Cruzamento entre a Rua da Maruja e a Rua da Barroca, onde ocorreu recentemente uma colisão automóvel que vitimou uma criança de 4 anos. Fotografia: mediotejo.net

Após o envio por parte do presidente da Câmara Municipal do Entroncamento de novos ofícios dirigidos aos comandos local, distrital e nacional da PSP relativamente à necessidade de uma intervenção ativa para combater episódios de excesso de velocidade no concelho, Jorge Faria deu conta em reunião do executivo camarário de apenas ter obtido resposta por parte da esquadra local desta força de segurança, na qual é sugerida a implementação de lombas como solução para o problema. O edil considera que “nem tudo se resolve com lombas” e diz que esta proposta da PSP tem apenas como finalidade “tentar sacudir a responsabilidade que têm nas situações de falta de fiscalização”.

O assunto ganhou especial relevância na sequência de um grave acidente entre dois automóveis, a 28 de janeiro, no cruzamento entre a Rua da Barroca e a Rua da Maruja, que vitimou Beatriz, uma menina de 4 anos.

“Estamos a avaliar o assunto, a estudá-lo seriamente, não com posições de tentar sacudir água do capote”, frisou o autarca, relativamente às situações de incumprimento de velocidades no concelho, apontando o dedo à PSP pela proposta de solução apresentada, em resposta ao ofício enviado pela autarquia nas últimas semanas.

A partilha da correspondência enviada e recebida foi divulgada em sede de executivo camarário após a vereadora social-democrata Anabela Carvalho ter exposto a informação de um meio de comunicação social referindo que “a PSP já fez algumas sugestões para a Câmara de coisas que poderíamos fazer nas nossas vias, para que o trânsito não seja tão acelerado”. Nomeadamente, disse, “eles referem bandas sonoras, passagens de peões elevadas”.

Questionando ainda o presidente da Câmara sobre se efetivamente essas sugestões foram feitas à autarquia, Jorge Faria elucidou ter enviado nas últimas semanas cartas dirigidas aos comandos local, distrital e nacional da PSP, nas quais referiu “um conjunto de factos” relativamente ao assunto em causa, e solicitou “informação, sobre o período de um ano a esta parte, de quantas ações de fiscalização de viaturas e controle de velocidade foram feitas na cidade, quantas situações de anomalia foram registadas, nomeadamente indivíduos sem carta, testes de alcoolemia, viaturas identificadas com alterações, e quantas foram apreendidas até este momento”.

Presidente da Câmara do Entroncamento enviou ofícios à PSP no sentido de saber quais as ações de fiscalização levadas a cabo por esta força de segurança na cidade. Imagem: Youtube CME

Sem resposta às questões enviadas até ao momento, o edil diz ter solicitado ainda à PSP uma “intervenção não passiva como tem tido, mas que andasse no terreno e servisse as populações”.

No entanto, Jorge Faria expôs um ofício recebido por parte do comandante da esquadra local da PSP, no local é sugerida a colocação de lombas redutoras de velocidade “numa série de artérias da cidade”, nomeadamente nas ruas 1.º de Maio, da Maruja, Francisco Sá Carneiro, etc.

“Eu questiono-me qual o sentido, em termos de gestão urbana, de uma coisa daquelas”, defendeu o autarca. “Se fosse dar seguimento àquela sugestão, tornávamos quase intransitáveis as nossas vias”, argumentou, referindo ainda que nas ruas onde existem lombas há “imensas queixas de quem lá passa e dos moradores”.

“Será que vamos colocar lombas de 200 em 200 metros, de 300 em 300 metros? Isso não é em si mesmo um fator acrescido de risco?”, questionou o edil.

ÁUDIO | Jorge Faria (PS) sobre ofício recebido por parte do comando local da PSP

Defendendo que “nem tudo se resolve com lombas” e que existem outras medidas mais eficazes para a acalmia de tráfego, Jorge Faria referiu também que “não são a generalidade das pessoas da nossa cidade que andam a acelerar impunemente, que andam a fazer de algumas ruas pistas de automóveis”.

“Penso que uma proposta destas por parte das autoridades de segurança [referindo-se às lombas] tem apenas como finalidade tentar sacudir a responsabilidade que têm nas situações de falta de fiscalização e de intervenção ativa da PSP na nossa cidade. É por falta de meios, é por falta de efetivos? Seja o que for. Mas nós não podemos ficar impávidos e ir recorrer a outras funções quando aquilo que é fundamental é intervenção ativa da PSP cumprindo a sua missão”, concluiu o autarca.

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Ana Rita Cristóvão

Abrantina com uma costela maçaense, rumou a Lisboa para se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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