Ferreira do Zêzere viveu este domingo, 29 de janeiro, um momento especial graças ao lançamento do livro “Danças e cantares tradicionais do concelho” que faz uma viagem etnográfica pelo passado dos três ranchos folclóricos existentes no concelho: Pias, Alqueidão e Beco. A obra, da autoria dos professores Rosária Marques e José Joaquim Marques, foi apresentada na Fundação Maria Dias Ferreira que, a par da Câmara de Ferreira do Zêzere, patrocina a sua edição.
De acordo com Ludgero Mendes, vice-presidente da Federação de Folclore Português, Ferreira do Zêzere é dos poucos concelhos do país a ter feito um levantamento de todos os grupos etnográficos existentes, pese embora só existam três. “Só temos que nos congratular com o esforço da Fundação Maria Dias Ferreira e a Câmara Municipal. Têm sabido congregar vontades para dar seguimento a este projeto que é fabuloso e penso que único no país”, disse.

O livro ” Danças e Cantares Tradicionais do Concelho de Ferreira do Zêzere” é o segundo de uma coleção etnográfica sobre os usos e costumes de Ferreira do Zêzere. A primeira obra, apresentada em 2016, versou sobre Trajes Tradicionais e o próximo livro, a lançar em janeiro de 2018, será sobre os Ofícios Tradicionais de Ferreira do Zêzere.
“Quando tivemos esta ideia e iniciámos o projecto, sabíamos que não existia muito trabalho feito a este nível no nosso país. Ficamos a saber, pela Federação de Folclore, que se calhar fomos os pioneiros neste tipo de trabalho o que para nós é gratificante”, disse ao mediotejo.net o vereador da Cultura, Hélio Antunes, reforçando que avançar com a edição de três obras foi um enorme desafio. “Deste modo, ficamos com o nosso património cultural salvaguardado, desde as danças, letras, coreografias, ofícios e trajes tradicionais”, vincou.
José Joaquim Marques disse ao mediotejo.net que esta é uma obra que “fica para o futuro” dado que relata o passado das gentes de Ferreira no que concerne à dança e ao cantar. “Como foi aqui dito, se estes grupos alguma vez acabarem ou estiverem menos bem com certeza que alguém pode servir-se desta obra para reatar o trabalho”, disse, considerando que esta é uma obra que também engrandece o concelho.

O autor refere que o que mais o surpreendeu foi o trabalho dos grupos que foram incansáveis na transmissão de dados para se poder escrever este livro. Um trabalho de campo que demorou cerca de um ano a ficar concluído, após o estudo minucioso do que foi recolhido. “Quisemos que as danças e os cantares fossem o mais possível representativas do passado e, por isso, o estudo desta obra também nos deu algum trabalho”, atestou.

Natural de Tomar, José Joaquim Marques está ligado afetivamente a Ferreira do Zêzere, onde deu aulas entre 1972 e 1974. Foi também neste concelho que veio a conhecer a sua esposa, co-autora da obra. “As minha horas livres dedico-as à etnografia e ao folclore. Quer eu, quer a minha mulher, somos conselheiros técnicos da Federação do Folclore Português e, portanto, a nossa vida era a do estudo dos nossos costumes e tradições o que levou a que fossemos convidados a fazer esta obra”, explicou.
