A Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere solicitou ao Governo a declaração do estado de calamidade no concelho, na sequência da passagem da depressão Kristin, pois “a dimensão e gravidade dos danos ultrapassam a capacidade de resposta normal do município”, sendo “indispensável a ativação de mecanismos extraordinários de apoio”.
O governo informou esta manhã que vai fazer essa declaração de calamidade nos concelhos mais afetados dos distritos de Leiria e Coimbra. Estará o concelho de Ferreira do Zêzere incluído, tal como solicitou? O presidente da Câmara, Bruno Gomes, confirmou ao nosso jornal ser essa a informação que recebeu.
A situação que se vive no concelho é desoladora. Na manhã desta quinta-feira, mais de 90% da população continuava ainda sem eletricidade nem redes de comunicações, devido à destruição de infraestruturas essenciais, incluindo antenas de telecomunicações e centenas de postes de eletricidade de baixa, média e alta tensão. “Até ao momento não existem perspetivas de resolução rápida destas falhas”, lamenta o município, mas a declaração de estado de calamidade pode ajudar a dar respostas mais rápidas às populações.
Devido à falta de comunicações, dezenas de munícipes têm recorrido aos serviços da Câmara Municipal para contactar familiares, em vários pontos do país e no estrangeiro.
Milhares de árvores caíram em todo o concelho e essa é a principal causa da obstrução generalizada das vias principais, secundárias, caminhos municipais e acessos a habitações isoladas. “Esta situação compromete a mobilidade e exige grandes esforços para alcançar populações vulneráveis e prestar-lhes apoio”, refere o município.
Ferreira do Zêzere tem população muito dispersa, além de uma mancha florestal densa e muito extensa, fatores que agravaram os impactos do temporal e complicam a resposta no terreno.
“Os bombeiros têm trabalhado incansavelmente nas últimas 30 horas, mas nem sequer têm um local para descansar e pernoitar”, lamenta o presidente da Câmara, apelando ao apoio urgente do governo. Também a esquadra da GNR ficou sem telhado, estando a chover no seu interior.
As fortes rajadas de vento deixaram centenas de habitações com as coberturas parcial ou totalmente destelhadas e “está em curso uma resposta operacional alargada”, envolvendo serviços municipais, agentes de protecção civil e meios externos”, mas é necessário mais apoio, pede a autarquia, nomeadamente da E-Redes e das operadoras telefónicas, além dos serviços gerais do Estado.
A comunidade local tem respondido “com grande solidariedade, sinalizando situações críticas e apoiando vizinhos”, refere a autarquia, e os “técnicos municipais e equipas sociais acompanham todas as situações identificadas, tendo sido encontradas soluções para todas as emergências até ao momento”, frisa a Câmara.
Dornes foi um dos locais mais afetados, com a igreja e a escola a ficarem sem parte do telhado.
As escolas do concelho estão todas fechadas, mas devido a uma interrupção letiva que já estava prevista.
O município estima em todo o território “prejuízos globais de vários milhões de euros, resultantes dos danos causados em vias públicas, sinalização, infraestruturas municipais, indústrias, pequenas e médias empresas, habitações particulares, e nas atividades florestais e agrícolas”.
A prioridade, frisa o município, deve ser no imediato “a segurança das pessoas, a proteção dos bens e a recuperação do concelho”.
