Das tigeladas à palha de Abrantes, das queijadas à sericaia e até mesmo o bolo do caco: todos os caminhos vão dar a Abrantes neste fim de semana em que se reúnem doceiros de todo o país no centro histórico da cidade. Além dos mais tradicionais doces, que marcam sempre presença no certame, esta 20ª edição conta também com inovações e variações de receitas tradicionais, algumas em estreia. O mediotejo.net percorreu os stands da Feira, à descoberta destes novos sabores.
“D’Ana – Doçaria Regional” (Abrantes)
Na nossa primeira paragem ficámos a conhecer os doces “D’Ana”, nomeadamente as tradicionais tigeladas, a palha de Abrantes, as ferraduras, as broas fervidas de mel e de café, as cavacas, os suspiros, e ainda as broas amassadas, um doce típico desta altura do ano. Nesta edição, pela primeira vez os visitantes que por aqui passarem vão poder encontrar uma adaptação daquele que é o ex-libris desta banca: a doceira de Abrantes tem disponível uma tigelada de café.
“Licor Templário” (Tomar)
Presentes pela primeira vez no evento mais doce de Abrantes, o Licor Templário, de Tomar, promete oferecer uma experiência de degustação única. Com licores elaborados de forma artesanal e com uma receita tradicional, os visitantes têm à sua disposição mais de uma dezena de sabores: da bolota ao mirtilo, da noz ao hibisco, quem passa por esta banca pode ainda degustar o licor de figo, de café e de eucalipto.
O mais procurado é o Licor Templário, um produto repleto de história e significado. Reza a lenda que D. Gualdim Pais, a mando do rei D. Afonso Henriques, terá sido enviado para Tomar a fim de conquistar e defender o território dos Cristãos. Em 1158 Gualdim Pais, importante Mestre Templário, instalou-se definitivamente em Tomar. “Existem rumores que D. Gualdim Pais dava aos seus trabalhadores uma bebida espirituosa como recompensa pelos seus esforços e assim mantinha-os quentes e vigorosos para continuarem as suas tarefas. Não existem vestígios históricos desta bebida, mas diz a lenda que seria feita com produtos naturais de Tomar, cuja receita se aproxima a este licor”, pode ler-se no rótulo.
“Pastelaria Tágide Gourmet” (Abrantes)
Na “Pastelaria Tágide”, presença habitual neste evento de doçaria e pastelaria, podemos encontrar uma banca repleta de história e representativa daquilo que de melhor se faz no concelho de Abrantes, a nível de doçaria conventual. Não podia faltar a tradicional palha de Abrantes, as tigeladas, o fardo de palha, o quindim palha, as habituais broas de mel e nozes e o “macaron” com palha de Abrantes.
Na edição deste ano os destaques vão para a o éclair de palha de Abrantes, uma adaptação do tradicional éclair com o mais célebre doce conventual do concelho.
“Pastelaria 2000” (Abrantes)
Também presença habitual neste certame é a “Pastelaria 2000”. A montra da edição deste ano, além dos doces habituais que já fazem parte da história da Feira, conta ainda com novidades, algumas delas resultantes de adaptações e variações dos doces conventuais do Município de Abrantes.
Os visitantes podem degustar em primeira mão o “pastel de nata palha de Abrantes”. Resultado da junção do pastel de nata de massa crocante com a incorporação da palha de Abrantes no seu interior, o doce promete fazer as delícias dos mais gulosos.
As novidades não terminam por aqui. A “2000” apresenta ainda o pastel crocante de bolacha, um doce recheado de bolacha e com uma consistência crocante. Quem por aqui passar pode ainda recordar as novidades das edições anteriores, nomeadamente a tigelada de abóbora, a broa de mel e noz de fios de ovos e a delícia de caramelo salgado.
“Tesouros D’Almourol” (Vila Nova da Barquinha)
Vinda de Vila Nova da Barquinha, a “Tesouros D’Almourol” dá a conhecer a história do Pirilau do Frade Ambrósio, um doce de tradição conventual que remonta ao Século XVII.
Neste período, os frades do Convento de Nossa Senhora do Loreto dedicavam-se à agricultura e à doçaria e reza a lenda que nas habituais visitas ao Convento de Odivelas, o Frade Ambrósio fazia-se acompanhar por um bolinho que entregava a cada residente. Elaborado numa forma cilíndrica, rapidamente as Freiras o apelidaram de “Pirilau do Frade Ambrósio”, nome que se perpetuou no tempo.
Além dos licores realizados de forma artesanal, quem por aqui passar vai poder conhecer e degustar este lendário doce, cuja receita foi sempre um segredo bem guardado, mas que Teresa Nicolau recuperou para nosso deleite.
“Pastelaria Império” (Cernache do Bonjardim)
Também a “Pastelaria Império” se estreia neste evento que se prolonga até domingo, 23 de outubro. Vindos de Cernache do Bonjardim, e pela primeira vez em Abrantes, oferecem aos visitantes a oportunidade de conhecer e degustar os cartuchos. Com uma aparência cónica, este doce afigura-se como o ex-libris desta região. Ao cone feito de bolacha crocante é acrescentado o recheio de doce de ovos com amêndoas, dando origem a este consagrado doce conventual que remonta ao século XIX.
Além dos cartuchos, os visitantes podem também degustar o tradicional pastel de nata, realizado ainda de forma manual e com receita tradicional.
“O Folar – Tramagal” (Abrantes)
O folar ocupa um lugar de destaque nesta banca, oriunda da vila do Tramagal, em Abrantes. Inicialmente chamado de “folore”, com o tempo ficou conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação.
Além deste doce histórico, quem por aqui passa vai poder ainda encontrar as broas fervidas, compotas, bolachas de plantas aromáticas, ferraduras e as filhós (também conhecidas como rosinhas devido ao seu distinto formato).
As novidades deste ano prometem agradar a todas as dietas. Pela primeira vez têm disponível um “doce de ovos” vegan, bem como as bolachas vegan, sem qualquer ingrediente de origem animal.
Mas as novidades não param por aqui. Na banca do “Folar – Tramagal” os visitantes vão poder encontrar uma nova adaptação do tradicional pastel de nata – o pastel de nata com gema.
“Delícias da Maria” (Abrantes)
Na “Delícias da Maria” a banca é colorida e promete agradar a todos os gostos. Do salame à tarte de amêndoa, do red velvet às tradicionais broas fervidas, os visitantes podem ainda conhecer a torta de laranja e o bolo de chocolate.
Em patamar de destaque encontramos uma das novidades deste ano, que se afigura como uma original junção do habitual mil folhas com a palha de Abrantes – o mil folhas de Palha de Abrantes. Além disso, ao passar por esta banca o público tem, também, a possibilidade de provar pela primeira vez o morgado, um doce tradicional português, feito com base numa massa de amêndoas moídas e recheada com doce de ovos.
A XX Feira Nacional da Doçaria Tradicional decorre no centro histórico de Abrantes até domingo, dia 23 de outubro, terminando às 19h00.

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