Jardim de Infância Sophia de Mello Breyner, no Entroncamento. Foto arquivo: mediotejo.net

Na mais recente reunião do executivo municipal do Entroncamento, voltou a dominar o debate o futuro do Jardim de Infância Sophia de Mello Breyner Andresen, equipamento encerrado há vários anos cujas opções de recuperação ou demolição continuam a dividir os autarcas. A proposta para a elaboração de um estudo custo-benefício sobre a recuperação ou a demolição e reconstrução do Jardim de Infância Sophia de Mello Breyner Andresen foi chumbada por maioria.

O ponto da ordem de trabalhos apresentado pela Coligação Viva o Entroncamento (PPD/PSD.CDS-PP) pedia a realização de um estudo de custo-benefício com base em informação técnica recentemente validada pelos serviços municipais que revelaria a existência das sapatas estruturais do edifício, contrariando avaliações anteriores que sustentavam a inviabilidade de recuperação.

Os proponentes defenderam que esta nova evidência alteraria os pressupostos inicialmente assumidos e justificaria uma comparação rigorosa entre recuperar o imóvel ou avançar com demolição e nova construção.

Segundo a coligação, um estudo independente permitiria dispensar decisões tomadas com base em dados técnicos incompletos, avaliando de forma transparente custos, prazos e benefícios de cada solução, incluindo potenciais poupanças e respostas mais céleres às necessidades educativas do concelho.

Os argumentos da Câmara, liderada por Nelson Cunha (Chega) mas também dos vereadores do PS, assentaram na ideia de que já existe informação técnica suficiente para optar pela demolição, entendida como a alternativa mais rápida para dotar o território de um espaço escolar funcional, com capacidade para integrar ensino pré-escolar e primeiro ciclo.

Do lado do Partido Socialista, foi manifestada oposição à proposta, considerando-se que o município já dispõe de informação técnica suficiente e que a realização de um novo estudo representaria mais um passo que atrasaria um processo que se pretende resolvido. Para os eleitos do PS, a prioridade deve ser assegurar uma resposta educativa eficaz, tendo defendido que o caminho já definido não deve ser colocado em causa nesta fase, mesmo perante nova informação técnica.

Também os eleitos do Chega votaram contra a proposta, argumentando que o município deve avançar para decisões claras e evitar mais encargos com estudos adicionais. Foi ainda defendido que a situação exige opções firmes e que a realização de novos estudos não traria benefícios práticos imediatos para a população.

Durante a sessão, o presidente do município, Nelson Cunha, chamou ainda a atenção para a necessidade de aproveitar candidaturas a financiamento comunitário que se encontram em curso, e que poderiam ser comprometidas por um novo adiamento do processo.

O posicionamento já havia sido afirmado em debates anteriores sobre o mesmo tema, nos quais responsáveis municipais destacaram que a reconstrução permitirá duplicar o número de salas e ajustar o equipamento às normas de segurança estrutural e sísmica exigidas atualmente.

O tema tem sido objeto de debate político intenso no concelho, em parte devido a lacunas e divergências entre pareceres técnicos anteriores e a nova informação constatada pelos serviços autárquicos. A questão já tinha sido levantada pela oposição em reuniões anteriores como fundamento para exigir maior clareza sobre as opções técnicas disponíveis e a melhor forma de servir a comunidade escolar do Entroncamento.

No final da votação, a proposta da coligação foi chumbada por maioria, com os votos contra dos representantes do Chega e do PS e os votos favoráveis dos eleitos pela coligação PPD/PSD.CDS-PP.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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