João Moura foi reeleito este sábado presidente da distrital de Santarém do PSD. Foto: mediotejo.net

João Moura, deputado eleito pelo distrito de Santarém e atual presidente da distrital do PSD, apresentou a sua recandidatura à presidência da Comissão Política Distrital do partido nas próximas eleições de 26 de novembro, contando a seu lado com alguns dos nomes de peso do PSD no distrito, incluindo as duas deputadas à Assembleia da República Isaura Morais e Inês Barroso. A outra lista concorrente às eleições é encabeçada pelo jurista Jorge Gaspar.

A deputada nacional Inês Barroso será assim a primeira vice-presidente da lista, sendo que Isaura Morais figura como candidata à mesa da Assembleia Distrital. João Tenreiro (deputado municipal em Tomar) é candidato à jurisdição distrital e João Lopes à comissão de auditoria financeira, Tiago Ferreira (vereador na oposição em Torres Novas) é o secretário-geral. Ricardo Gonçalves, presidente da Câmara de Santarém, é o mandatário da candidatura. A restante equipa será apresentada “oportunamente”.

A apresentação decorreu no Hotel dos Cavaleiros, em Torres Novas. Foto: mediotejo.net

Sob o mote “Afirmar a Região”, a apresentação da candidatura, que decorreu em Torres Novas, no dia 12 de novembro, começou com uma análise à realidade política dos concelhos do distrito, onde, embora o PSD tenha perdido uma Câmara Municipal nas últimas eleições autárquicas, João Moura relembrou que o PSD conseguiu conquistar seis e que outras, como a do Entroncamento, Benavente ou Tomar, “estão por um fio” de passarem para o PSD, algo que resulta de um trabalho que merece continuidade, no entender do candidato à liderança da distrital do partido para os próximos dois anos.

João Moura, que é também o atual presidente da Assembleia Municipal de Ourém, afirmou ainda na apresentação pública que a sua recandidatura está em sintonia com os órgãos nacionais do Partido Social Democrata, tendo destacado desde logo a questão de um aeroporto no distrito, algo que seria fulcral para inverter a atual situação de decréscimo populacional.

O candidato afirmou ainda que o distrito de Santarém é o epicentro da agricultura, tendo em conta o trabalho do PSD distrital em conseguir colocar a agricultura na agenda do país, não deixando João Moura de relembrar as questões ambientais, particularmente os problemas inerentes ao rio Tejo.

Em declarações ao mediotejo.net, João Moura disse que a motivação da sua recandidatura se deve “ao facto de ter uma noção de que o nosso distrito e a nossa região podem estar num momento de viragem muito importante”, no qual “a nossa responsabilidade enquanto agentes políticos [é] de tentar inverter aquilo que é a tendência atual”.

E esta tendência atual “é que – e os números é que o dizem, não somos nós – a NUT do Médio Tejo e NUT da Lezíria do Tejo, são as duas regiões do país que mais divergem do restante país em termos de crescimento”, notou, tendo referido que as mesmas não acompanham o crescimento do resto do território.

“Mesmo em regiões mais longínquas de Lisboa, aquelas que são consideradas o interior do território nacional, portanto, nós estamos a divergir mais do que eles – distritos de Bragança, Guarda – em termos demográficos e em termos económicos”, disse o candidato, que apresentou as causas para a atual realidade.

“Primeiro, porque este distrito tem demasiado socialismo, e nós temos de tentar, aos poucos, ir invertendo esta tendência. Tem demasiados agentes do Partido Socialista nas diferentes funções, seja na educação, seja na saúde, seja na  área económica, seja na área social, são todos responsáveis socialistas, e nós temos de inverter esta situação. E em segundo lugar, porque a nossa proximidade a Lisboa, que devia ser aqui um ponto forte, que nos devia dar mais oportunidades, tem sido uma asfixia”, afirmou João Moura.

Exemplificando, “na CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo], uma parte significativa do nosso território, há uma verba destinada à mobilidade. E que Lisboa decide fazer mais uma estação de metro. E portanto a verba que está alocada vai toda para Lisboa. E mesmo que nós tenhamos a necessidade de fazer um apeadeiro, não conseguimos fazê-lo porque o dinheiro esvazia-se em Lisboa, e é isto um bocadinho a realidade que temos tido, é este tipo de esvaziamento. Depois as populações aqui dos territórios, a tentação que têm é de ir trabalhar para a grande capital, o que nós temos de inverter significativamente, arranjar atrativos para que as empresas se possam deslocar para cá e ter aqui um projeto âncora, que o aeroporto seria sem dúvida aquilo que de uma vez por todas inverteria”, afirmou.

