A sessão distinguiu os profissionais que há mais anos prestam serviço no Hospital de Torres Novas. Foto: mediotejo.net

Foi a 1 outubro de 2000 que foram inauguradas as atuais instalações do Hospital Rainha Santa Isabel, espaço no qual permanece até aos dias de hoje, na Avenida Xanana Gusmão, no concelho de Torres Novas. Na manhã desta terça-feira, dia 7 de outubro e 25 anos depois da inauguração, profissionais, dirigentes e autarcas reuniram-se para um momento que ficou marcado pela partilha de histórias e memórias deste percurso.

Durante a sessão foram entregues medalhas aos vinte colaboradores com maior antiguidade, seguindo-se uma missa e a inauguração de uma exposição fotográfica que percorre momentos significativos do percurso do Hospital de Torres Novas ao longo das últimas duas décadas e meia.

No final da cerimónia e em declarações aos jornalistas, o presidente da Unidade Local de Saúde do Médio Tejo, Casimiro Ramos, sublinhou a importância do hospital e das restantes unidades que integram a estrutura, defendendo a complementaridade entre Torres Novas, Tomar e Abrantes.

“Quando o hospital foi construído, quer o de Torres Novas quer o de Tomar, era uma estratégia que à época privilegiava unidades hospitalares de média dimensão para áreas mais restritas. À época era uma ideia, do meu ponto de vista, ótima de proximidade e que continua a ter essa preponderância”, afirmou Casimiro Ramos.

O responsável lembrou que, entretanto, os hospitais deixaram de funcionar “como unidade hospitalar em todas as suas dimensões, entrando na tal complementaridade”, passando primeiro a integrar o Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) e, mais recentemente, a ULS Médio Tejo, onde “funcionam como um único hospital” com três blocos que “não estão a 30 metros de cada um, mas estão a 30 km, como sempre dizemos”.

ÁUDIO | Casimiro Ramos, presidente da ULS Médio Tejo

“Procura dar a resposta possível com aquilo que são as nossas condições e dificuldades, mas também com aquilo que é a qualidade do serviço prestado, da dinâmica dos profissionais e das instalações que efetivamente os três hospitais têm hoje, quer em termos de condições de trabalho, quer em termos de equipamentos”, afirma.

Para o presidente da ULS Médio Tejo, as unidades “são fundamentais para a região” e “são pilares daquilo que é a prestação de cuidados de saúde na região. A par obviamente, dos cuidados de saúde primários que têm um papel fundamental, todo o sistema articulado é fundamental”.

Casimiro Ramos destacou ainda a importância da celebração, que assinala 25 anos de cuidados prestados pelo Hospital de Torres Novas, tendo sublinhado a qualidade do serviço e a dedicação dos profissionais.

“Como ouvimos pelos testemunhos, é algo muito marcante para todos os profissionais, que muitos deles, às vezes 24 horas seguidas, passam aqui o seu tempo, suando e transpirando, para tirar as dores àqueles que obviamente vêm cá a chorar por outras razões”.

Casimiro Ramos. Foto: mediotejo.net

Embora o presidente da ULS tenha optado por não comentar o plano em estudo que prevê o possível encerramento da maternidade de Abrantes e da urgência pediátrica de Torres Novas, em declarações aos jornalistas revelou que, para o futuro, estão previstas obras de manutenção e requalificação em todas as unidades hospitalares nos próximos anos, incluindo “a requalificação de salas de bloco operatório em Torres Novas e Abrantes” e “as obras em curso em Tomar”.

“Não é possível deixar que, passando os anos, as coisas se mantenham como no início (…). Temos um plano com um cronograma para os próximos anos, para investir sempre na manutenção”, referiu, salientando a necessidade de equilibrar os investimentos entre “instalações, equipamentos e condições de trabalho”.

Questionado sobre os recursos humanos, Casimiro Ramos reconheceu que há “momentos de maior dificuldade” em algumas especialidades médicas, mas frisou que essa é “uma luta constante, o trabalho diário de preencher escalas de urgência e cativar médicos, primeiro para os cuidados de saúde primários, e depois para as especialidades hospitalares”.

