Há nos provérbios uma sabedoria empírica de cariz íntimo do saber aprendido à custa da acção dos elementos que se está a perder neste pântano de frases feitas e de jargões opinativos esfarelados da mesma maneira de os amassar numa papa grosseira onde avultam talos de couves destinada a engordar os jesuítas (perus) destinados a serem consumidos nos dias nomeados.
Agora, nem os perus são caiados dessa forma, nem os dias festivos alcançam o significado simbólico de outrora.
Ora, os provérbios caíram em desuso no tocante a serem considerados fonte de saber cuja evocação só por si valem como aviso, alerta, precaução e…para rapazes do meu tempo iniciarem artigos e crónicas assim ao modo de muletas ou andarilhos cuja funcionalidade é auxiliar os que já viveram, restando-lhe reviver mais ou menos de modo consistente quanto o seu ânimo e vontade de resistir à erosão encontrando alternativas de resistência conforme a sua capacidade inventiva dentro da esfera da real/realidade tão belamente descrita pelo poeta António Ramos Rosa.
O leitor faça o favor de desculpar tão desajeitado intróito ao modo dos curas aldeãos a salmodiarem orações no desejo de aliviarem os males do referido Mundo que nós perdemos, onde os anexins ensinavam a tomarem-se precauções quando fora de época o tempo provocava estragos no quotidiano das gentes, quantas vezes irremediáveis. Como eram e são os rebentamentos antecipados do revestimento vegetal nos campos, no perfume intenso vindo das árvores a florirem acompanhando os arbustos, os musgos ainda impregnados de humidade levando os passarinhos a entoarem cânticos e hossanas a anunciarem a Primavera, as incautas avezinhas inspiradoras do Santo de Assis sofreram e sofrem as consequências da temeridade porque o Diabo que não veste Prada ao estilo do Papa. Emérito profundo conhecedor da demonologia resguarda-se na peliça, ele sabe as consequências do Diabo sair à rua, entenda-se do ventre do mês que segundo história antiga de quatro em quatro anos vê-se amputado de um dedo, um dia.
A «estória» é bonita. Na criação Mundo, Deus antes de descansar ao sétimo dia também dedicou tempo a conceber os meses. Doze, o primeiro com trinta e um, o segundo mostrou-se insubmisso, o Criador cortou-lhe dois dedos – dias. Só que não o impossibilitou de crescer, assim acontece, porém o Fevereiro não tem emenda, ao fim de três anos de tropelias vendo-se acrescido de um dia desata a cometer tropelias incentivado pelo Demo e, …ciclicamente, de quatro em quatro anos, volta a ficar privado de um dedo, um dia.
No ano em curso, sendo bissexto manda a prudência redobrarmos cuidados, não vá o mês e o Demónio tecê-las, o primeiro não pode fugir ao Faum, o segundo é tendeiro para grande desgosto dos tendeiros a carregarem aos ombros tão dolorosa provação, mais a mais quando os da banca e negócios escuros ganham milhões de milhões e são condecorados, fruem os pecados do Mundo e o Lucífer desbanca-se a gargalhar. Tenha cuidado caro leitor!
PS. Na próxima crónica escreverei sobre comeres carnavalescos.
