Escavações no âmbito do projeto PALEO.WEST.IBERIA. Foto: UNIARQ – Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa

As encostas calcárias e os vales de Tomar e Torres Novas voltam a ser palco de escavações arqueológicas que podem mudar o que sabemos sobre a evolução humana na Península Ibérica. A UNIARQ – Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa deu início, a 1 de janeiro de 2026, ao ambicioso projeto PALAEO.WEST.IBERIA, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), criado para estudar meio milhão de anos de ocupações humanas na região, desde os primeiros pré‑neandertais até às últimas comunidades caçadoras‑recoletoras.

É nos concelhos de Tomar e Torres Novas que se concentram alguns dos sítios arqueológicos mais importantes do projeto. As grutas e abrigos dos sistemas cársicos da nascente do rio Almonda e do vale do Nabão guardam vestígios que atravessam todo o Paleolítico: do Acheulense às ocupações do Magdalenense, entre eles:

  • Gruta da Aroeira (Torres Novas), onde surgiu um crânio pré‑neandertal com cerca de 400 mil anos,  revelando uma fase de transição desconhecida, a meio caminho entre o ‘homo erectus’ e os Neandertais da Europa; 
  • Gruta da Oliveira e Gruta do Caldeirão, que preservam longas sequências do Paleolítico Médio e Superior;
  • Abrigo da Senhora das Lapas, descoberto em 2021, com milhares de artefactos líticos e restos faunísticos das ocupações Solutrenses e Magdalenenses.

As novas escavações nestes locais pretendem clarificar a cronologia e a continuidade das diferentes populações humanas que se sucederam no território, explorando como viveram, o que comeram e como se adaptaram às mudanças climáticas.

A investigação combina trabalho de campo e análises laboratoriais realizadas em Portugal e no estrangeiro. “Os estudos incluem análise de conjuntos de utensílios em pedra para caracterizar matérias-primas e técnicas de talhe, estudos tafonómicos de ossos humanos e animais para identificar agentes de acumulação óssea, análise de desgaste dentário e de isótopos estáveis (oxigénio, carbono, azoto e estrôncio) para revelar dietas e padrões de mobilidade, e microtomografia computorizada (microCT) não destrutiva de restos ósseos para estudar morfologia, demografia e patologias. Adicionalmente, serão analisados os restos vegetais como carvões, sementes e pólen, recuperados através de flutuação e análise de coprólitos”, indica a equipa da UNIARQ – Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa.

Foto: UNIARQ – Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa

Liderado pela arqueóloga Mariana Nabais, o projeto reúne especialistas internacionais e aposta também na formação de jovens investigadores. Além do impacto científico, inclui ações educativas e de divulgação em colaboração com o Museu de Torres Novas.

“Há mais de meio milhão de anos, nas escarpas calcárias e nos vales do centro de Portugal, viveram diferentes espécies humanas e essas populações deixaram marcas únicas nas grutas e abrigos da região, revelando histórias sobre quem fomos, como vivemos e como sobrevivemos às mudanças do mundo e às mudanças do clima”, explica Mariana Nabais. Com este projeto, será possível compreender melhor “os modos de vida, as dietas e as estratégias de adaptação destas populações antigas em Portugal. Para atingirmos os nossos objectivos a investigação combina arqueologia, zooarqueologia, antropologia biológica, geoarqueologia e novas tecnologias – como microtomografia 3D, análises isotópicas e morfometria geométrica – de modo a poder reconstruir a vida e o ambiente desses grupos humanos do passado.”

Como resume a investigadora principal, cada fragmento recuperado – seja um osso queimado ou uma lasca de sílex – “é uma peça do puzzle que ajuda a contar a nossa própria história”, numa viagem que liga o presente às raízes mais antigas da Humanidade.

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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1 Comment

  1. Manter jornais é cultura
    Manter jornais no interior de Portugal é defender a cultura portuguesa
    Só um país com cultura tem futuro
    Um país com memória é uma país com futuro
    Bem hajam
    Força
    Continuem!!!
    Estou convosco.

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