Refugiados da guerra na Ucrânia na fronteira com a Polónia (AP Photo/Markus Schreiber)

Numa altura em que a chegada de refugiados da guerra na Ucrânia ao nosso país e à região do Médio Tejo começa a ser uma realidade, no Entroncamento são já pelo menos 17 as pessoas que foram acolhidas. O Município prepara-se também para a integração daqueles que chegam, nomeadamente no que respeita ao ultrapassar das barreiras de comunicação.

“Estamos a ser confrontados com este flagelo (…) não consigo perceber como é que um país ataca outro desta forma, mas temos de dar o nosso contributo para minimizar o sofrimento daqueles que estão a ser alvo desta invasão”, assumiu na última reunião de Câmara do executivo municipal o presidente Jorge Faria.

Nesse sentido, o edil deu conta de que o concelho está já a acolher refugiados, quer através das redes familiares quer através da iniciativa tomada em conjunto pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

Com um total de 17 pessoas sinalizadas que já estão no concelho – e que vieram no âmbito de redes familiares – 14 estão a ser acomodadas precisamente por familiares e as restantes 3 (uma mãe e dois filhos) ocupam atualmente um quarto de um apartamento disponibilizado pelo município para o efeito.

Neste momento, além deste apartamento T3 da autarquia – que tem ainda capacidade de receber refugiados em dois quartos disponíveis – também a Junta de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima disponibilizou uma casa T4 com capacidade para receber entre 6 a 8 pessoas.

“Espaços totalmente equipados, inclusive com alguma alimentação para que as pessoas tenham este primeiro apoio”, sublinha Jorge Faria, que refere ainda a existência de particulares que já se disponibilizaram para também acolher pessoas.

ÁUDIO | Jorge Faria sobre ofertas de particulares de acolhimento a refugiados

Num processo de acolhimento que está “em sintonia com o Ministério dos Negócios Estrangeiros”, o autarca entroncamentense refere que no caso dos refugiados que vêm no primeiro autocarro enviado pela CIM do Médio Tejo – e que se espera chegar na noite desta quarta-feira – vêm 45 pessoas, das quais 23 ficarão no território do Médio Tejo.

“Há ainda 5 que não sabemos se pretendem ficar no território, e há cerca de 17 que têm como destino Lisboa, Porto ou Coimbra”, elucida, adiantando também que os refugiados foram todos testados à Covid-19 e que todos deram negativo.

Quanto aos que já cá estão, o trabalho é o de “ajudar as pessoas a promoverem a sua regularização. O SEF já disponibilizou um portal que permite que as pessoas não tenham que se deslocar a Santarém”, disse Jorge Faria, explicando que será atribuído um número de contribuinte a cada pessoa, permitindo também a inscrição para efeitos de Segurança Social e saúde.

“Estamos em contacto com o delegado de saúde para que todas as pessoas passem por uma avaliação de saúde ao mesmo tempo que são integradas na saúde pública”, afirmou.

Com o objetivo de que estas pessoas “tenham autonomia e possam rapidamente iniciar as suas vidas com algum conforto”, o município está ainda a preparar a criação de cursos de língua portuguesa, em articulação com o CLDS, nomeadamente para a integração das crianças nas escolas.

ÁUDIO | Jorge Faria sobre processo de acolhimento de refugiados

Entretanto, no concelho decorrem ainda ações de recolha de bens para as vítimas da guerra na Ucrânia, tendo o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento, Carlos Amaro, feito esta terça-feira um ponto de situação da ajuda que já foi enviada – cerca de meia dúzia de viaturas com bens – e da que se espera ainda enviar.

ÁUDIO | Carlos Amaro sobre ajuda às vítimas da guerra na Ucrânia

 

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Ana Rita Cristóvão

Abrantina com uma costela maçaense, rumou a Lisboa para se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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