João Moura e o mandatário da sua candidatura, Ricardo Gonçalves, presidente da Câmara de Santarém. Foto: mediotejo.net

Na visão de João Moura, um novo aeroporto em Santarém daria a resposta necessária ao turismo religioso que “hoje envolve milhões de pessoas em todo o mundo” e onde Fátima figura como “um grande expoente máximo disso”.

“Eu não conheço nenhuma cidade santuária no mundo inteiro que não tenha um aeroporto dedicado a essa cidade, e nós aqui em Fátima estamos com uma grande esperança, e muita fé também, que o aeroporto possa ser o aeroporto de Santarém, que sirva verdadeiramente Fátima e que possa catalisar toda a região”, disse João Moura, referindo a importância turística de Tomar, pelo que estas duas cidades podem “fazer aqui uma aldeia global turística muito interessante para toda a região”.

João Moura criticou ainda o facto de o distrito se dividir em várias CCDR, em que “uns [concelhos] respondem ao Centro, outros respondem ao Alentejo, outros respondem a Lisboa e Vale do Tejo. Aqui ninguém se entende, não há uma harmonia, e a nossa ideia é que possa ser concentrada na tal zona de interesse territorial, sejam concentrados os fundos comunitários para esta região, onde se engloba o Oeste”.

Dentro da questão da mobilidade, e apontando o Entroncamento como o “principal nó ferroviário do país”, João Moura defendeu não perceber “que naquilo que é nova redefinição do traçado, por exemplo, do TGV, que eles não estejam a equacionar que passe nesta região do país que é a zona que já está vocacionada para o receber”, sendo que o transporte ferroviário “é sem dúvida uma das grandes apostas que deve ter o distrito de Santarém para a mobilidade das pessoas mas também para a mobilidade das mercadorias”.

João Moura fala acerca de outros projetos, nomeadamente uma aposta na ferrovia e na produção energética.

“Nós temos aqui um porto seco, em Riachos, que me parece a mim que está muito aquém daquilo que poderia ser. Porque hoje não consegue dar uma resposta capaz às necessidades de transportes de mercadorias. A ferrovia é manifestamente insuficiente para lhe dar garantias que eles tenham um serviço eficaz. E portanto estão a faltar ligações ferroviárias, por exemplo entre a linha do Oeste e a linha do Norte, e podia ser feito aqui também no nó ferroviário na proximidade, nesta região, e portanto há aqui um conjunto de polos que o sítio que estamos hoje que é conhecido como um grande polo logístico já hoje, se nós queremos ser verdadeiramente amigos do ambiente então temos que pensar verdadeiramente como é que retiram os camiões que hoje circulam pelas estradas portuguesas e transformá-los em contentores de comboios em que circulam mais facilmente com menos pegada ecológica”, explicou.

“Para além disso o nosso distrito pode ser um distrito com grande vocação produção energética. Nós estamos numa profunda crise energética no mundo inteiro, a Europa não é exceção, e Santarém pode ter uma resposta muito capaz, seja através das fotovoltaicas, seja através dos aerogeradores, mas também através – tenho muita curiosidade em saber o que é que o Governo tem dito – sobre aquilo que é a transformação da Central Termoelétrica do Pego”, disse também o deputado nacional do PSD.

“Nós ainda não sabemos – recordo que o PSD foi o primeiro a questionar uma ficção que nos tentaram vender que era de transformar aquela central numa central de compostagem. Venderam isso como uma grande solução. Já lá fazem alguma transformação? Zero. Nós fomos os primeiros a dizer que não era possível fazê-lo porque não há matéria verde nem matéria sobrante das florestas capaz de alimentar uma central daquelas que por dia tinha vários vagões de comboio com carvão. E, portanto, aquilo que se espera dos políticos é que falem a verdade e não criem ilusões às pessoas e essas expectativas, e o PSD está aqui também com esse sentido de responsabilidade de afirmar a região que é o distrito de Santarém, e aqueles distritos que estão aqui à volta, que connosco poderemos criar aqui uma região que seja muito forte, muito capaz, que tem ensino superior com muita massa crítica, tem uma valência muito grande ao nível da agricultura (…)”, afirmou João Moura.

A apresentação contou com a presença de vários rostos do PSD da região, como o de Luís Albuquerque, presidente da Câmara de Ourém (à direita) ou de Rui Madeira, vereador da oposição no Entroncamento (à esquerda). Foto: mediotejo.net

Questionado sobre acerca de uma nova travessia sobre o Tejo, projeto reivindicado na altura das eleições autárquicas pelos candidatos do PSD nos concelhos onde se equaciona a nova travessia – Abrantes, Chamusca e Constância – João Moura disse não saber qual o melhor local para construir a nova travessia do Tejo, mas que o que “eu não posso como responsável político é dizer que é uma ponte em cada um destes sítios, como já alguém fez”, deixando a farpa a Maria do Céu Antunes, atual ministra da Agricultura e antiga presidente da Câmara de Abrantes que “onde chegava dizia hoje é importante ter aqui uma ponte, ali é importante ter outra ponte’. Não pode.”

João Moura sobre uma nova travessia sobre o Tejo.

“O que eu defendo é que deve ser estudado o melhor local, porque aquilo que está hoje é impensável que aconteça numa sociedade civilizada. Nós temos uma ponte, a ponte da Chamusca, que faz a travessia da Golegã para a Chamusca, onde não se cruzam dois camiões. Quer dizer, nós criámos um polo nacional para levar lixo, que vem em contentores de camiões pesados e que depois não se cruzam esses camiões naquela ponte, portanto não tem uma solução de acessibilidade como deve ser”.

Relativamente à questão da Chamusca e do Eco Parque do Relvão, João Moura defendeu ser “importante clarificar” que o país, a dada altura, pediu que a Chamusca acolhesse os resíduos de todo o país, o “lixo que ninguém quer ter” e que a Chamusca, “com sentido de responsabilidade”, aceitou, sendo que as contrapartidas que foram assinadas por vários governos – nomeadamente a conclusão da autoestrada A13 – não foram sucessivamente cumpridas, “mesmo governos do PSD, diga-se de verdade. O grave é que hoje as zonas de proteção a esta via já caducaram e portanto já se podem fazer casas onde estava previsto o traçado”, notou João Moura. 

Em relação à questão da fábrica da Mitsubishi, sediada no Tramagal, o também presidente da Assembleia Municipal de Ourém afirmou que atualmente os camiões que se dirigem para lá passam na ponte da Chamusca, porque a maioria das mercadorias vem de comboio até ao terminal de Riachos, “e portanto se o argumento era construir a ponte mais a norte, eu acho, parece-me, que ela pode ser deslocalizada um bocadinho mais a sul, sem ter aqui em detrimento de uma localização para a outra”, disse João Moura.

“Aquilo que me parece mais equilibrado é que a solução não deve ser por gosto ou apetite de um qualquer político que queira levar por bairrismo para a sua terra. A ponte deve ser no sítio que seja mais eficaz para servir os interesses dos vários agentes envolvidos, seja económicos, da questão do lixo, mas também que seja o sítio onde seja mais exequível e que não tenha o maior dispêndio financeiro por parte dos recursos do Estado. O que me parece é que todos os autarcas que estão envolvidos com a solução mais diretamente, seja Constância, seja Abrantes, seja Chamusca, são do Partido Socialista, os governos, os decisores, os ministros que têm a tutela são do Partido Socialista, e cada um deles não consegue arranjar aqui uma solução porque tentam agradar a todos e não agradam a ninguém e com esta desculpa não fazem coisa nenhuma. Isto é que é lamentável e continuamos a ter uma ponte onde não se cruzam dois camiões (…)”, notou.

Expetativas para as eleições.

Tendo em conta a existência da outra candidatura apresentada por Jorge Gaspar, jurista e atual presidente do Conselho de Jurisdição da distrital do PSD de Santarém, e questionado relativamente a expectativas para as eleições de 26 de novembro, João Moura disse não saber “o que é que move” as outras candidaturas.

“Hoje estamos a afirmar a nossa candidatura, estamos num partido democrático e respeitamos todos os adversários que possam vir e, portanto, vamos disputar umas eleições democraticamente, é isso que se espera, e todos sabemos e temos consciência que estamos aqui para defender aquilo que é o nosso distrito. No caso da nossa candidatura, é um bocadinho mais ambiciosa, queremos defender o nosso distrito e a nossa região”, concluiu.

As eleições estão marcadas para o próximo dia 26 de novembro, entre as 15h00 e as 20h00, em todo o distrito de Santarém, sendo que o prazo para a entrega das respetivas listas é até às 24h00 de dia 23 de novembro (3º dia anterior ao ato eleitoral, conforme previsto nos Estatutos do Partido Social Democrata). Os candidatos conhecidos são, ao dia de hoje, João Moura, de Ourém, atual presidente da Distrital do PSD, e Jorge Gaspar, Jurista, do Cartaxo.

No mesmo dia e horário, estão agendados atos eleitorais nas secções de Benavente, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Ferreira do Zêzere, Golegã, Ourém, Rio Maior, Santarém, Tomar e Vila Nova da Barquinha. 

As concelhias que não irão a votos nesta data são as de Abrantes, cujo presidente é José Moreno Vaz, Almeirim, secção presidida por António Nunes, Entroncamento (Isilda Aguincha), Mação (Vasco Estrela), Sardoal (Pedro Rosa) e Torres Novas, cujo presidente é Carlos Graça. 

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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