Entroncamento. Foto: Arlindo Homem

Jorge Faria (PS), presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, aproveitou a última reunião camarária de 18 de outubro para dar conta da audiência junto da secretária de Estado da Administração Interna, Isabel Oneto, no dia 14 de outubro, onde sublinhou a premência do reforço de questões ligadas à segurança, como a do avançar do processo da nova esquadra, o reforço do efetivo policial, a alocação de uma equipa de intervenção rápida no Entroncamento, ou a instalação de videovigilância.

Começando desde logo pela ambicionada nova esquadra da PSP, Jorge Faria deu conta que Isabel Oneto voltou a vincular que a secretaria de Estado aguarda “a todo o momento” que as verbas sejam desbloqueadas nas Finanças para se poder dar seguimento ao processo, sendo que Isabel Oneto revelou que ia ter uma reunião com a secretária de Estado responsável por esta matéria, pelo que, “portanto, pode acontecer que tenhamos uma informação sobre esta matéria rapidamente, como continuemos a aguardar”.

O presidente da Câmara Municipal do Entroncamento assegurou que, tanto ele próprio, como o presidente da Assembleia Municipal, Luís Antunes, fizeram sentir a premência da decisão.

“Se isto tivesse sido despachado há mais tempo já podíamos ter lançado a empreitada no princípio deste ano e provavelmente já poderíamos estar agora a iniciar a obra, mas como já informei mais do que uma vez, nós estamos dependentes do desbloquear destas verbas. Não é grande satisfação, mas é dizer que houve de facto o problema de ter havido novo governo, ter havido um orçamento que só foi aprovado em finais de junho, depois também a execução do orçamento só ficou definida em agosto, mas de agosto a esta parte nós já podíamos ter isto desbloqueado e foi isso que penso que fizemos sentir à senhora secretária de Estado, ainda que ela própria esteja bastante consciente desta situação”, disse Jorge Faria.

O autarca explicou ainda que também aproveitou para “fazer sentir” a necessidade do reforço das competências da esquadra entroncamentense, nomeadamente a nível do efetivo – dando Jorge Faria a conhecer que houve recentemente “alguma atualização” do mesmo.

Intervenção de Jorge Faria relativamente ao assunto da segurança e da audiência com a secretária de Estado da Administração Interna (entre os 21m07s e os 35m18s.

O eleito do PS mencionou também que referiu a “necessidade e importância” de ser sediada no Entroncamento uma equipa de intervenção rápida, sendo que das três equipas que havia aqui na divisão territorial do Médio Tejo uma já foi desativada por falta de efetivos (tendo Jorge Faria referido que pensa que se poderão estar a reunir condições para ser reativada).

“Mais uma vez, como já fiz em inúmeras situações verbalmente e por escrito, nós propusemos que uma delas fosse localizada aqui no Entroncamento, ainda que o facto de não estarem localizadas no Entroncamento não tem invalidado que essas equipas tenham estado no nosso território, e é preciso também fazer essa justiça, nos últimos tempos com muita presença e com muita regularidade”, frisou.

“Também demos conta de todas as outras questões relacionadas com as nossas caraterísticas específicas, nomeadamente o facto de sermos um concelho de chegada para muitas novas pessoas, migrantes, com as inúmeras nacionalidades que temos hoje que caraterizam o número de imigrantes que vivem connosco e também o que temos feito para a integração desses imigrantes (…)”, deu a conhecer Jorge Faria.

Na reunião camarária o líder do município do Entroncamento relembrou ainda que há 20 anos que a PSP não paga a renda por um “acordo tácito”, e que já em “situações passadas me foi garantido pela senhora secretária de Estado que quando fosse resolvido o problema da esquadra, também fariam acerto de contas da renda”.

“Obviamente que os valores são importantes, mas não é por causa de não haver o pagamento da renda que nós vamos levantar problemas à continuidade da PSP. Eu só queria que a PSP saísse do edifício onde está para o novo edifício, a nova esquadra, que era sinal que se tinha conseguido concluir essa obra, não é pelo facto de não haver pagamento”, dizendo Jorge Faria que estas foram situações “consentidas” e que não há “qualquer base de litígio”.

O município entroncamentense já demonstrou formalmente o seu interessa na implementação de um sistema de videovigilância. Foto ilustrativa: Pixabay

Sobre a implementação de câmaras de videovigilância – vertente relembrada pelo vereador Luís Forinho (independente, ex-Chega) – Jorge Faria revelou que o município já iniciou esse processo formalmente, quer através de uma carta enviada para o Comando Distrital da PSP, quer com reuniões presenciais, pelo que esse processo está a aguardar desenvolvimentos por parte da PSP.

O presidente da Câmara Municipal adiantou ainda que ficou com a ideia de que face a outras solicitações de outros concelhos, “a PSP estará a procurar formatar o procedimento interno deles para acomodar as pretensões dos municípios”. Segundo Jorge Faria, no distrito de Santarém, só dois concelhos é que mostraram formalmente interesse na instalação de videovigilância – Santarém, primeiro, e o Entroncamento depois – sendo que o controlo deverá ser a nível distrital, pelo que se deve estar a desenvolver o procedimento para ter uma estrutura de controlo.

“Obviamente que a Câmara Municipal do Entroncamento – e penso que as outras também – preferirá que essas estruturas sejam da responsabilidade e equipadas pelo MAI, no entanto manifestei a disponibilidade se fosse necessário haver alguma participação, mesmo financeira, por parte da Câmara do Entroncamento, nós em princípio estaríamos disponíveis para avaliar. E também sugeri que se fosse necessário a participação dos municípios até talvez fosse preferível fazê-lo ao nível das Comunidades Intermunicipais”, detalhou Jorge Faria, “porque isto mais dia menos dias será uma pretensão da generalidade dos municípios com PSP”, embora aqui se levante o problema de uns concelhos terem PSP e outros GNR, ressalvou o autarca.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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1 Comentário

  1. Desde o verão que não se vê PSP no Entroncamento.
    Antigamente 1 ou 2 vezes ao dia mesmo que não passassem na rua, via-se passar em outras ruas, atualmente nem isso.

    É altura de extinguir a PSP e a GNR, que já demonstram há muitas décadas a sua inutilidade estrutural, fazer um despedimento colectivo. Criar uma nova instituição policial, com novas pessoas, e sem alguém das atuais estruturas, e apenas com um sindicato por categoria profissional da nova polícia… para ver se não é o regabofe de “toda a gente” ser um sindicalista e não haver ninguém para de facto trabalhar.

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