Trabalhadores lamentam insolvência da Tupperware e falam em desfecho esperado. Foto: Lusa

A insolvência da empresa Tupperware, instalada em Montalvo (Constância), foi tema levado à Assembleia Municipal de Constância na sexta-feira, quer pela bancada do Partido Socialista quer pela bancada da Coligação Democrática Unitária, apresentando a CDU um voto de solidariedade e recomendação que foi aprovado por unanimidade.

O deputado Municipal do PS, Carlos Lopes, solicitou ao presidente da Câmara uma ponto de situação relativamente à fábrica da Tupperware declarada insolvente pelo Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, em fevereiro último.

Sérgio Oliveira lembrou que “a empresa declarou insolvência no início do mês de fevereiro” e que, “nesta fase, decorrem os 30 dias para a reclamação dos créditos sobre a massa insolvente. Houve uma reunião entre o administrador de insolvência e os trabalhadores da fábrica logo nessa semana. Foi articulado com o IEFP e com a diretora dos recursos humanos da Tupperware dias específicos para os trabalhadores se poderem inscrever no Centro de Emprego em Abrantes”, declarou.

Assembleia Municipal de Constância. Créditos: mediotejo.net

Segundo o autarca “a larga maioria dos trabalhadores já está inscrita no Centro de Emprego com subsídio de desemprego com efeitos a 14 de fevereiro”.

Da parte da autarquia, declarou Sérgio Oliveira (PS), “disponibilizámos o advogado da Câmara Municipal para poder prestar todos os esclarecimentos e, nomeadamente, certificar que todas as contas que tinham sido apresentadas aos trabalhadores, da indemnização, estavam certas”, tendo garantido que a Câmara “continua a acompanhar este processo”.

Temos de deixar decorrer os 30 dias, depois o processo normal de insolvência. O grupo de portugueses que tinha interesse em adquirir a fábrica, e que apresentou uma proposta formal para isso, nunca obteve qualquer tipo de resposta por parte dos credores dos Estados Unidos da América. Transmitiram que no âmbito do processo de insolvência irão avaliar quais as condições de venda da fábrica para verificar se mantém interesse ou não na aquisição da mesma”.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE CONSTÂNCIA, SÉRGIO OLIVEIRA

A fábrica da Tupperware em Montalvo era controlada pela sociedade Tupperware Indústria Lusitana de Artigos Domésticos que, por sua vez, era detida em 74% pela Tupperware Portugal – Artigos Domésticos Unipessoal Lda e em 26% pela Tupperware Iberia.

A fábrica da multinacional Tupperware em Portugal, a funcionar desde 1980, dependia a 100% da casa-mãe norte-americana, vendida depois de, em setembro, ter entrado em falência, e os planos para o futuro não parecem passar pela Europa, uma vez que a empresa revogou a sua licença de venda de produtos em todos os países europeus.

Assembleia Municipal de Constância. Créditos: mediotejo.net

Na mesma sessão a CDU apresentou, relativamente ao encerramento da Tupperware, um voto de solidariedade e recomendação, tendo sido aprovado por unanimidade.

A força política afirma ter sido “com tristeza e muita preocupação que assistimos ao encerramento da fábrica da Tupperware instalada desde 1980 na freguesia de Montalvo e que levou ao despedimento de cerca de 200 trabalhadores do nosso concelho e de concelhos limítrofes”.

Por isso “neste momento difícil” a CDU manifesta “total solidariedade para com os trabalhadores e respetivas famílias, fazendo votos para que regressem rapidamente ao mercado de trabalho assim como rapidamente recebam tudo a que têm direito”.

Não desvalorizando “a preocupação do impacto negativo destes despedimentos na economia local e regional” asseguram saber que “o desemprego é um dos acontecimentos que mais afeta a saúde física, psicológica e social do trabalhador muitas vezes com consequências negativas irreversíveis na alteração do seu modo de vida”.

Nessa sequência, recomenda que “a Câmara Municipal através dos respetivos serviços de ação social e do Gabinete de Inserção profissional elabore um plano de intervenção com medidas concretas e de concretização imediata” e que não se fique, citando o presidente da Câmara, pelos “serviços disponíveis para ajudar e apoiar os trabalhadores dentro daquilo que for possível”.

A CDU insistiu ainda que “a expansão da zona industrial e a captação e fixação de empresas é um imperativo municipal urgente e inadiável”.

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A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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