Restaurante 'O Bigodes', em Ortiga, Mação. Foto: mediotejo.net

Estando a decorrer o Festival Nacional de Gastronomia em Santarém, obriguei-me a reler o Boa Cama Boa Mesa. Reduzi a consulta ao Distrito de Santarém. Entre a edição de 2019 e a de 2018 existem poucas diferenças, no Médio Tejo a mais notória é a exclusão do restaurante Cascata, no mais prevalece o guião anterior. E, no entanto, surgiram outras casas de comeres, esperemos que elas sejam mencionadas na nova edição.

Eu não conheço os critérios classificativos, porém, tal como em devido tempo escrevi, não percebo a causa da exclusão do restaurante Dom Vinho (Sardoal) e o apagamento do restaurante Cascata, é possível estar relacionado com o facto de a principal sala de refeições e serviço à carta não serem funcionáveis todos os dias da semana. Será por isso?

A inclusão de O Bigodes (Ortiga, Mação) foi justa e por isso mesmo muito positiva, mais tudo como dantes, quartel-general na cidade dita florida. Acreditam?

Estabelecida a comparação rumei ao Festival, era o primeiro dia, acepipes variados fizeram mingar o apetite. Jantei no restaurante Tentações da Montanha (Boticas), e as tentações eram e são muitas. O porco nas suas várias ramificações impera, o galo pica no chão e o cabrito serrano convidam ao desfrute, a célebre posta de vitela barrosão é por si só uma iguaria de truz, os arrozes, e por aí adiante!

Finas fatias de presunto Bísaro muito bem curado constituiu a entrada, a referida posta de vitela grelhada como mandam as regras o elemento principal, a acompanhá-la batatas assadas com a casca e o pão daquelas paragens. Bebi um copo de vinho tinto da Adega Cooperativa de Valpaços, donairoso e guloso.

Até ao dia 3 de Novembro em Santarém. Aceita cartões.

Riesling

A casta, esta famosa casta fala alemão, não andarei longe da verdade se escrever que conquistou admiradores em todo o Mundo, por isso mesmo bebida em todo o Mundo, a sós e a acompanhar comeres leves, saladas, frutos vermelhos, charcutaria fina e queijos secos ou na fase de entorna pouco gordurosos. Os vinhos da casta Riesling gozam de grande aceitação no domínio da alta cozinha pelo seu perfume, elegância e frescura.

Nesta crónica trago a terreiro um Riesling ribatejano, da Quinta da Ribeirinha, Achete, Santarém, colheita de 2017, com 12,5º de graduação. O leitor experimente e estou convicto de o aprovar sem reservas. Faz parte da denominação TEJO.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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