Não foram “obras de Santa Engrácia”, mas quase. Depois de mais de 20 anos de avanços e recuos, a esquadra da Polícia de Segurança Pública (PSP) do Entroncamento foi inaugurada na manhã de terça-feira, dia 23 de dezembro, pelo secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, pelo presidente da Câmara Municipal, Nelson Cunha, e pelo diretor nacional da PSP, Luís Carrilho.
A nova esquadra era há muito ansiada, quer pelos elementos desta força policial quer pela população, permitindo fechar as degradadas instalações que serviram a cidade durante quase 80 anos. As antigas instalações serão agora alvo de um intervenção de requalificação, sendo objetivo do município sediar ali a futura polícia municipal do Entroncamento.
A obra agora concluída, num terreno ao lado do Centro de Saúde, foi viabilizada em 2019 através de um Contrato de Cooperação Interadministrativo assinado entre a Câmara Municipal, o Ministério da Administração Interna e a PSP, e obrigou a um investimento de dois milhões de euros, assumido pela Administração Central, em terrenos cedidos pela autarquia.
Mas só em 2023, com a publicação em “Diário da República” da portaria que autorizava a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna a assumir os encargos com a obra, é que o projeto começou a ganhar forma – um momento oficializado pelo então ministro da Administração Interna José Luís Carneiro (atual líder do PS), sendo entregue a empreitada à empresa Vomera.

A cerimónia de inauguração desta manhã incluiu a bênção do edifício, o descerramento de uma placa evocativa e uma visita às instalações.
O presidente da Câmara Municipal considerou ser este “um momento de particular importância para o Entroncamento”, frisando que a nova esquadra “é a concretização de um desejo manifestado ao longo de muitos anos por cidadãos, associações e eleitos locais, conscientes da importância de dotar o concelho de infraestruturas modernas e adequadas às exigências da segurança pública nos dias de hoje”.
Nelson Cunha acrescentou que “a segurança é um direito fundamental e um dos pilares essenciais do desenvolvimento local” e que “um concelho seguro é um concelho mais atrativo, mais coeso socialmente e mais preparado para enfrentar os desafios do futuro”.

“É nossa convicção que esta nova esquadra permitirá reforçar a presença policial no terreno, contribuir para o aumento do número de efetivos e potenciar uma lógica de policiamento de proximidade, baseada no conhecimento do território e na relação de confiança com os cidadãos.”
Além de dotar a cidade de um espaço moderno, Nelson Cunha apontou a necessidade de reforço de efetivos da PSP. Atualmente, a esquadra tem cerca de 30 agentes, mas o presidente frisa que, em “áreas críticas”, como Trânsito e Investigação Criminal, são precisos reforços. “O efetivo permanece aquém do necessário, dificultando uma resposta célere e eficaz”, lamentou.
A esquadra da PSP do Entroncamento foi classificada como “esquadra complexa”, mas nunca recebeu o reforço de pessoal correspondente.

O secretário de Estado da Administração Interna não se comprometeu publicamente com uma resposta a este assunto, manifestando apenas a sua satisfação com as condições da nova infraestrutura, que permite “dar melhores condições aos polícias mas também aos cidadãos”.
Telmo Correia referiu “nomeadamente as vítimas de violência doméstica”, crime que assumiu ser “um flagelo” nacional, havendo na nova esquadra do Entroncamento espaços “com o necessário recato”, para que as vítimas possam ser bem atendidas.
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