Apesar dos desafios, o dirigente mostrou-se confiante na capacidade de atração da região. “Procuramos, com as condições de instalações que temos, proporcionar essa atração aos profissionais, sentindo que têm em termos físicos e de equipamentos condições. Pode haver noutros locais do país, mas não nos superam em muitas coisas e achamos que estamos muito acima da qualidade que há noutros sítios e que eles podem usufruir disso. Usamos isso também como arma de atração.”, concluiu.

O presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, Pedro Ferreira, no final da sessão que assinalou os 25 anos do Hospital de Torres Novas, sublinhou a importância da unidade hospitalar para o concelho e para toda a região do Médio Tejo.

Foto: mediotejo.net

O autarca começou por destacar a dimensão pessoal da efeméride, lembrando que esteve presente na inauguração do hospital, num momento em que também iniciava o seu percurso na vida autárquica.

“Tem uma importância também ligada à minha vida, porque estive presente na inauguração. Estava a começar a minha vida autárquica, já tinha começado há uns anitos, já lá vão 32 anos”, referiu, acrescentando que viveu de perto a transição entre o antigo e o novo hospital, “uma grande referência na região”, onde, recorda, “tive filhos a nascer”.

Pedro Ferreira recordou ainda o contexto hospitalar da época, em que as unidades de Abrantes, Tomar e Torres Novas funcionavam de forma mais isolada. Segundo disse, “todos trabalhavam meritoriamente”, mas não existia então o “espírito de equipa” que hoje une os três hospitais.

O autarca torrejano lembrou o esforço conjunto que levou à criação do novo hospital, após “uma luta pacífica entre entidades”, e destacou o papel da Câmara na aquisição dos terrenos necessários à construção.

“Não foi fácil arranjar terrenos”, notou, explicando que foi necessário negociar com várias famílias, o que implicou custos significativos para o município, “que ainda hoje se fazem sentir”, e que o projeto só foi possível “com muita vontade de todas as partes e também, obviamente, do Ministério da Saúde”.

ÁUDIO | Pedro Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Torres Novas

Ao recordar os primeiros anos de funcionamento, Pedro Ferreira frisou que Torres Novas se tornou uma referência a nível regional, tendo recordado a existência de “polémicas habituais entre autarcas”, mas salientou que com o tempo o país evoluiu “culturalmente e em parceria”, permitindo que hoje os três hospitais se complementem “perfeitamente”.

Referindo-se à atual ULS Médio Tejo, o presidente destacou a distribuição de valências entre as três unidades. “Abrantes tem umas especialidades, Tomar tem outras, Torres Novas outras, todas importantíssimas”, disse, expressando o desejo de que a tutela continue a valorizar a complementaridade e a investir na melhoria dos serviços, “com melhores equipamentos, melhores equipas e novas áreas”.

Pedro Ferreira. Foto: mediotejo.net

“Se quiserem tirar partido deles, nós aplaudimos como autarcas e em nome das populações que representamos”, afirmou.

Pedro Ferreira deixou ainda uma mensagem de esperança e reconhecimento aos profissionais de saúde, descrevendo o hospital como “um jovem com 25 anos que se pretende que aos 50 ainda esteja mais vigoroso”. Desejou que o país consiga “mais médicos e mais especialistas”, apelando à criação de condições que permitam atrair e reter profissionais, “inclusive com alguma abertura a estrangeiros”.

Sublinhou, por fim, que “as paredes e os equipamentos são importantes”, mas que o verdadeiro valor de um hospital está nas pessoas.

“Se não houverem bons profissionais, para lá de bons técnicos de enfermagem, de medicina e de todas as especialidades médicas, se não tiverem coração, (…) mesmo com o juramento de Hipócrates, acabam por se dissipar e ter que procurar outra profissão qualquer. Portanto, desde o pessoal auxiliar, pessoal administrativo, tudo o que é enfermagem, especialistas, um grande abraço para eles e um muito obrigado em nome da população.”, concluiu.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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