediotejo.net

“O caminhante, em caso de perigo, dirige-se para um destes pontos e a única coisa que tem de fazer é ligar para o 112 e dizer que se encontra na baliza 55, no PR2 – Rota do Brejo e Bando dos Santos, na Lagoa da Serra do Bando. A partir daqui fica neste local, e os bombeiros ou equipa da GNR facilmente se desloca de Mação até este ponto, garantindo a todo o momento a segurança a quem caminha”, exemplifica.

Este sistema que está a ser implementado vem “validar” todo o trabalho feito pelo projeto, acrescentando segurança e fiabilidade. “Ainda esta semana no Parque de Peneda-Gerês, duas pessoas perderam-se exatamente porque não sabiam onde estavam, não conseguiam dar pistas da localização ao socorrista e quando não se consegue dizer onde se está, não havendo um elemento distintivo, pior fica o cenário”, nota.

Em Mação, este sistema vai ser validado pela Federação de Campismo e Montanhismo em Portugal, como projeto piloto nacional, com intuito de o replicar em futuros percursos pedestres doutros concelhos e de o apresentar à ANEPC.

Foto: Leonel Mourato

“Este sistema é complementado numa segunda fase com a aplicação móvel das Rotas de Mação, que poderá ser descarregada gratuitamente do portal das Rotas de Mação, e neste caso, o caminhante tem a hipótese de, não podendo estar perto de uma das balizas de socorro, usar um botão SOS que envia uma coordenada geográfica para os Bombeiros, para a GNR ou para a Proteção Civil Municipal. E sabem exatamente onde a pessoa se encontra”, explica Leonel.

“Queremos garantir que no concelho de Mação os percursos são seguros, fiáveis e que podem vir caminhar em segurança”, afirma.

O projeto tem uma forte complementaridade entre o terreno, percursos marcados e pontos de interesse e localidades onde se inserem, existindo um suporte virtual importante. Nesse sentido, está a ser desenvolvido o portal oficial das “Rotas de Mação”, que se espera começar por ser lançado no domínio uma página provisória, contando que até final de julho ou início de agosto a versão definitiva fique disponível.

Além da informação patrimonial, informações históricas e culturais sobre os vários sítios por onde se caminha ao longo dos vários percursos pedestres, a outros factos de interesse, será possível aprofundar conhecimentos através da leitura de um QR Code, com recurso a smartphone ou tablet e tendo ligação à Internet ou rede móvel. Basta passar no quadrado afixado num dos cantos das placas identificadoras dos sítios de interesse para aceder imediatamente à ligação no site do projeto.

Foto: mediotejo.net

Também incluído em várias balizas de socorro que marcam os percursos, existirão caches para a prática de geocaching. Um jogo de natureza que permite, através do portal nacional, praticar a atividade ao mesmo tempo que se percorrem as rotas definidas.

“O QR Code permite ao jogador/praticante de geocaching ou ao caminhante fazer uma ligação direta com o portal, algo que é muito usado hoje em dia, sendo que já vem muitas vezes instalado um leitor para tal no smartphone. Os conteúdos que disponibilizados serão trabalhados num backoffice, e a qualquer momento pode ser editado o texto, inseridos conteúdos, corrigidos ou retirados, poupando tempo e recursos. É uma opção nossa, e será criado e gerido com apoio da Divisão de Turismo da Câmara Municipal de Mação”, explica Leonel Mourato.

Organização pede paciência aos caminhantes e adverte que os percursos pedestres ainda não estão 100% concluídos

Por estes dias, e dada a divulgação e troca de informações nas redes sociais, quer no grupo, quer na página institucional, têm sido muitos os aventureiros e turistas a explorar os vários locais por onde passam os percursos marcados. Acontece que, por questões de segurança, a organização pede cautela a quem opte por caminhar por sua conta e risco, uma vez que ainda existem questões sobre a marcação e a sinalética a serem concluídas.

“Nós compreendemos a ansiedade das pessoas, sobretudo nesta época e não havendo, festas populares, nem feiras, nem romarias, opta-se por atividades de lazer e ao ar livre. Temos em cima de nós uma pressão enorme e também nós temos muita ansiedade [para que tudo fique concluído]”, admite Leonel.

Foto: mediotejo.net

“Quando acharmos que os percursos estão caminháveis, nós dizemos. Temos recebido algumas críticas, porque está tudo muito confuso e mal marcado… Os caminhos não estão prontos. Só esta semana os primeiros novos quatro percursos pedestres vão ficar prontos. Começámos pelo PR2, no Brejo e Serra do Bando, a colocar marcas e a reforçar toda a sinalética, seguindo-se esta semana os percursos em Queixoperra, Ortiga e o de Carvoeiro”, enumera.

“Acreditamos que vão ficar praticamente fechados. O que prevemos é, ainda este mês, tentar pedir as vistorias para conseguir as homologações dos percursos no início de julho. Está quase, mas ainda não está”, diz.

Por outro lado, a organização apela a que os caminhantes e a comunidade se empenhem na conservação e preservação dos elementos e sinalética instalados, temendo roubos ou vandalismo.

Foto: mediotejo.net

“O que pedimos é que não não estraguem e não destruam. Vejam e admirem, e se notarem algo partido ou destruído, comuniquem às entidades ou autoridades. Mas não estraguem, isto é para o bem de todos nós”, apela o porta-voz do grupo.

No segundo semestre, segundo as previsões e mediante as restrições impostas pela pandemia, serão trabalhados outros quatro percursos, na Amêndoa, Casas da Ribeira/Caratão, Envendos e Penhascoso.

“Temos ainda em marcha o desenvolvimento do Passaporte Rotas de Mação, uma vez que se trata de um projeto concelhio, identificámos no concelho cerca de 50 locais notáveis, aos quais damos o nome de Best Of. Em cada um desses sítios, será também deixado um posto semelhante ao da baliza de socorro com um QR Code onde se faz a contextualização do local e da freguesia onde se insere”, menciona.

Foto: Leonel Mourato

Apesar de tudo, e com grupos restritos no terreno e impedidos de contactos presenciais com todos os membros por questões de saúde pública, as “Rotas de Mação” estão a seguir em frente, passo a passo, e contra o tempo.

“Estamos a lutar contra o tempo, a pandemia de covid-19 não veio ajudar. Estamos quatro meses atrasados em relação ao plano de trabalhos e calendarização iniciais. E é tudo muito complicado, pois não podemos andar em grupo. Apelamos às pessoas que tenham compreensão. Somos humanos, também erramos, e estamos a dar o nosso melhor”, conclui.

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“Projeto Rotas de Mação”, por Leonel Mourato

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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