Realizou-se no dia 12 de Maio em Vila Nova da Barquinha, com mais de duas dezenas de participantes, o V Encontro de Historiadores do Ribatejo.
Assumindo um caráter transterritorial, esta iniciativa manifesta-se enquanto agregando todos aqueles que entendem o Ribatejo para lá de conjunturas e transitoriedades; como uma unidade socio-cultural e territorial (enformada, ainda, de identidades geofísicas e económicas) a que apenas as amorfas e partidarizadas condições políticas têm obstado ao reconhecimento.
Iniciativa do Fórum Ribatejo, a mesma tem conseguido encontrar em si as necessárias sinergias motivacionais, que lhe têm garantido a perpetuação no tempo. O que, considerando que se trata de uma iniciativa abrangente numa região mais que desagregada, não é, afinal, coisa pouca.
Funciona, aliás, à semelhança do próprio Fórum, como um corpo integrado de vontades que, para lá de reivindicar unidades regionais, consubstancia-as e funciona, na prática, enquanto tal.
Mas o Encontro de Historiadores do Ribatejo tem sido bem mais do que isso. Dele tem resultado para lá dos intercâmbios de ideias e respetivas confraternizações (especialmente importantes entre quem partilha dos mesmos interesses), uma sistemática apresentação/divulgação dos mais diversos arquivos regionais (municipais e não só) bem, ainda, como a preconização da realização de diversos colóquios temáticos: realizados em diversos concelhos, em torno da história, cultura e sociedade ribatejana e suas condições de pesquisa e preservação.
Este último Encontro gerou, inclusive, um importante documento, aí aprovado (e entretanto já divulgado publicamente), respeitante ao presente Ano Internacional do Património. Os Historiadores Locais do Ribatejo tomam, assim, uma inequívoca posição acerca da amorfa dinâmica cultural que tem presidido à efeméride nesta Região e reivindicam, até, uma segunda metade do ano melhor aproveitada. Porque, afinal, até aqui, não se vislumbra uma minimamente substancial “diversidade de iniciativas”.
O grupo que considera a convocatória deste ano europeu como “uma oportunidade importante para a realização de iniciativas em diferentes níveis”, tenta assim provocar um agitar das águas, num contexto regional em que não existem, sequer, instituições administrativas que, de forma total ou parcial, possam ser vistas como representativas e dotadas de sentido de pertença regional.
Esta é que é a grande questão. E o grande “handicap”!
Afinal, não existem instituições que podendo representar o Ribatejo, sintam e identifiquem-se com ele. Nem na área cultural, nem em qualquer outra.
Estamos feitos uma manta de retalhos. Repartidos, como despojos, pelos mais diversos organismos regionais externos.
Para os quais o Ribatejo não passa de um apêndice. Algo para o qual se olha como uma excrescência. Face ao qual se desenvolvem obrigações parciais, distantes, formais e pontuais.
Veja-se a recente proposta de “Candidatura do Fandango a Património Mundial”, desenvolvida para dar cobertura à candidatura alentejana do “Montado de Sobro”.
E que, à primeira dificuldade (quando perceberam que o fandango não é apenas uma versão musical e coreográfica, que não era apenas dançado no Ribatejo, que não era apenas dançado por homens e, já agora, que há largas décadas não constitui um património vivo), desapareceu sem deixar rasto.
Resta-nos reivindicar, claro!
Desde logo o direito a reclamarmos e indignarmo-nos. Pelo menos isso.
Como fizeram, também, os muitos agentes culturais da Região, à pouco tempo, em Santarém.
E, ainda bem, que os historiadores ribatejanos estão despertos para tal.
Afinal, pelo seu caráter até certo ponto arquivístico e documental são, muitas vezes, vistos como conservadores.
Injustamente, como se prova.
