O leitor ao ler esta crónica pode pensar em desvario do autor porque «toda» a gente sabe o que significa e para que serve um funil. Talvez. As generalizações são perversas, por isso vários e desvairados políticos, civis, militares e religiosos impuseram a lei do funil.
Tal como os chapéus, funis há muitos, estanhados, esmaltados, de aço e alumínios inoxidáveis, de zinco, de plástico, com torneira ou vareta de modo a ser regularizado o escoamento dos líquidos, minúsculos e gigantes, os primeiros empregues no preparo de confeitos, bolos, e rebuçados, os segundos na trasfega de vinhos que nalgumas regiões recebiam o nome de embude (não confundir com embude isco vegetal para apanhar peixes gulosos), sim para simbolizar a denominada lei do funil, para lá da utilidade vinícola criar tremendas irritações nos dias de Entrudo na categoria de instrumento essencial para a serração das velhas.
Por lei do funil entende-se a centenária prática política de para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os restantes cumpre-se a lei bem mitigada.
Nas caricaturas antigas mostra-se um funil no qual na parte larga está a camarilha amiga bem nutrida, na parte estreita raros indivíduos famélicos de ventres sumidos. Nos rituais de passagem, de renovação e regeneração, a serração das velhas caracterizava-se (caracteriza-se) pela crítica impiedosa às mulheres e raparigas cujas práticas de toda a natureza são sopradas pelo embude que amplia e distorce a voz do narrador.
Muitos leitores sabem muito bem os efeitos da serração das velhas nas comunidades onde se praticavam. Sabem e têm saudades!
PS. A maioria dos funis são côncavos, os ovais destinam-se a vazar a aguardente.
