Foto: DR

Conta-se que um irmão de Marcelo Caetano era apodado de caixa porque o irmão detinha o fósforo. É deste fósforo que vou tentar discorrer ignorando os fósforos que utilizei a acender charutos durante anos para meu refulgente prazer mesmo quando as migalhas de morrões queimavam camisas e gravatas.

As fumaças acompanhavam copas de águas de vida de vários quilates e nacionalidades desde a Argentina ao Japão, passando por todas as regiões do Globo. A maleita cardíaca implodiu esta dolce vita restando a saudade desses tempos luxuriantes de cabeça airada e quando assim é, e foi, o corpo é que está a pagar não as favas, sim as consequências. Se estou arrependido? Em parte por outras razões bem ponderosas. As da saúde.

O fósforo e o cálcio contidos constituem a parte mineral dos ossos contribuindo para o equilíbrio do nosso metabolismo. Durante o crescimento e as gravidezes a necessidade de fósforo é maior, porque os vegetais contêm fósforo e cálcio, assim como os lacticínios. Devemos consumi-los conforme as nossas necessidades ignorando os fundamentalismos.

A causa ambiental está a suscitar interditos alimentares do mesmo género de outros que podemos observar em várias religiões o que é mau por todas as razões e mais algumas. Agora, a sanha vai contra a pecuária, mormente as vacas, as ditas cujas que nos propiciam o precioso leite fornecedor de fósforo tão importante para não ficarmos apenas com a caixa!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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