O PR8, na margem esquerda do Tejo, designado Rota da Sirga. Fotografia: mediotejo.net

Na reunião de Câmara Municipal, esta quarta-feira 15 de junho, o vereador eleito pela CDU, Rui Vieira, pediu um ponto de situação sobre percurso pedestre PR8, designado Rota da Sirga, “temporariamente” interditado ao público por solicitação do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), na sequência do impacto negativo verificado junto de algumas espécies que nidificam naquela zona, como o mediotejo.net noticiou.

Em causa está a proximidade do passadiço que integra este percurso, formalmente inaugurado pelo município a 27 de março, de duas colónias de grifos e de um ninho de abutre-do-egipto.

O Instituto Nacional de Conservação da Natureza e das Florestas disse ao nosso jornal que tal interdição foi solicitada para proteger as colónias de grifos: “Na fase de reprodução deve existir a menor perturbação possível das espécies”.

Contudo, “dentro de duas ou três semanas” o percurso vai ser reaberto, avançou o vice-presidente da Câmara, António Severino, uma vez que “numa colónia de grifos muito bem povoada, as crias estão quase a levantar”, avançou.

Deu ainda conta que o Município reuniu na passada terça-feira com técnicos do ICNF, para avaliar a reabertura da Rota da Sirga, um investimento municipal na ordem dos 200 mil euros, mas que pretendeu sempre, paralelamente, preservar a natureza.

“Desde o inicio para nós também era uma aposta a preservação da natureza e de todas as espécies por onde o percurso passa”, frisou. “A partir do momento em que esta situação se levantou”, disse, “e em consonância com o ICNF, fomos tomando as medidas que são conhecidas de todos”, explicou o autarca.

Grifos nas escarpas do Tejo. Fotografia: José Freitas

Em maio, o Instituto Nacional de Conservação da Natureza e das Florestas confirmou ao mediotejo.net que, no início de abril, os seus técnicos verificaram “o abandono da colónia [de grifos] de Vale de Cerejeira, e a colónia de Vale da Marinha apresentava evidências de ter sido parcialmente abandonada”, num total de três colónias que nidificam nas escarpas do rio Tejo, na margem esquerda, no concelho de Gavião.

Agora, António Severino garantiu que os grifos e o abutre-do-egipto se encontram naquela zona. “Existiu nidificação numa das colónias, com algumas crias. A estimativa é que essas crias dentro de duas ou três semanas comecem a sair do local”. Segundo o vice-presidente, o ICNF considera que “a partir daí, com a devida sinalização, não vai haver a perturbação que poderia ocorrer estando as crias” nos ninhos.

Depois de reaberto o percurso, a Câmara Municipal de Gavião e o ICNF continuam “a trabalhar em conjunto de forma a delinear uma estratégia e a definir algumas medidas” extra, com o objetivo de não perturbar as espécies, até porque “é do interesse” do município que as aves “se mantenham” no concelho, explicou o vice-presidente, sendo um dos grandes atrativos para quem decide caminhar pelo PR8.

ÁUDIO | Vice-presidente da Câmara Municipal de Gavião, António Severino

Uma das medidas a implementar passará pela a colocação de sinalética no local, no sentido de evitar a perturbação daquelas aves necrófagas, e também para limitar os caminhantes no espaço onde se encontram as colónias. Outras medidas estão em cima da mesa, como criar uma cortina arbórea na zona das colónias de grifos, delimitar e alterar “uma pequena parte” do trajeto, e a colocação de alimentadores – situações que estão a ser avaliadas conjuntamente com o ICNF, com experiência de situações análogas em parques naturais de Norte a Sul do País, concluiu.

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Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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