Luís Forinho Foto: YouTube

Depois das reiteradas afirmações de Luís Forinho, vereador independente (ex-Chega) do Entroncamento, em que se assume como homofóbico e de o Partido Socialista do Entroncamento se ter demarcado das mesmas através de uma declaração lida em reunião de Câmara, a troca de galhardetes continua entre os socialistas entroncamentenses e o vereador independente, depois de Luís Forinho ter defendido o seu direito à liberdade de expressão e de se ter demonstrado “indignado” na última reunião camarária com o procedimento do PS na reunião anterior, o que levou por sua vez a uma resposta não só por parte de Jorge Faria (PS), presidente da Câmara, como também da concelhia do PS.

Despoletado numa reunião de Câmara, este caso envolvendo Luís Forinho escalou depois deste ter partilhado um vídeo no seu canal de YouTube “Portugal Condenado”, onde proferiu aquela que foi a frase mais mediática até agora: “Homem com homem dá crocodilo, mulher com mulher dá tapete persa”.

Estas e outras declarações levaram a que na reunião de Câmara de 18 de outubro, o Partido Socialista se demarcasse das mesmas, tendo inclusivamente lido uma declaração para ficar registada em ata, onde repudiou as declarações de Luís Forinho.

Ora, na última reunião de 2 de novembro, foi a vez de Luís Forinho afirmar que ali estava a mostrar a sua “indignação pelo que foi feito na última reunião, foi um pouco a demonstração de falta de democracia que às vezes impera, talvez seja um erro de visão meu, mas tem tanto valor como outro qualquer”.

Afirmando que a declaração da bancada do PS na reunião de 18 de outubro foi um “abuso” e um “descaramento”, onde “vieram, de forma clara, explícita dizer que eu tinha tido uma postura menos própria, homofóbica, intolerante, por declarações minhas em redes sociais”, Luís Forinho disse querer esclarecer que até prova em contrário não cometeu crime nenhum:

“Eu quero esclarecer a esta casa e a quem nos vê que até formação de dossier, prova, julgado e condenado, eu não cometi crime nenhum. Portanto eu fui praticamente aqui julgado em via pública, nesta casa, onde eu acho que há muito mais coisas importantes a resolver do que as minhas palavras em redes sociais e as minhas opiniões, as pessoas gostem ou não gostem”, disse o edil.

“Continuam-me a chamar homofóbico, não tem absolutamente problema nenhum, é um direito de todos nós, ainda da liberdade de expressão e de pensamento. Aceito, com todo o orgulho, não tem problema absolutamente nenhum, esse nome ou outro qualquer porque acredito e continuo a acreditar na liberdade de expressão e quando eu não acreditar vou recorrer aos locais próprios para defender a minha honra”, disse ainda Luís Forinho.

Invocando a Convenção Europeia dos Direitos do Homem, Luís Forinho defendeu o seu direito à liberdade de expressão, dizendo ainda que achou injusto não ter podido defender-se aquando da declaração do PS: “fiquei aqui com as mãos atadas, como tal esperei até à próxima reunião e estou aqui, de forma educada, clara, concisa, respeitando os pontos de vista do PS, mas não achando que não é nesta casa, nem desta forma (…)”.

Jorge Faria deu então nota que tanto antes como após a declaração da bancada do PS, “não houve qualquer vereador a querer manifestar qualquer intervenção sobre esta matéria”, acrescentando que “o senhor vereador pode dizer o que quiser enquanto cidadão, que este executivo não tem nada a ver com isso, já não é assim quando fala enquanto vereador e enquanto membro desse executivo”, enunciando depois alguns pontos da Constituição da República Portuguesa por forma a rebater os argumentos de Luís Forinho.

Também a Concelhia do Entroncamento do Partido Socialista já se pronunciou através de comunicado enviado ao nosso jornal, onde expõe que “o direito à liberdade de expressão não é prerrogativa para disseminar preconceitos e, sobretudo, violar os demais direitos previstos na própria Constituição. Não se pode interpretar liberdade de expressão ou de opinião como uma licença para expor pensamentos que ferem o próprio direito de liberdade – no caso concreto, o direito de livre orientação sexual”, afirmando que esta máxima se aplica a qualquer cidadão mas ainda mais a alguém na condição de vereador.

Quanto ao facto de Luís Forinho ter dito não se ter podido defender aquando da leitura da declaração do PS, a concelhia do Partido Socialista apelida este comportamento de “estratégia da vitimização do hooligan”, afirmando ainda que “o que se constatou claramente, nessa e noutras ocasiões, é que Luís Forinho é incapaz de dizer ou fazer o que quer que seja sem um guião escrito”.

“O cidadão e vereador Luís Forinho pode ter saído do Chega, como manifesta até com grande alarde, mas o Chega, com toda a certeza, continua bem vivo dentro dele”, termina o comunicado do PS.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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1 Comentário

  1. Concordo com o Senhor Presidente da Câmara, em relação às declarações do Sr. Luís Forinho, feitas através de vídeos e que chegaram até à comunicação social. São declarações de baixo nível, que vindas de um autarca, dá uma imagem com a qual a população não se identifica.

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