Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

O ministro da Educação, João Costa, marcou presença na cerimónia de arranque do novo ano letivo no Entroncamento, na qual foi destacado o papel da inclusão e da humanização na educação escolar. Apesar das conhecidas atribulações no panorama nacional, o início das aulas no Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento deverá decorrer com normalidade e sem grandes percalços, no que à colocação de professores diz respeito.

Perante um auditório repleto com educadores e professores das escolas do concelho do Entroncamento, João Costa fez questão de sublinhar a importância do ato humano, algo que continua a ser a “essência da educação”, mesmo quando “parece que tudo está à distância de um clique”.

João Costa, ministro da Educação. Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

O ministro da Educação referiu também que a inovação não deve ser abraçada como um objetivo, pelo que esta não é uma meta mas sim um instrumento. Mencionando os “tempos estranhos” atualmente vividos, em que “vemos emergir por todo o mundo e também aqui em Portugal uma polarização, novos radicalismos”, João Costa defendeu que é preciso “preparar esta geração que está nas escolas para um futuro mais risonho, e também torná-los capazes de refletir, pensar, discutir, debater, de se informarem neste contexto em que vivemos rodeados de informação mas não vivemos necessariamente rodeados de conhecimento. E é aqui que a inovação curricular, a flexibilidade curricular surgem, como ferramentas para dar resposta a estas novas necessidades, de acompanhar estas novas caraterísticas desta contemporaneidade onde estamos”.

O responsável máximo pela educação em Portugal defendeu igualmente a importância da inclusão – a qual “não é só uma palavra bonita” nem um “conjunto de princípios”, mas antes um “conjunto de práticas” – referindo que a escola pública não fecha as suas portas a ninguém, naquele que é um desafio “imenso”, mas que “é de facto um desafio da humanização”.

Intervenção de João Costa, ministro da Educação.

O desafio que se coloca a quem trabalha a educação “é não pensarmos em números, é pensarmos nos rostos e nas vidas concretas de cada pessoa que nos é confiada”, disse o ministro.

Em declarações aos órgãos de comunicação social, João Costa disse que algumas medidas tomadas pelo Governo têm permitido agilizar a contratação e colocação de professores, exemplificando, entre outras medidas, com a contratação direta feita pelas escolas, a qual é “mais célere” e “consegue alargar o leque de candidatos”, sendo que desta forma já foi possível suprir 100 dos 171 horários que estavam a descoberto, através do recurso a esta modalidade de contratação, explicou o ministro.

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“Temos muito menos professores por colocar do que tínhamos em períodos homólogos nos últimos dois anos nesta mesma fase”, afirmou o ministro da Educação, fazendo menção a um cenário de “grande complexidade de dificuldade na colocação de professores” vivido não só em Portugal mas também a nível internacional, acrescentando que se nada tivesse sido feito o cenário teria sido ainda pior, pelo que “estamos a continuar a trabalhar, ou seja estamos com um trabalho de proximidade também com as direções das escolas, porque cada horário por atribuir é um horário em que temos de agir”, afirmou.

Segundo João Costa, os grupos com mais dificuldade de recrutamento são informática e geografia, sentindo-se igualmente algumas dificuldades nas disciplinas de física e química, biologia e geologia, e inglês ao nível do segundo ciclo.

No caso em específico do Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento, o processo de colocação de professores está a decorrer com normalidade, sendo que o maior problema se prende com “meia dúzia” de professores que colocaram atestado por doença, pelo que as substituições estão a ser pedidas, pensando o agrupamento de escolas entroncamentense – e tendo em conta o processo das duas últimas semanas – que os professores serão colocados entretanto e que o arranque do ano letivo no início da próxima vai decorrer com normalidade, conforme explicou à comunicação social a sua diretora, Amélia Vitorino.

Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

Quanto à mensagem que quis trazer ao Entroncamento, o ministro disse ao mediotejo.net que esta era de “felicitação pelo trabalho que o agrupamento de escolas do Entroncamento e do município do Entroncamento faz aqui, uma mensagem de reconhecimento e valorização do papel dos professores e uma mensagem também de recordar que estamos ainda a arrancar o ano letivo, no rescaldo do que mais perturbou o sistema educativo, que foi a pandemia nos últimos anos e que por isso todos os nossos esforços para a recuperação das aprendizagens são fundamentais”.

Já Jorge Faria (PS), presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, começou por fazer menção à “importância fundamental” que o município atribui à educação, afirmando que “o facto de sermos sociedade educadora não é apenas um rótulo, é porque acreditamos que a educação é de facto algo que faz a diferença e que todos nós temos a responsabilidade de promover”.

ÁUDIO | Intervenção de Jorge Faria (PS), presidente da Câmara Municipal do Entroncamento

O autarca sublinhou a importância da inclusão na educação, de forma a que a educação “seja uma verdade para todos e não uma oportunidade para alguns”, desígnio esse perseguido pela cidade para que “todos possam ter o mesmo acesso à educação, que todos possam ter a mesma possibilidade de realizarem o seu potencial”, referindo inúmeros projetos, nomeadamente alguns realizados no âmbito do PEDIME (Plano Estratégico de Desenvolvimento Intermunicipal da Educação no Médio Tejo).

Jorge Faria (PS), presidente da Câmara Municipal do Entroncamento.. Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

Jorge Faria deu ainda nota que o Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento tem cerca de 16% de alunos filhos de emigrantes e alunos provenientes de 22 nacionalidades, afirmando o autarca que pode testemunhar que “esta realidade não constituiu um problema para o agrupamento, constituiu um desafio para o agrupamento”.

“E é isso que nós achamos importante, é que estas diversidades com as quais somos confrontados, que sejam desafios, que sejam oportunidades e que em conjunto nós possamos contribuir para as ultrapassar”, afirmou o líder do município entroncamentense.

De igual forma também Amélia Vitorino enalteceu no seu discurso a população escolar de 2854 alunos a que o agrupamento dá resposta, evidenciando também as 22 nacionalidades que a compõem, num total de 474 alunos estrangeiros, sendo que estes eram 192 em 2019/2020. A diretora do agrupamento escolar adiantou ainda que estes alunos são maioritariamente de origem brasileira, angolana, guineense e ucranianos, por esta ordem, havendo a consciência de que “mais inclusão significa melhor educação”.

ÁUDIO | Intervenção de Amélia Vitorino, diretora do Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento

“Procuramos sempre que impere a solidariedade, a cidadania ativa e plena, a igualdade de oportunidades e a valorização da diversidade de culturas e etnias”, disse Amélia Vitorino, que destacou o papel desempenhado pelos mais diversos agentes educativos.

 “Esta nossa paixão pela educação não é algo que seja passageira, porque efetivamente a educação promove a liberdade de escolha e nós trabalhamos diariamente por um futuro mais livre, mais justo e sustentável”, assegurou também Jorge Faria no final da sua intervenção.

A sessão contou também com uma palestra subordinada ao tema “Que futuro para o futuro?”, ministrada por António Durão e Carlos Mora, que discorreram sobre a tecnologia e a sua importância na educação, ensino, métodos de aprendizagem e no futuro das gerações mais jovens.

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Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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