A última reunião do executivo da Câmara Municipal do Entroncamento ficou marcada pela revelação de que as duas sapatas cuja alegada ausência sustentava a necessidade de demolir a Escola Básica e Jardim de Infância Sophia de Mello Breyner afinal existem. A confirmação foi dada pelo presidente da autarquia, Nelson Cunha (Chega), após uma visita ao local realizada na semana anterior.
O autarca explicou que se deslocou à escola acompanhado por um colaborador municipal e uma retroescavadora, concluindo que “as duas sapatas existem” e que esse facto “denota que a escola não precisava de ser demolida”.
Nelson Cunha sublinhou que esta constatação contraria o relatório da empresa contratada para efetuar sondagens no terreno, que tinha indicado a inexistência desses elementos estruturais, informação que influenciou a análise posterior do LNEC.
Apesar da descoberta, Nelson Cunha alertou que um eventual retrocesso na decisão já tomada poderia ser prejudicial para o município. O processo de financiamento para a demolição e construção de um novo edifício encontra-se “numa fase muito avançada”, e alterar o projeto implicaria atrasos significativos.
“Temos de ponderar o custo-benefício. Atrasar tudo para refazer um novo projeto não seria benéfico para o Entroncamento. Precisamos urgentemente de uma escola”, afirmou, admitindo que prefere “ter uma escola em 2026 do que em 2027”, mesmo que isso implique “gastar um pouco mais”.
O presidente revelou ainda que a estrutura atual precisaria, de qualquer forma, de reforços, designadamente devido ao peso adicional dos painéis instalados, cuja colocação “teve parecer desfavorável dos serviços”.

A técnica municipal, chamada a prestar esclarecimentos, afirmou que a escola apresenta “salas, casas de banho e loiças sanitárias em bom estado”, explicando que o edifício poderia ser recuperado, apesar da necessidade de intervir em zonas com fendas e nas clarabóias, que provocam sobreaquecimento no verão.
A técnica admitiu que se deveria ponderar “se se recupera aquele edifício” ou se o projeto previsto deve ser aproveitado para outro local.
O vereador Rui Madeira (PSD) classificou a situação como “muito grave” e pediu o esclarecimento integral do processo. Sublinhou que as sondagens que levaram à conclusão errada foram realizadas “nos mesmos locais” onde agora se confirmou a existência das sapatas, agravando a gravidade do erro.
Madeira reafirmou que o PSD defende a reabilitação da escola e não a sua demolição, por considerar esta última opção “um crime” do ponto de vista financeiro e funcional, principalmente “depois de ouvir a técnica dizer que os equipamentos estão novos”.
O vereador anunciou que a bancada irá apresentar um ponto para agendamento de um estudo de custo-benefício, para determinar com rigor qual a solução mais vantajosa para o erário público.
Nelson Cunha reforçou que o novo executivo está empenhado em resolver “o problema” com rapidez, reiterando que a comunidade escolar continua em contentores, situação que “não beneficia ninguém”.
“Estamos aqui para solucionar. Esta é uma pedra no sapato que encontrei e tive de agir rapidamente”, afirmou, garantindo abertura para discutir o tema com todos os vereadores e alcançar um consenso sobre o que será “mais benéfico para a cidade”.

Então qual foi a vantagem, benefício da “descoberta”?
Maior transparência?