O ministro da Educação, João Costa, marcou presença na cerimónia de arranque do novo ano letivo no Entroncamento, na qual foi destacado o papel da inclusão e da humanização na educação escolar. Apesar das conhecidas atribulações no panorama nacional, o início das aulas no Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento deverá decorrer com normalidade e sem grandes percalços, no que à colocação de professores diz respeito.
Perante um auditório repleto com educadores e professores das escolas do concelho do Entroncamento, João Costa fez questão de sublinhar a importância do ato humano, algo que continua a ser a “essência da educação”, mesmo quando “parece que tudo está à distância de um clique”.

O ministro da Educação referiu também que a inovação não deve ser abraçada como um objetivo, pelo que esta não é uma meta mas sim um instrumento. Mencionando os “tempos estranhos” atualmente vividos, em que “vemos emergir por todo o mundo e também aqui em Portugal uma polarização, novos radicalismos”, João Costa defendeu que é preciso “preparar esta geração que está nas escolas para um futuro mais risonho, e também torná-los capazes de refletir, pensar, discutir, debater, de se informarem neste contexto em que vivemos rodeados de informação mas não vivemos necessariamente rodeados de conhecimento. E é aqui que a inovação curricular, a flexibilidade curricular surgem, como ferramentas para dar resposta a estas novas necessidades, de acompanhar estas novas caraterísticas desta contemporaneidade onde estamos”.
O responsável máximo pela educação em Portugal defendeu igualmente a importância da inclusão – a qual “não é só uma palavra bonita” nem um “conjunto de princípios”, mas antes um “conjunto de práticas” – referindo que a escola pública não fecha as suas portas a ninguém, naquele que é um desafio “imenso”, mas que “é de facto um desafio da humanização”.
O desafio que se coloca a quem trabalha a educação “é não pensarmos em números, é pensarmos nos rostos e nas vidas concretas de cada pessoa que nos é confiada”, disse o ministro.
Em declarações aos órgãos de comunicação social, João Costa disse que algumas medidas tomadas pelo Governo têm permitido agilizar a contratação e colocação de professores, exemplificando, entre outras medidas, com a contratação direta feita pelas escolas, a qual é “mais célere” e “consegue alargar o leque de candidatos”, sendo que desta forma já foi possível suprir 100 dos 171 horários que estavam a descoberto, através do recurso a esta modalidade de contratação, explicou o ministro.
VÍDEO
“Temos muito menos professores por colocar do que tínhamos em períodos homólogos nos últimos dois anos nesta mesma fase”, afirmou o ministro da Educação, fazendo menção a um cenário de “grande complexidade de dificuldade na colocação de professores” vivido não só em Portugal mas também a nível internacional, acrescentando que se nada tivesse sido feito o cenário teria sido ainda pior, pelo que “estamos a continuar a trabalhar, ou seja estamos com um trabalho de proximidade também com as direções das escolas, porque cada horário por atribuir é um horário em que temos de agir”, afirmou.
Segundo João Costa, os grupos com mais dificuldade de recrutamento são informática e geografia, sentindo-se igualmente algumas dificuldades nas disciplinas de física e química, biologia e geologia, e inglês ao nível do segundo ciclo.
No caso em específico do Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento, o processo de colocação de professores está a decorrer com normalidade, sendo que o maior problema se prende com “meia dúzia” de professores que colocaram atestado por doença, pelo que as substituições estão a ser pedidas, pensando o agrupamento de escolas entroncamentense – e tendo em conta o processo das duas últimas semanas – que os professores serão colocados entretanto e que o arranque do ano letivo no início da próxima vai decorrer com normalidade, conforme explicou à comunicação social a sua diretora, Amélia Vitorino.

Quanto à mensagem que quis trazer ao Entroncamento, o ministro disse ao mediotejo.net que esta era de “felicitação pelo trabalho que o agrupamento de escolas do Entroncamento e do município do Entroncamento faz aqui, uma mensagem de reconhecimento e valorização do papel dos professores e uma mensagem também de recordar que estamos ainda a arrancar o ano letivo, no rescaldo do que mais perturbou o sistema educativo, que foi a pandemia nos últimos anos e que por isso todos os nossos esforços para a recuperação das aprendizagens são fundamentais”.
Já Jorge Faria (PS), presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, começou por fazer menção à “importância fundamental” que o município atribui à educação, afirmando que “o facto de sermos sociedade educadora não é apenas um rótulo, é porque acreditamos que a educação é de facto algo que faz a diferença e que todos nós temos a responsabilidade de promover”.
O autarca sublinhou a importância da inclusão na educação, de forma a que a educação “seja uma verdade para todos e não uma oportunidade para alguns”, desígnio esse perseguido pela cidade para que “todos possam ter o mesmo acesso à educação, que todos possam ter a mesma possibilidade de realizarem o seu potencial”, referindo inúmeros projetos, nomeadamente alguns realizados no âmbito do PEDIME (Plano Estratégico de Desenvolvimento Intermunicipal da Educação no Médio Tejo).

Jorge Faria deu ainda nota que o Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento tem cerca de 16% de alunos filhos de emigrantes e alunos provenientes de 22 nacionalidades, afirmando o autarca que pode testemunhar que “esta realidade não constituiu um problema para o agrupamento, constituiu um desafio para o agrupamento”.
“E é isso que nós achamos importante, é que estas diversidades com as quais somos confrontados, que sejam desafios, que sejam oportunidades e que em conjunto nós possamos contribuir para as ultrapassar”, afirmou o líder do município entroncamentense.
De igual forma também Amélia Vitorino enalteceu no seu discurso a população escolar de 2854 alunos a que o agrupamento dá resposta, evidenciando também as 22 nacionalidades que a compõem, num total de 474 alunos estrangeiros, sendo que estes eram 192 em 2019/2020. A diretora do agrupamento escolar adiantou ainda que estes alunos são maioritariamente de origem brasileira, angolana, guineense e ucranianos, por esta ordem, havendo a consciência de que “mais inclusão significa melhor educação”.
“Procuramos sempre que impere a solidariedade, a cidadania ativa e plena, a igualdade de oportunidades e a valorização da diversidade de culturas e etnias”, disse Amélia Vitorino, que destacou o papel desempenhado pelos mais diversos agentes educativos.
“Esta nossa paixão pela educação não é algo que seja passageira, porque efetivamente a educação promove a liberdade de escolha e nós trabalhamos diariamente por um futuro mais livre, mais justo e sustentável”, assegurou também Jorge Faria no final da sua intervenção.
A sessão contou também com uma palestra subordinada ao tema “Que futuro para o futuro?”, ministrada por António Durão e Carlos Mora, que discorreram sobre a tecnologia e a sua importância na educação, ensino, métodos de aprendizagem e no futuro das gerações mais jovens.
GALERIA








