Propostas de compra da fábrica da Tupperware não atingem valor mínimo Foto: mediotejo.net

“A reunião marcada com a direção [da fábrica] para terça-feira foi adiada para quinta-feira [ia 9 de janeiro] pelo que vamos continuar a trabalhar nos próximos dias, provavelmente até quinta-feira, dia 16 de janeiro, para dar resposta às encomendas”, disse hoje à Lusa um trabalhador da empresa, tendo adiantado que o fecho da fábrica “foi adiado” mas que o mesmo “é inevitável”.

Segundo a mesma fonte, a fábrica “está a funcionar normalmente, e em todos os setores (armazém, respostas a encomendas e escritórios) com o intuito de dar vazão às encomendas através dos stocks existentes” na fábrica, que serão “bastantes”, estando apenas parado, desde o último mês, o setor da produção.

Com 58 anos de idade e “mais de 20 anos” de casa, o futuro continua a ser incerto e os próprios pagamentos de lei e indemnizações aos trabalhadores ainda não estarão asseguradas pela empresa.

“Só na quinta-feira vamos saber se nos pagam o que temos direito ou se teremos de recorrer a um advogado, o que é uma situação injusta depois de mais de 20 anos a trabalhar nesta fábrica”, contou ao nosso jornal um dos funcionários, manifestando “apreensão” sobre o seu futuro.

Nos últimos dias, indicou, “tem havido movimentações” na fábrica com “visita de empresários” para uma possível aquisição das instalações.

À Lusa, o presidente da Câmara de Constância avançou hoje que um grupo de investidores portugueses apresentou uma proposta de compra da fábrica da Tupperware em Montalvo, à empresa norte-americana, no dia 26 de dezembro, e que aguarda resposta.

“Sei que um grupo empresarial apresentou uma proposta para comprar tudo, instalações e maquinaria, podendo manter, se não a totalidade, pelos alguns dos trabalhadores, e que aguarda resposta”, disse Sérgio Oliveira.

Segundo o autarca, “a licença de produção termina hoje”, tendo indicado que na quinta-feira “serão comunicadas as notícias de futuro aos trabalhadores pelo diretor da fábrica”.

Foto: mediotejo.net

A fábrica da multinacional Tupperware em Portugal, a funcionar desde 1980 na freguesia de Montalvo, dependia a 100% da casa-mãe norte-americana.

O pedido de insolvência da casa-mãe teve consequências diretas na unidade portuguesa e vai deixar no desemprego os 200 trabalhadores que ali eram efetivos, a maioria dos quais residente em Montalvo.

A notícia do fecho da Tupperware foi avançada pelo presidente da Câmara de Constância, no dia 20 de dezembro.

“A Câmara Municipal de Constância tomou conhecimento que no dia de ontem [19 de dezembro] foi comunicado aos trabalhadores da empresa que a mesma encerrará a 08 de janeiro de 2025”, escreveu o autarca Sérgio Oliveira, na página oficial do município, tendo deixado uma “palavra de solidariedade a todos os trabalhadores e respetivas famílias”.

Sérgio Oliveira disse à Lusa estar preocupado com o possível fecho da fábrica porque a Tupperware é “o maior empregador” do concelho.

Fecho anunciado da Tupperware gera apreensão em Montalvo mas população mantém a esperança. Foto: Paulo Cunha/Lusa

“Acreditámos até ao último instante que isto seria apenas e só mais uma crise pontual e a Tupperware iria conseguir dar a volta por cima e continuar a laborar aqui na freguesia de Montalvo”, afirmou, dando conta da preocupação das famílias “que dependem do sustento que tiram da fábrica” e da falta de informação por parte da empresa.

Segundo o autarca, “o grupo [Tupperware] sempre teve uma postura muito fechada sobre si próprio, nunca teve uma grande abertura à comunidade e aos próprios trabalhadores que, nesta fase, têm poucas informações sobre aquilo que será o futuro, nomeadamente a garantia dos seus direitos”.

Sérgio Oliveira disse que a Câmara Municipal já pediu apoio para os trabalhadores ao Ministério do Trabalho e da Segurança Social, “para que fossem salvaguardados e garantidos os direitos” que têm.

“Há algumas pessoas com 30 anos de casa, que trabalharam sempre aqui (…) e que agora, inevitavelmente, serão obrigados a reinventar-se”.

A Lusa pediu informações à administração da fábrica instalada em Portugal, sem resposta até ao momento.

Diversos partidos políticos e dirigentes sindicais manifestaram ao longo dos últimos meses preocupação com a incerteza sobre o futuro dos 200 trabalhadores da fábrica da Tupperware em Montalvo, tendo criticado a “falta de informação” sobre o processo de falência da multinacional.

O Governo, através do Ministério da Economia, disse estar a “acompanhar de perto” a situação da fábrica da Tupperware, em Montalvo, e “apoiar” os trabalhadores que possam ir para o desemprego.

“Estamos atentos e a seguir muito de perto a notícia do encerramento da fábrica da Tupperware. O Ministério da Economia está em contacto com a Câmara Municipal de Constância e em articulação com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, no sentido de apoiar estes trabalhadores”, disse à Lusa o secretário de Estado da Economia, em resposta enviada por escrito às questões colocadas sobre a empresa e os trabalhadores.

João Rui Ferreira, na mesma informação, indica que a tutela está “a trabalhar para aumentar a competitividade” das empresas. 

“Continuamos a trabalhar para aumentar a competitividade das nossas empresas de forma a estarem preparadas para a conjuntura atual e para os desafios futuros”, declarou o governante.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Agência de Notícias de Portugal

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