Comemorações dos 500 anos do nascimento de Camões. Foto: Ricardo Escada: mediotejo.net

O Governo criou na quinta-feira, dia 28, o comissariado consultivo encarregado de definir até maio o programa para as comemorações dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões, a cumprir durante um ano, a partir de 10 de junho de 2024. Também em Constância, onde o poeta maior terá vivido e escrito parte da sua obra poética, assinala o legado de Camões através das Pomonas Camonianas, envolvendo a população e a comunidade escolar.

O despacho que cria o comissariado para as “Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões” foi assinado no dia 28 em conjunto pelo ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, e pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Francisco André, indica o comunicado do Ministério da Cultura enviado à agência Lusa.

A proposta de programa, segundo este despacho, “deverá ser apresentada ao Governo até 20 de maio” próximo, com o início das comemorações a ter início em 10 de junho, 21 dias mais tarde, prolongando-se por um ano até ao 10 de junho seguinte, Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades de 2025.

A criação do comissariado consultivo foi determinada em maio de 2021, por resolução do Conselho de Ministros, estabelecendo a sua composição por representantes das “entidades responsáveis pela coordenação de diversas dimensões do programa”, tendo por missão a definição desse programa até final de 2022, juntamente com a comissária desde então designada, a professora catedrática Rita Marnoto, da Universidade de Coimbra.

Segundo o despacho assinado, o comissariado é composto por representantes do Camões Instituto, nomeadamente pelo investigador Joaquim Coelho Ramos e a diretora de Serviços Culturais, Cristina Caetano; da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), pela diretora, Inês Cordeiro, e pela subdiretora-geral, Margarida Lopes; da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), através do subdiretor-geral Bruno Eiras; e pelo diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues.

O Camões – Instituto de Cooperação e da Língua será a “entidade responsável pela coordenação da dimensão externa do programa”, a BNP terá “a coordenação da dimensão interna”, a DGLAB, “a coordenação da dimensão do livro, das bibliotecas e da leitura”, e a Direção-Geral das Artes coordenará “a dimensão artística do programa”, como se lê no comunicado do Ministério da Cultura.

Em Constância, que tem com Camões uma muito antiga e enraizada relação, fundada na plurissecular tradição de que o poeta terá vivido na vila durante algum tempo, tendo ali escrito parte da sua produção poética, o programa ainda não é conhecido, mas todos os anos assinala pelo 10 de junho a sua memória e legado através das Pomonas Camonianas, que, em 2024, cumprirão a sua XXVIII edição.

Sobre as ruínas que o povo aponta como tendo sido as da casa que o acolheu, foi erguida há 20 anos a Casa-Memória de Camões para perpetuar a memória do poeta à vila ribatejana.

Em Constância, existem ainda o Monumento a Camões do mestre Lagoa Henriques e o Jardim-Horto Camoniano, desenhado pelo arquiteto Gonçalo Ribeiro Teles, que apresenta a maior parte das plantas referidas por Camões na sua obra e é considerado um dos mais vivos e singulares monumentos erguidos no mundo a um poeta.

No passado dia 20, em entrevista à agência Lusa, a catedrática Rita Marnoto, comissária designada para preparar o programa das comemorações, em coordenação com as estruturas previstas, disse nada existir além da intenção do Governo de assinalar a data.

A resolução do Conselho de Ministros de 2021, que determinou a realização das comemorações, nomeou a comissária e estabeleceu a criação de uma Comissão de Honra pelo Presidente da República, do comissariado agora criado por despacho dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Cultura, e ainda a criação de uma estrutura de missão.

O mesmo diploma definia que o programa deveria ser concluído e proposto ao Governo até ao final de 2022, e que as comemorações decorreriam entre 12 de março de 2024 e 10 de junho de 2025.

No entanto, a catedrática Rita Marnoto, especialista em Literatura, disse então à Lusa que nenhuma medida tinha sido tomada para a criação dessas estruturas, até essa altura, condição necessária para o desenvolvimento do projeto e do programa.

“Estou na expectativa de que sejam designadas as duas comissões e a estrutura de missão”, disse Rita Marnoto à Lusa, na semana passada. “A criação das duas comissões e da estrutura de missão são condição para que a comissária possa começar a trabalhar, a fazer os seus projetos, a fazer a programação”.

A resolução de 2021 do Conselho de Ministros sublinhava a importância das comemorações do quinto centenário do nascimento de Luís Vaz de Camões (1524-1580), considerando-a “uma oportunidade única” para pensar o legado de “um dos maiores vultos da literatura universal […], reconhecido como fundador de uma ideia de universalidade que hoje nos surge como revolucionária na escrita, na vocação e no pensamento.”

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c/LUSA

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