XX Feira Nacional de Doçaria, em Abrantes Foto: mediotejo.net

Até domingo, dia 23, o centro histórico de Abrantes acolhe a 20ª Feira Nacional de Doçaria Tradicional levando à Esplanada 1º de Maio, junto ao tribunal, as mais diversas iguarias portuguesas conventuais e tradicionais, licores, mel e compotas, com expositores representantes de várias regiões do país, mas onde a Palha de Abrantes, a tigelada e as broas fervidas, entre outros ícones da doçaria abrantina, estão em evidência como estrelas do certame.

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A Feira Nacional de Doçaria Tradicional realiza-se desde 2002, com o objetivo de “valorizar a riqueza da doçaria tradicional e conventual de todo o país, colocando os doces locais junto de outros ícones portugueses”, aliado a programas complementares com atividades culturais e desportivas, “demonstrando um trabalho em rede com os agentes do território, que permite o sucesso deste certame, afirmado a nível nacional, e que se traduz na dinamização da económica local, revelando-se uma excelente oportunidade para atrair visitantes ao centro histórico da cidade”, conforme refere a TAGUS em comunicado.

Esta edição é “a maior edição de sempre”, entre as edições realizadas pelo Município de Abrantes em parceria com a TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, uma vez que ali junta 36 expositores representantes de diversas cidades e vilas do país, desde logo Vimioso, Felgueiras, Amarante, Ovar, Viseu, Montemor-o-Velho, Cernache do Bonjardim, Sertã, Alcobaça, Caldas da Rainha, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha, Tomar, Constância, Sardoal, Ponte de Sôr, Portalegre, Malveira, Évora, Reguengos de Monsaraz, Algarve, Madeira e, claro, de Abrantes.

Destes, nove doceiros são estreantes, mas grande parte deles são já “prata da casa”, acompanhando a iniciativa desde as primeiras edições.

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Esta sexta-feira, com a inauguração a ocorrer ao final da tarde, Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, frisou durante o seu discurso a importância de preservar e promover o legado de Abrantes no que toca às receitas de doçaria tradicional e conventual, que se fundem com a identidade e História da cidade e do concelho.

Um dos objetivos da feira de doçaria passa por “mostrar o melhor da doçaria tradicional de Abrantes aliada a outros ícones nacionais, valorizando o património gastronómico, e a sua identidade e os produtores, estimulando a dinâmica económica e turística do concelho e da região”.

Em Abrantes, durante este fim-de-semana, estarão representados 20 concelhos e a ilha da Madeira. Já do concelho estarão 10 expositores abrantinos, tendo autarca agradecido a “constante perseverança e dinamismo”.

Áudio | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes

Por seu turno, Conceição Pereira, coordenadora da TAGUS, mostrou-se orgulhosa pelo percurso e crescimento deste evento, cujo primordial objetivo foi colocar em evidência os ex-libris da doçaria abrantina, no mesmo patamar de doces icónicos da doçaria conventual e tradicional portuguesa.

“Conseguimos atingir esse objetivo. A Palha de Abrantes, a doçaria de Abrantes, é um grande ícone nacional”, referiu, lembrando a criação da figura do Palhinhas, a personagem que serve para sensibilizar os mais novos para que saibam e reconheçam a história da Palha de Abrantes.

Conceição Pereira destacou o facto de a doçaria ter ganho um lugar no desenvolvimento económico de Abrantes, tendo surgido novos negócios e produtos inovadores no território.

ÁUDIO | Conceição Pereira, coordenadora da TAGUS

Nesta edição estará em destaque a doçaria da zona norte do concelho, das freguesias de Carvalhal, Fontes, Martinchel, Rio de Moinhos, Aldeia do Mato e Souto, que organizavam o Festival de Doçaria e Artesanato.

Após a inauguração, aconteceu uma demonstração das procissões religiosas que antes se realizavam e já vão caindo em desuso, com ornamentação dos andores e fogaças com bolos durante as procissões religiosas, carregadas ao ombro pelos homens e à cabeça pelas mulheres trajadas a rigor.

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Este sábado à tarde, será feita uma apresentação deste festival das freguesias do Norte do concelho de Abrantes e dinamizada uma demonstração da confeção de ferraduras, os bolos lêvedos que constituem maioritariamente as dádivas que compõem as fogaças e andores.

A complementar a promoção e comercialização de doçaria, mel, licores, compotas e doces serão realizadas três oficinas temáticas. Às 11h, de dia 22 de outubro, a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes irá orientar um Workshop de broas fervidas de mel e nozes, broas sem glúten e broas sem açúcar, desafiando pais e filhos a colocar as “mãos na massa”. Já às 14h30 desse sábado, estes ensinamentos repetem-se, mas para o público em geral.

No domingo, pelas 11h30, o Agrupamento de Escolas Verde Horizonte de Mação irá mostrar e convidar a realizar receitas de doces tradicionais com algumas inovações, como é o caso das fofas de mel, arroz-doce com arroz tufado e filhós de algas.

As oficinas são gratuitas, mas de inscrição obrigatória, através de email com indicação da atividade em que pretende participar, o nome, a idade e a proveniência para tagus@tagus-ri.pt.

Estas atividades vão decorrer dentro da tenda da Feira da Doçaria e os participantes devem levar avental e luvas descartáveis.

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A música não fica de fora, realizando-se este ano o V Encontro de Música Tradicional Portuguesa na primeira noite do evento (dia 21) com “Sons de Sempre”, do Centro Social e Cultural do Bom Sucesso de Alverca do Ribatejo, e os “Cant’Abrantes”, do Orfeão de Abrantes. A manhã de sábado irá contar com uma arruada pelo centro histórico de Abrantes, pela Sociedade Instrução Musical Rossiense. Na segunda noite do evento (dia 22), o jazz vai invadir a tenda de 2 mil metros quadrado, com os “Xaral’s Dixie”.

No domingo à tarde (dia 23), os “Saltimbancos de Tomar” vão deliciar todos com músicas portuguesas bem conhecidas, que vão desde o fado, à música tradicional portuguesa, à ligeira e até ao pop.

Também a BIA – Biblioteca Itinerante de Abrantes “José Diniz” estará em permanência no certame a contar histórias e a personagem Palhinhas marcará presença nas tardes do evento para sorrir, cumprimentar e interagir com os mais novos e suas famílias.

Haverá uma leitura encenada feita por crianças, numa adaptação da peça de Álvaro Magalhães, “Todos os rapazes são gatos”, pelo Grupo de Teatro Palha de Abrantes, na tarde de sábado, dia 22.
Na tenda da Feira de Doçaria poderá ainda visitar-se a exposição que resulta do desafio feito às escolas do pré-escolar e do 1º ciclo do Ensino Básico do concelho de Abrantes, que consistiu em decorar 200 tigelas de barro, utensílio que diferencia a confeção da Tigelada de Abrantes.

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Aderiram 1404 alunos de 17 escolas do ensino público e privado (Jardim Infância Arco–Iris, da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, Centro Social de Vale das Mós, Centro Social Interparoquial de Abrantes, Jardim Escola João de Deus de Tramagal, Escola António Torrado, Centro Social do Pego, Centro Escolar de Rio de Moinhos, Centro Escolar de Abrantes, Centro Escolar Maria Lucília Moita, Centro Escolar da Chainça, EB1 de Mouriscas, EB 1º de Alvega, de Pego, de Rossio ao Sul do Tejo, de Bemposta, de Tramagal e de S. Miguel do Rio Torto), inspirados na obra de António Colaço, “Doce Abrantopia”, doada ao Município de Abrantes, em 2016, na comemoração dos 100 anos da Cidade.

Para gastar as calorias ingeridas durante os três dias da Feira de Doçaria, o Grupo de Apoio de Abrantes da Liga Portuguesa Contra o Cancro deixa a proposta, para sábado de manhã, de uma caminhada solidária para assinalar o “Outubro Rosa”, que sensibiliza a população para o cancro da mama.

Nessa mesma noite também o COA – Clube de Orientação e Aventura dinamiza a caminhada turística Night Urban “Os Palhinhas”, com entrada em alguns monumentos da cidade.

No domingo de manhã, os Branquinhos do Pedal apresentam um passeio diferente, com pasteleiras e bicicletas antigas.

As inscrições nestas atividades são obrigatórias, podendo ser feitas através dos dinamizadores, ou nos sites da organização da Feira da Doçaria em www.cm-abrantes.pt e www.tagus-ri.pt

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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