Mau tempo deixa 610 ocorrências no Médio Tejo. Fotos: mediotejo.net

Árvores caídas cortam ainda estradas e caminhos. Nas bermas, há postes de eletricidade derrubados, sinais de trânsito que foram arrancados pela força do vento e vestígios de telhados inteiros que voaram na madrugada de 27 de janeiro. O cenário de destruição repete-se um pouco por todo o concelho de Ferreira do Zêzere, fortemente atingido pela passagem da depressão Kristin, que deixou a população sem serviços essenciais e muitos estragos em habitações, infraestruturas e floresta.

Em declarações ao mediotejo.net, o presidente da Câmara Municipal, Bruno Gomes, descreve um concelho profundamente afetado e ainda a braços com inúmeras dificuldades. “Estamos numa situação delicada, ainda sem energia em 95% do concelho, sem telecomunicações também em 95% do concelho, e sem água em muitos lugares”, afirmou.

Segundo o autarca, apesar de já ter sido possível nos últimos dois dias desobstruir as principais vias de circulação, o trabalho está longe de terminado. “Ainda estamos a retirar muitas árvores de acessos particulares e de alguns lugares”, explicou, salientando que esta operação tem sido assegurada por várias entidades, pelo município, pelos bombeiros e também por empresas privadas.

Esta manhã o Exército mobilizou também um Destacamento de Engenharia para o concelho, para apoiar na limpeza de itinerários e garantir a transitabilidade das vias rodoviárias afetadas.

A chuva constante também não ajudou aos trabalhos. “As condições meteorológicas foram difíceis hoje também e temos muitas casas – eu diria 85% das casas – com problemas nos telhados, muitas delas sem grande parte dos telhados, com muita pluviosidade a chegar às habitações”, referiu Bruno Gomes, alertando para a falta de condições de habitabilidade e de segurança para muitas famílias.

Perante esta realidade, o município acionou logo na quarta-feira o seu plano para estados de emergência. “Temos um conjunto de equipas na rua e estamos a tentar alocar as pessoas às casas dos vizinhos das famílias e também a alguns edifícios públicos”, explicou o presidente da autarquia. Contudo, a dimensão dos estragos levou a que na quinta-feira de manhã o presidente da autarquia tenha solicitado ao governo a declaração de “estado de calamidade”, porque o município não tem capacidade para dar resposta a todas as necessidades.

“Falei com o senhor Secretário de Estado da Administração Local, falei com o senhor Secretário de Estado da Proteção Civil, liguei-lhes e dei-lhes conta do estado em que o concelho estava e está”, informou.

Nesse contacto, insistiu na necessidade da declaração de “estado de calamidade”, que entretanto terá sido decretado. “Embora de forma oficial ainda não me tenha chegado, dão-me conta de que avançou e isso deixa-nos… não diria tranquilos, mas sabemos que poderemos ter acesso a alguns apoios no futuro”.

A falta de energia elétrica e de comunicações continua a ser um dos principais entraves à resposta no terreno. “Precisávamos muito de energia. Sabemos que a E-Redes está no terreno agora, há relativamente pouco tempo, mas precisávamos de comunicações também para ser mais fácil amenizar e conseguirmos organizar-nos de forma mais rápida”, sublinhou, ao final da tarde.

Apesar da gravidade da situação, até ao momento não há registo de feridos. Ainda assim, o autarca deixa um alerta. “Há muita infraestrutura num estado delicado, há muita árvore, há muito poste que pode vir a cair e criar mais constrangimento”, disse, reforçando a necessidade de manter a população em alerta.

Foto: mediotejo.net

Bruno Gomes descreve Ferreira do Zêzere como “um concelho completamente devastado”, com danos significativos não só em habitações, mas também em infraestruturas empresariais, industriais e de serviços, além de grande parte da floresta ter sido severamente impactada.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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