Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

As Associações de estudantes de Tomar defenderam a sua posição esta quarta-feira, 14 de setembro, perante o secretário de Estado da Educação, com quem os alunos se reuniram depois da apresentação do seu “Manifesto do Estudante: por uma escola mais democrática”, documento elaborado pelos estudantes dos ensinos básico e secundário dos agrupamentos de escola Santa Maria do Olival e Jácome Rátton.

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Ao mediotejo.net, no final da reunião, André Pereira, de 17 anos, explicou que o manifesto assenta assim em quatro traves mestras – assegurar a representatividade dos alunos no conselho pedagógico, o reforço ao apoio à saúde mental, o reforço do número de funcionários, e a melhoria das condições técnicas das duas escolas – sendo que “foi isso que nós propusemos através do manifesto às várias entidades, inclusive ao senhor secretário de estado”.

André Pereira, porta-voz dos estudantes. Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

“Em relação ao conselho pedagógico eu creio que possa haver espaço de diálogo apesar de que não nos deram garantia nenhuma, mas eu acho que vai ser um processo contínuo e que poderemos assim assegurar que as escolas são assim mais democráticas e que os alunos deixam de estar sub-representados naqueles que são os órgãos sociais da escola, que é uma coisa não só importante no sentido democrático mas também no sentido daquilo que é a eficiência da escola”, explicou o agora estudante universitário.

Também na questão da saúde mental “houve alguma sensibilidade por parte do secretário de estado”, disse André Pereira, embora as questões que foram depois levantadas aos alunos, relacionadas com aquilo que é o serviço nacional de saúde e as questões financeiras, “que obviamente estão sempre decorrentes no discurso do senhor secretário de estado e que nós temos noção que podem ser um impeditivo mas que nós consideramos que tem de ser feito um esforço”, afirmou o estudante.

“Acho que fomos ouvidos, acho que isso foi muito importante, jovens a ser ouvidos acho que é um sinal importante, não tivemos as nossas reivindicações todas asseguradas, vai ser um trabalho e a luta continua, por uma escola democrática a luta tem que continuar sempre, e cabe a nós e cabe a eles que se chegue a um ponto de equilíbrio e possamos tornar a escola melhor”, defendeu o porta-voz dos alunos tomarenses, que falou connosco rodeado pelas também estudantes Maria Inês Graça, Bárbara Cardoso e Lara Marques.

“O nosso objetivo é também dar a maior abrangência possível ao movimento, torná-lo nacional, começar talvez agora no Médio Tejo e torná-lo nacional para ter mais impacto e ter mais força naquilo que pode ser a negociação com os órgãos deliberativos e órgãos governativos”, acrescentou ainda o estudante, sendo que tendo esta ação reivindicativa sido desencadeada no ano letivo passado, estes são já alunos do ensino superior, pelo que vão passar o testemunho às próximas gerações e associações de estudantes, relativamente a uma posição dos estudantes nas tomadas de decisão que defendeu ser urgente.

“É urgente. Não podemos estar a pedir a jovens que tenham intervenção política e cívica se na escola lhes é vedada essa intervenção”, salientou.

António Leite, em declarações ao nosso jornal referiu que o manifesto advoga uma escola mais democrática, “que é algo que o Ministério da Educação do XXIII Governo Constitucional defende e pugna, e portanto era uma obrigação vir cá, mesmo com uma agenda apertada, e foi sobretudo um enorme prazer ter vindo ouvir a apresentação do manifesto e ter agora estado a conversar com estes jovens”, referiu.

António Leite, secretário de Estado da Educação. Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

O secretário de Estado da Educação revelou-se “muito satisfeito” por perceber que “há uma juventude em Tomar capaz de participar, capaz de se auto-organizar com ideias – diferentes das minhas numas coisas iguais noutras – mas com ideias, e que estão capazes das defender e que não vão certamente ficar satisfeitos com as respostas que eu dei e vão continuar a defender as suas ideias e vão continuar a defender aquilo que consideram que é o melhor para os alunos e as alunas de Tomar”, disse.

“Saiu daqui sobretudo o compromisso de nós olharmos para as propostas, sobretudo depois da forma como elas foram apresentadas, que vai um pouco mais além do que simplesmente o que está escrito no papel – nomeadamente no que diz respeito à gestão escolar – e portanto serão propostas que nós tomaremos em consideração, quando e se, houver alterações à gestão das escolas”, concluiu António Leite.

Presente também na sessão esteve Hugo Cristóvão, vereador da Câmara de Tomar com o pelouro da Educação, que começou por referir que esta é “uma iniciativa muito interessante da parte destes jovens alunos (…) que ao longo do último ano letivo tiveram a iniciativa de discutirem entre eles e de apresentarem este manifesto no final do ano letivo com quatro medidas essenciais e interessantes, independentemente de concordar com todas ou não, e da capacidade de concretização de todas elas ou não”.

Vereador da CM de Tomar, Hugo Cristóvão, responsável pelo pelouro da educação. Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

“Acho que é uma participação cívica muito interessante por parte destes alunos – começando como qualquer cidadão deve começar – naquilo que está à sua volta e lhe é próximo”, disse Hugo Cristóvão, afirmando que – e não desprimorando as anteriores associações de estudantes – que “é muito interessante ver que houve esta vontade e esta capacidade, este espírito, de ir para além daquilo que às vezes é um papel muito redutor das associações de estudantes de organizar um campeonato de futebol ou uma outra atividade mais lúdica”, pelo que é “muito importante realmente quando os estudantes têm esta capacidade de participação, de reivindicar, de lutar por algo”.

Quanto às reivindicações estudantis e medidas adotas pela autarquia ou eventuais compromissos, Hugo Cristóvão frisou ao nosso jornal que o município tem feito o “esforço” de ir aumentando aquilo que é a presença do pessoal que existe nas escolas, referindo que nos últimos anos o número de alunos não tem aumentado aumentado ao contrário do número de funcionários, pelo que sublinha que é necessário aprimorar a capacidade de “reorganizar” o trabalho e “readequar” algumas das funções prestadas pelos funcionários, ou seja “readequar às necessidades que vão evoluindo no espaço escolar, porque efetivamente não temos hoje menos funcionários do que existiam há 10 ou 20 anos, pelo contrário, todos os anos têm aumentado”, disse o autarca.

Em relação às instalações escolares, Hugo Cristóvão relembrou que a Câmara Municipal se encontra a trabalhar nos projetos da escola secundária Santa Maria do Olival e da Escola EB 2.3 Gualdim Pais, as quais “efetivamente precisam de uma reabilitação profunda”.

No caso da Escola Gualdim Pais, o edil adiantou que esta se encontra identificada na lista nacional de prioridades, pelo que à partida o financiamento está garantido para a execução da obra, a qual se espera poder arrancar “algures em 2023”, sendo que no caso da escola de Santa Maria do Olival ainda não existe financiamento, pelo que a autarquia está a tentar obtê-lo junto do ministério da Educação.

Paralelamente, o município encontra-se também a trabalhar no projeto do Jardim de Infância Raul Lopes, cujas instalações necessitam de ser deitadas abaixo e refeitas, “porque aquele edifício não tem reabilitação possível”, disse Hugo Cristóvão, explicando que se pretende depois acrescentar o serviço de creche àquele espaço, tendo em conta que “o número de vagas em creche em Tomar ainda é diminuto, e portanto o município deve fazer também a sua parte de acrescer essa oferta à comunidade”, disse o vice-presidente da autarquia tomarense.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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