Foto ilustrativa/Pixabay

António Severino começou por recordar que a Câmara Municipal de Gavião foi contactada em setembro sobre este potencial investimento, que requer aquisição de terrenos junto ao nó da A23 em Domingos da Vinha, tendo a autarquia começado a corresponder a contactos de uma empresa do setor imobiliário que está envolvida no processo.

Em causa está uma área de 172 hectares, que envolve 258 prédios. Segundo o vice-presidente, a Câmara tem vindo a trabalhar sobre este projeto, tendo já sido contactados “cerca de 60% dos proprietários”.

“Já há acordos para aquisição, falta contactar cerca de 70 proprietários. Ou porque não têm moradas em dia, ou porque não conseguimos chegar até eles”, referiu António Severino, que tem estado a conduzir o processo na autarquia.

Acontece que alguns constrangimentos estão a surgir, e que se prendem quer na dificuldade de contacto com os proprietários, quer com o facto de uma proprietária já ter revelado não querer vender a sua propriedade. Além disso, pretende-se chegar a entendimento com a Infraestruturas de Portugal, que também tem jurisdição sobre alguns terrenos em causa, bem como propriedades de empresas de celulose que se estão a tentar desbloquear.

“As empresas de celulose têm estado a perder terrenos, nomeadamente com a instalação de centrais fotovoltaicas, e não tem sido fácil porque têm cerca de 5 hectares de várias de parcelas na mancha que definimos”, indicou o vice-presidente, também com o pelouro da Floresta.

Foto: mediotejo.net

“Temos feito tudo o que está ao nosso alcance. Existem alguns departamentos da Câmara que não têm feito outra coisa senão trabalhar no sentido de que este projeto não ‘fuja’ do concelho (…) e para que a Câmara não seja responsabilizada. O projeto continua de pé, brevemente vai existir uma reunião com todos os proprietários envolvidos na área de implementação. Serão enviadas cartas para todos os que se conseguirem contactar. Mas sabemos que existem moradas desatualizadas, prédios que já foram vendidos e outros que continuam sem escrituras. Não é um processo nada fácil”, confessou.

“Não fosse a excelente localização, não fosse o empenho da autarquia, não tenho dúvidas que o projeto já tinha ido por água abaixo”, assumiu o vice-presidente sobre o tema.

Ao concretizar-se este investimento, crê que será “uma mudança total do paradigma do concelho e temos que canalizar todos os esforços nesse sentido”.

Foi ainda indicado terem sido feitas abordagens a entidades e organismos públicos, desde a APA, CCDR, ICNF e Infraestruturas de Portugal, para que seja mais célere o desbloqueio de questões que possam surgir na implementação do investimento, além de já ter sido feito contacto com o município vizinho de Mação.

À margem da reunião, em declarações ao nosso jornal, o presidente de Câmara, José Pio, confidenciou não estar “descansado” sobre este processo, que se tem revelado complexo e moroso, e que depende também da vontade dos proprietários dos terrenos para que a instalação da plataforma logística no concelho de Gavião não seja inviabilizada.

José Pio, presidente da CM Gavião. Foto: mediotejo.net

“Não estou nada descansado. Entendemos que seria um projeto estruturante para o concelho de Gavião. São 172 hectares para a instalação da plataforma logística. Mas agora debatemo-nos com muitos, muitos problemas”, indicou, referindo que as propriedades de minifúndio envolvem mais de duas centenas de proprietários, complicando a celeridade da negociação, quer por falta de regularização do registo de propriedade, quer por falta de atualização de contactos e morada.

ENTREVISTA a José Pio, presidente da Câmara Municipal de Gavião, sobre os procedimentos que têm sido desenvolvidos em prol do projeto de instalação de uma das maiores plataformas logísticas da Europa em Domingos da Vinha, Belver.

“Já fizemos contactos com todas as instituições públicas que se tem de incluir neste processo, da APA, ao ICNF, à CCDR, à Infraestruturas de Portugal… o contacto da Câmara foi feito e estão disponíveis para nos receber e reunirmos para encontrar soluções. Já contactei com o colega do Mação [presidente Vasco Estrela] que naturalmente mostrou-se encantado com a ideia, sendo que não é no concelho dele, mas terá um impacto direto no concelho de Mação, está ali ao lado. Não temos dúvidas quanto a isso”, assumiu José Pio.

Porém, está nas mãos dos proprietários o avanço deste empreendimento ou não. “Também há problemas. Há pelo menos um caso de uma pessoa que não quer vender”, afirmou.

Ainda assim, José Pio diz acreditar que “o bom senso vai imperar e que vamos ultrapassar isto”.

No dia 4 de fevereiro está prevista uma reunião com os proprietários de Domingos da Vinha e a Câmara Municipal diz que marcará presença, dando um sinal de “confiança” e “conforto” quer aos proprietários, quer aos investidores, entendendo que foi “um erro” não ter estado presente nas primeiras iniciativas levadas a cabo para o efeito.

Recorde-se que foi confirmada ao nosso jornal, em outubro do ano passado, a intenção de instalação de uma plataforma logística em Domingos da Vinha, freguesia de Belver, junto ao nó da A23, por investidores privados, com capitais nacionais e estrangeiros. Desde o ano passado que uma empresa do setor imobiliário tem estado a tentar chegar aos proprietários para aquisição de terrenos, avaliando a viabilidade da instalação dessa plataforma logística.

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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