Governo assegurou a autarcas do Médio Tejo apoios após destruição provocada pela tempestade Kristin. Na Lezíria a maioria não está contemplada. Foto: DR

O presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo e também presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, descreveu hoje um “estado caótico de destruição” em várias localidades, com danos extensos em infraestruturas públicas e privadas.

Nesse sentido, sete dos 11 municípios do Médio Tejo que ativaram os planos municipais de proteção civil — Ferreira do Zêzere, Ourém, Tomar, Abrantes, Mação, Sardoal e Vila Nova da Barquinha — pediram ao Governo que a região seja abrangida por mecanismos excecionais de apoio no âmbito da declaração da situação de calamidade.

“O Médio Tejo sofreu um grande impacto com esta depressão que atingiu gravemente toda a nossa região, particularmente estes sete municípios. Estamos numa situação extremamente difícil para as nossas comunidades”, afirmou Valamatos.

Segundo o responsável, a prioridade imediata tem sido o restabelecimento da energia elétrica, uma vez que a falta de eletricidade está a comprometer outros serviços essenciais.

“Sem energia colapsa um conjunto de infraestruturas, nomeadamente o abastecimento público de água e as comunicações. Temos estado em contacto permanente com a E-Redes, mas não há ainda uma previsão concreta para o restabelecimento total”, indicou.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CIM MÉDIO TEJO:

Apesar de já ter sido reposta a eletricidade em algumas freguesias, Manuel Jorge Valamatos sublinhou que há muitas localidades onde tal ainda não foi possível, devido a danos em infraestruturas de média e alta tensão.

O presidente da CIM do Médio Tejo lembrou que sete municípios ativaram os respetivos planos municipais de proteção civil, o que levou também à ativação do plano distrital, estando as equipas no terreno focadas na resposta às situações mais urgentes.

“Estamos a responder ao que é mais emergente, mas somos confrontados com um estado de destruição imensa em muitas infraestruturas. Só com ajudas governamentais é que esta recuperação pode ser mais célere e eficaz”, defendeu.

Para Manuel Jorge Valamatos, a inclusão destes municípios nos mecanismos previstos na declaração de calamidade é essencial para permitir uma recuperação mais rápida e eficaz.

“Precisamos que esta região seja olhada com muita atenção, porque precisamos muito da ajuda do Governo para que estas cidades e estes concelhos possam voltar à sua vida normal em breve”, afirmou.

CIM do Médio Tejo quer região abrangida por mecanismos excecionais de apoio. Foto: CMO

O Governo decretou hoje a situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela tempestade Kristin, o nível mais elevado de intervenção previsto na Lei de Bases da Proteção Civil, que permite a adoção de medidas excecionais para reposição das condições de vida nas áreas atingidas.

Na quarta-feira, a Proteção Civil do Médio Tejo registava 265 ocorrências relacionadas com a tempestade e 11 desalojados e deslocados em vários concelhos da região.

A passagem da depressão Kristin pelo território português, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos seis mortos, vários feridos e desalojados.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território do continente, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo anunciou que vai decretar situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela tempestade.

c/LUSA

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