António Botto numa representação habitual pelo funcionário da BMAB Orlando Marchão. Foto: CMA

A Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes, no âmbito das comemorações dos seus 30 anos de existência, tem patente a exposição “Se eu pudesse contar-te e tu me ouvisses”, numa abordagem e homenagem à memória do poeta abrantino que lhe dá o nome, António Botto. A exposição, com curadoria de Paula Dias e Paulo Passos, pode ser visitada até 13 de janeiro, com entrada livre.

Marcando o início das comemorações do aniversário deste que “é um espaço cultural que tem sido a casa de muitos e muitas abrantinas, e de outros que nos visitam”, conforme frisa o presidente de Câmara de Abrantes, celebra-se António Botto e o aniversário da Biblioteca abrantina, mas também todos os nomes e figuras que estiveram ligados à construção da história deste espaço e projeto cultural único no concelho, ao longo das últimas décadas.

Inauguração da exposição alusiva à vida e obra do poeta abrantino António Botto. Foto: CMA

“Tem sido um local de encontro, um centro cultural de excelência, onde encontramos e fazemos amigos, os que lá trabalham, os que lá se encontram, os que lá se constroem enquanto leitores e cidadãos melhor formados, e os que lá terão o seu local de referência como acesso ao conhecimento todos os dias”, refere o autarca Manuel Jorge Valamatos.

Recordando que a Biblioteca Municipal integra o novo enquadramento da requalificação do antigo Convento de São Domingos, que agora vive de mãos dadas com o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA), entende que existem “todas as razões para celebrar estes 30 anos da BMAB e sobretudo agradecer a todos os que fizeram esta História e todos os que lá trabalham”.

GALERIA

A exposição, dentro de uma sugestiva caixa gigante na zona central da Biblioteca Municipal, foi pensada por Paula Dias e Paulo Passos para homenagear o poeta An­tónio Botto e os 30 anos da bi­bli­o­teca a que dá o nome.

Reconhecendo os curadores que o facto de o escritor ter nascido em Concavada, no concelho de Abrantes, confere “responsabilidade e afeto” na forma como é retratado o seu significado.

“A caixa co­loca-nos a sós com as suas pa­la­vras e o seu uni­verso. Se­remos cúm­plices na sua po­esia, nas suas exul­ta­ções, ou ainda, nas suas dores – pes­soais ou so­ciais. An­tónio Botto não cabe nesta caixa, mas ca­berá no mundo de cada um de nós?”, questiona-se, em jeito de desafio aos visitantes desta exposição, que contém uma cronologia da vida e obra de Botto, numa mostra literária e fotográfica que nos conduz numa viagem imersiva ao mundo do escritor.

“Co­me­morar os 30 anos da Bi­bli­o­teca An­tónio Botto é falar de pes­soas — dos nomes dos es­cri­tores que fazem os li­vros, dos nomes dos seus lei­tores, dos nomes das pes­soas que lhe abrem as portas, fa­zendo dela um es­paço sin­gular de co­nhe­ci­mento e de en­contro. A ins­ta­lação, na área cen­tral da bi­bli­o­teca, traduz esse en­contro com o outro”, referem.

A exposição pode ser visitada até 13 de janeiro. Entrada livre.

Horário
Segunda-feira das 13h30 às 19h30;
De terça a sexta-feira das 9h30 às 19h30;
Sábado das 9h30 às 13h.

Biblioteca Municipal António Botto – 30 anos

Foto: CMA

A Biblioteca Municipal António Botto abriu as suas portas a 26 de novembro de 1993, no Convento de São Domingos, estando por isso prestes a comemorar os 30 anos da sua existência.

Criada no âmbito do programa da Rede Nacional de Leitura Pública, a BMAB, como hoje a conhecemos, foi requalificada pela mão do arquiteto Duarte Castel-Branco. Desde que abriu portas é uma Biblioteca-homenagem à vida e obra do poeta, dramaturgo e escritor epistolar António Botto, natural de Concavada, que ali perdura e habita em diversos detalhes.

Com a chegada do milénio, a Biblioteca foi crescendo até aos dias de hoje, num processo evolutivo coadunado com a era da globalização e crescente digitalização, acrescentando valências e modernizando espaços, servindo a comunidade em geral, mas também públicos concretos, oferecendo oficinas temáticas aos seniores, mas também dinamizando iniciativas para bebés, crianças e famílias na Bebeteca, além de convidar regularmente a população para apresentações de livros, recitais de poesia e outros momentos culturais de relevo de que é palco.

Foto: CMA

O ano de 2023 tem sido ano de festa, pois além de se comemorarem os 30 anos da Biblioteca Municipal António Botto, também a Biblioteca Itinerante (BIA) José Diniz soprou 10 velas no mês de maio, altura em que foi lançado um livro sobre esta personalidade abrantina, que marcou gerações um pouco por toda a região, introduzindo crianças e jovens no mundo da leitura e da literatura, do pensamento e do conhecimento.

A Biblioteca Municipal António Botto é, hoje, palco de iniciativas culturais, artísticas, recreativas, estando a paredes-meias com o vizinho MIAA – Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (Museu do Ano 2023), umbilicalmente ligados no edificado histórico do antigo Convento de São Domingos e unidos pela centralidade do seu claustro.

A programação vai sendo moldada mês após mês, com iniciativas diversas também alusivas à comemoração do aniversário, para todas as idades e públicos, abrangendo a rede de bibliotecas do concelho e a Biblioteca Itinerante José Diniz, numa casa feita de livros, de portas abertas aos abrantinos e quem mais a queira visitar.

Foto: CMA

Recuemos na História sobre as bibliotecas de Abrantes Apesar de só em 1993 ter sido criada a Biblioteca Municipal António Botto, já em 1887 existia na cidade uma sociedade chamada Biblioteca Popular de Abrantes, que três anos mais tarde mudou o nome para Sociedade João de Deus, com intuito de manter uma biblioteca e organizar conferências que viessem de encontro aos interesses da classe operária. Foi esta iniciativa privada que deu origem à primeira biblioteca de Abrantes.
“Era permitido o empréstimo domiciliário por um período de oito dias, exceptuando-se os dicionários, atlas e livros não encapados”, pode ler-se no site da CM Abrantes. Já em 1889, nasceu a Biblioteca Escolar de S. Vicente, que possibilitava a leitura e empréstimos durante o horário escolar.
A 3 de agosto de 1933, pela mão do município, foram efetuadas obras para instalação da biblioteca no rés-do-chão do edifício dos passos do concelho. Trinta anos volvidos, a Fundação Calouste Gulbenkian estabeleceu ali a Biblioteca Fixa nº. 134.
Mas em fevereiro de 1982 a biblioteca fechou temporariamente, e foi transferida para a ala Sul do Convento de S. Domingos, onde acabou por funcionar até 1993. Talvez já estivesse predestinado que ali nasceria uma nova biblioteca, morderna, construída naquele edifício histórico, num contrato programa entre o município e o Instituto Português do Livro e da Leitura.
Nasce assim a Biblioteca Municipal António Botto (BMAB) ao abrigo do programa da Rede Nacional de Leitura Pública, abrindo portas em 26 de novembro de 1993.
Em 1999 a BMAB passou a contar com a biblioteca virtual, informação à comunidade, entre outros serviços pioneiros na área das bibliotecas e arquivos em Portugal.

NOTÍCIA RELACIONADA

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *