Paulo Queimado é Presidente da Câmara Municipal da Chamusca desde 2013. Foto: mediotejo.net

Como vê o regresso da Semana da Ascensão, depois de dois anos de pandemia?

A semana da Ascensão é a semana maior do concelho da Chamusca. Além de ser um reencontro de amigos, em ambiente de festa e emoção, é a grande feira do concelho, onde mostramos o que de melhor temos e fazemos nas nossas freguesias, onde temos o nosso comércio, a nossa indústria, os nossos artesãos, onde as nossas associações têm também a oportunidade de mostrar as suas atividades, e onde, claro, a nossa cultura e as nossas tradições estão sempre bem presentes, nomeadamente com a tauromaquia.

Em 2020 tivemos uma edição exclusivamente online, com alguns artistas a fazerem transmissões em direto, foi uma Ascensão em casa, fechados. Em 2021 já houve um formato misto, com limitação do número de espectadores no Cine-Teatro. Este ano a expectativa está muito alta para todos. Para nós, enquanto autarcas, para a nossa população, para os nossos foliões e os nossos aficionados também, que estão completamente extasiados e à espera que esta semana de nove dias finalmente comece.

Algum motivo especial para serem nove dias em Ascensão? O que destaca deste cartaz e qual é o investimento financeiro do município neste programa?

É uma tradição antiga ter nove dias de Ascensão, que vai de sábado até ao domingo da semana seguinte. E queremos dar todas as oportunidades para que os chamusquenses mantenham orgulho naquilo que é o nosso ADN. Temos toda a estrutura montada para receber bem os nossos visitantes. Neste dias há não só o reencontro dos chamusquenses que estão fora e que voltam, mas também daqueles que recebemos dos nossos concelhos vizinhos, de todo o país e do estrangeiro, e que querem fazer parte desta nossa semana.

Este investimento – e nós consideramos realmente um investimento –, tem a ver exatamente com a oportunidade que queremos dar às nossas associações, tecido empresarial e comércio.

Estamos a falar de um valor global à volta de 450 mil euros. Temos um cartaz com alguns nomes contratados em 2020 e que tiveram de transitar para 2021 e 2022. Nomes tão sonantes como Áurea e Marisa Liz, com o projeto “Elas”, que já não existe, mas a contratação estava feita e, por isso, teremos estas duas magníficas artistas em palco para a abertura da Semana da Ascensão. Depois no dia 22 temos o Herman José, no dia 23 a Sara Correia, no dia 24 Maninho, no dia 25 Calema, no dia 26 a Ágata, no dia 27 o David Antunes, no dia 28 o Syro e no dia 29, para fechar, o Fernando Daniel. Esta é só a amostra do palco principal (ver programa completo). À parte dos concertos e da música, há também o palco da juventude, com concertos e djs praticamente toda a semana, até ao raiar do dia. Depois temos outros espaços, além dos stands para o comércio, para a indústria e para os serviços e os artesãos do nosso concelho e da região. Temos também – até porque é um dos eixos estratégicos do nosso município – um pavilhão dedicado só à área da educação, onde está presente o Agrupamento de Escolas, parceiros nesta área que nos é tão querida. 

Este investimento na Semana da Ascensão tem um valor global à volta dos 450 mil euros, e tem a ver exatamente com a oportunidade que queremos dar às nossas associações, tecido empresarial e comércio.

Vamos também deslocalizar ainda a feira social do Jardim do Coreto para o Pavilhão dos Bombeiros, porque fomos sentindo, em consulta com as nossas IPSS’s, ser aquele um espaço mais reservado, pelas condições climatéricas, e também o Pátio Tradição, onde a tauromaquia e as artes equestres estão em destaque. No palco Tradição quero destacar um projeto financiado, o lançamento de um livro que resulta do levantamento da etnografia do nosso concelho, no qual participaram os nossos ranchos folclóricos. Além do lançamento do livro, vamos ter o festival dos ranchos folclóricos e etnográficos do nosso concelho.

E depois, como não podia deixar de ser, toda a parte da tauromaquia, com as entradas de touros, com as largadas, com os divertimentos, vamos chamar assim, do contacto homem-touro.

Depois de dois anos praticamente sem atividade, está toda a gente muito ansiosa para começar com a Semana da Ascensão.

Na Quinta-feira da Ascensão não pode faltar a entrada de touros…

A entrada de touros é o momento alto de Quinta-feira da Ascensão, o nosso feriado municipal, quando se juntam milhares de pessoas na Estrada Nacional. Aqueles 10, 20 ou 30 segundos que vemos os touros a passar à nossa frente são muito especiais. Neste dia vamos ter também a única corrida de touros da Ascensão. Uma corrida mista, com dois cavaleiros e dois matadores, com grandes nomes. Vai ser um grande espetáculo.

Esta é a Semana em que a Chamusca celebra as suas tradições e mostra o que é esta vila cravada na Lezíria, no coração do Ribatejo, como gosta de enfatizar. Na sua diversidade geográfica, com 746 km2 e perto de 9 mil habitantes, quais as suas especificidades e potencialidades?

Quando começámos a ver outros concelhos a destacarem-se como capital de qualquer coisa, fizemos um levantamento para perceber o que nos definia enquanto território, e foi muito difícil. Não por não haver elementos que se destacassem, mas por haver muita coisa. Temos a questão das ganadarias, portanto o touro realmente tem uma marca forte, temos os cavalos também, o Montado de Sobro, toda a charneca, a lezíria, o Tejo, ou seja, tudo aquilo que é o ADN do Ribatejo mora na Chamusca, e portanto foi muito difícil escolher umas características em detrimento de outras. Por isso nos definimos como “o Coração do Ribatejo”, porque realmente existe aqui tudo.

Na semana da Ascensão mostramos de facto o que de melhor há e se faz no nosso território. É também um momento para celebrar a vida e para reencontrar amigos. São todos bem-vindos. Espero por vós.

Paulo Queimado à porta da Câmara Municipal da Chamusca. Fotografia: mediotejo.net

Ao nível das freguesias, que estratégias diferenciadoras podem apoiar o seu desenvolvimento?

Temos vários projetos em mãos, nomeadamente um de requalificação do Centro Cívico de Ulme. Depois em Vale de Cavalos estamos neste momento também já com o procedimento para a entrada sul, com um parque temático sobre Vale de Cavalos, onde já começámos a primeira fase de requalificação de ordenamento do trânsito, mas agora vamos avançar com a segunda fase. Na Parreira e no Chouto, estamos a avançar com os carregadores para carros elétricos e estações de serviço para autocaravanas. Temos estações de serviço para dar apoio ao nosso centro de BTT, dentro do Cycling Portugal. São centenas de quilómetros de trilhos e percursos no nosso concelho, e temos vários pontos de apoio desde a Chamusca até ao Chouto, com mini-oficinas de apoio ao Centro de Cycling. Temos de agarrar aquilo que carateriza cada um dos nossos territórios e trabalhar com as nossas Juntas de Freguesia. Os eventos temáticos são importantíssimos, mas vão muito para além da Ascensão. Aliás, na Ascensão vamos ter a promoção dos eventos em todas as freguesias para o resto do ano e para o início do próximo ano. E neste ponto temos desde a Feira de São Pedro e do Chocalho no Chouto, o Festival do Cogumelo na Parreira, as festas em Vale de Cavalos, na Carregueira temos a Festa do Campo, há as festas do Arripiado do Rio das Aldeias, temos o “Já te Dou o Arroz” em Ulme, temos vários eventos temáticos daquilo que carateriza o nosso território e o que queremos é fazer a promoção dos nossos produtos, daquilo que são os nossos empreendedores, das empresas que estão no território, e dar aqui também um apoio às associações para mostrarem aquilo que de melhor se vai fazendo no nosso concelho.

As acessibilidades são o principal problema da Chamusca. Foto: mediotejo.net

Falou no parque temático do Arripiado. Já desistiu deste projeto que deixou muita gente “com água na boca”?

Não, não desistimos. Foi um projeto que candidatámos ao Turismo de Portugal, através de uma linha de financiamento, que entretanto fechou e nós não tivemos financiamento para o executar. Mas não abandonámos a ideia, estamos a desenvolvê-la aos poucos e dentro daquilo eu são os recursos do Município.

Esse projeto está ligado às lendas e histórias…

Exato. O Parque dos Amores Impossíveis, inspirado na lenda da princesa moura Ari, no castelo de Almourol, e que deu origem ao nome Arripiado. A par disto, o parque temático desenvolve-se dentro daquilo que é a literatura mundial dos amores impossíveis, desde o Romeo e Julieta a tantas outras histórias da literatura destes amores impossíveis…

E não é impossível este projeto…

E não é impossível. Estamos inclusivamente a desenvolver projetos para termos ali algumas semanas de oficinas criativas com escultores, começar a criar o espaço daquilo que é a requalificação, conseguir ter um espaço visitável e todas as atividades vão estar agarradas a essa temática.

O concelho da Chamusca é um bom território para viver, trabalhar e investir, tendo em conta o acesso a cuidados de saúde, à educação, internet cultura, espaços ambientais, de lazer, e para a prática de atividades desportivas, entre outros fatores? Quais são os que considera pontos fortes e fracos deste território em termos de qualidade de vida e de potencialidade de atratividade e de fixação de pessoas?

Nós gostamos muito de trabalhar um fator de desempenho que tem a ver com a felicidade. Isto é uma coisa que parece um bocadinho utópica, mas… aliás, existe o Ministério da Felicidade, onde temos vários indicadores que nos apontam para a felicidade, que vão desde a prestação de cuidados de saúde, a sua qualidade, a qualidade da educação, a segurança que as pessoas sentem, os rendimentos, o emprego. Portanto, há aqui uma série de fatores que dão os indicadores para a “felicidade interna bruta”, que é quantificável. E quando falamos no nosso território conseguimos perceber que realmente temos segurança, temos excelentes condições para a educação, temos, dentro das limitações, bons cuidados de saúde, temos habitação a custos que não se comparam com os dos grandes centros urbanos. E portanto, quando falamos naquilo que é o emprego e a captação de investimento e de empresas para o território, conseguimos, enquanto município, ter aqui alguns benefícios fiscais, nomeadamente em termos de IRC e de derrama para as empresas. Portanto, conseguimos ter essa captação, quando falamos de grandes investimentos, para além daquilo que é o Eco-Parque do Relvão, para além daquilo que são os grandes investimentos na área da agricultura e da floresta, mas temos alguns constrangimentos naquilo que que tem a ver com as acessibilidades. Já o meu pai e o meu avô falavam, há cerca de 60 anos, atrás da Cabeça Alta, andava lá a engenharia a espetar estacas para marcar a nova estrada que havia de passar, e que depois se veio a transformar em IC3, e mais tarde em A13. É um projeto que, aquando da construção dos dois CIRVER no concelho da Chamusca, houve aqui uma promessa da parte do Governo na altura de que iria ser concluído o troço entre Almeirim e Vila Nova da Barquinha. Ficámos expectáveis que a obra pudesse avançar e quando queremos fazer investimento no nosso território, uma das primeiras coisas que nos perguntam é: então e o IC3, avança, ou não avança?  Conseguimos, por um lado, pelas características que temos no território ir captando algum investimento, não aquele que nós gostaríamos, mas fica muito aquém daquilo que nós desejávamos. E quando começamos a falar e a refletir sobre aquilo que é a coesão territorial, os próprios programas do Governo falam em territórios do interior. Aliás, a Unidade de Valorização do Interior identificou exatamente aqui algumas deficiências nestes territórios, e eu  não considero a Chamusca esta faixa interior, porque estamos a 80 quilómetros do mar, a cento e poucos quilómetros da fronteira, portanto, Madrid é interior, Chamusca não é, nós estamos aqui pertinho dos grandes centros e realmente foi identificado como um dos grandes constrangimentos na região exatamente a questão deste acesso, a ligação entre a Lezíria do Tejo e o Médio Tejo. Nós temos feito todas as diligências para que, da parte do Governo, haja este investimento neste território. Este não é um problema da Chamusca, este é um problema para o desenvolvimento da região e esta coesão territorial só é boa para uns se for boa para todos.

[A ligação do IC3] não é apenas um problema da Chamusca, é um problema para o desenvolvimento da região e esta coesão territorial só é boa para uns se for boa para todos.

Nós o que queremos realmente é que, dentro daquilo que é a Lezíria do Tejo aqui em proximidade com o Médio Tejo, tenhamos esta via. O trânsito na A13 entre a Barquinha e Coimbra é aquilo que nós sabemos (muito pouco trânsito para a via que é), temos entre Almeirim e a ligação A12 e A15 também com o trânsito que temos, mas aí com mais afluência pela ligação à A1, mas falta-nos aqui este pequeno troço de ligação a passar pelo nosso território. Isto seria realmente importante para captarmos mais investimento porque, se formos a ver nestes territórios, tirando Golegã, Chamusca Alpiarça, todos os outros concelhos têm uma autoestrada a passar à sua porta, dentro do seu território, a 5 minutos ou menos das suas zonas industriais. Assim, quando queremos ser competitivos na captação de investimento, não conseguimos ser.

A Chamusca estende-se por um território com 746 km2. Foto: mediotejo.net

Quanto ao acesso a cuidados médicos, internet, espaços de lazer…

É um problema que identificámos agora especialmente com a pandemia e com tanta gente a vir da cidade para o interior. Foram identificados alguns constrangimentos a nível de internet. Uma das questões que nós inclusivamente temos vindo a desenvolver é a ligação de algumas freguesias com fibra, além de termos a fibra rural a passar no nosso território temos ainda uma faixa entre o Chouto e a Parreira que não está servida com fibra ótica. Mas depois temos logicamente todas as outras oportunidades. Em relação aos espaços de lazer e de brincadeira para os miúdos, durante esta pandemia requalificámos todos os parques infantis do nosso concelho, um investimento avultado. Temos vindo a requalificar todos os espaços desportivos do nosso concelho, como na Parreira, um espaço desportivo coberto, um multiusos, inclusivamente, na última edição do Festival do Cogumelo já utilizámos aquele espaço. Nós queremos sempre, em parceria com as Juntas de Freguesia, dar as melhores condições de vida para os nossos concidadãos. Quando estamos a falar das questões de saúde, temos os altos e baixos como todos os territórios. Há alturas em que temos menos médicos a as extensões de saúde estão fechadas, depois consegue-se contratar médicos, reabrem, havendo uma colaboração estreita com as Juntas de Freguesia que fazem o transporte até à sede do Concelho para termos nomeadamente o atendimento médico. Mas é, como estava a dizer, temos altos e baixos. Nos pontos fortes, já começámos a construção do nosso novo Centro de Saúde, uma obra da ARS, mas em que o terreno e o projeto é do Município da Chamusca. Depois de três concursos desertos finalmente conseguimos que a obra avançasse. Neste momento já estamos a ver qualquer coisa a mexer, o que é ótimo. A nossa previsão é que daqui a um ano a obra esteja concluída e tenhamos mais valências, que consigamos captar novos médicos para o nosso território porque, em abono da verdade, o nosso centro de saúde, que funciona em instalações arrendadas, não tem as condições ideais para que um médico jovem se instale. Acho que este novo Centro de Saúde vai ser uma mais-valia também para a captação de novos médicos para o território.

Quer destacar algum projeto, alguma grande obra que tenha em curso ou em mente para avançar?

De obra física, estes são os grandes projetos financiados. Estamos também a avançar para o procedimento da construção do nosso Arquivo Histórico Municipal. Era uma das lacunas que encontrámos aqui, para além de termos o nosso arquivo municipal muito disperso, não temos as condições ideais. Este Arquivo Histórico Municipal vai ter toda a parte de conservação e restauro, quer de documentos, quer de pequenas peças, até para dar depois o apoio também às nossas Paróquias e à Santa Casa da Misericórdia. Portanto, é um projeto que é muito mais do que apenas para ter documentos, vamos ter todas as valências, desde a digitalização e fotografias dos documentos, microfotografia, a análise e tratamento dos documentos e das obras. É um projeto conjunto que está a avançar em termos de procedimento para contratação.

Continua adiada a promessa de uma nova travessia do rio Tejo entre Chamusca e Golegã.

A atual travessia sobre o Tejo não permite que dois camiões se cruzem no tabuleiro da ponte. Os sucessivos governos têm reconhecido esta necessidade, mas não houve solução para o problema. Qual é o ponto da situação neste momento?

O ponto da situação é o que eu não gostava de dar, logicamente. Temos no Eco-Parque do Relvão um conjunto de empresas que tratam os resíduos de todo o país e há realmente aqui grandes constrangimentos e a questão da qualidade de vida das nossas populações está em causa todos os dias por causa da questão da circulação dos camiões com resíduos, sejam eles perigosos ou industriais banais ou hospitalares, sejam lamas de ETAR. Como já referi, tinha havido uma promessa do governo em avançar com esta obra, que é essencial. Eu não gosto muito de falar da questão da nova ponte, porque é uma não questão, não tenho culpa que tenha de passar por cima do rio Tejo. Reconheço que é uma obra de arte que o próprio IC3/ A13 vai ter no seu percurso, não fazia sentido fazer a estrada sem fazer esta obra de arte e vice-versa. Mas o que nós sentimos aqui é que realmente, nos sucessivos governos, houve aqui um erro crasso na altura do PETi e do PETI 3+, que foi denominar este projeto como acessibilidade aos Eco-parque e depois “nova ponte da Chamusca”. Acho que foi muito redutor em relação àquilo que era o projeto e a quantificação dos pontos para o avançar do projeto e o que representava para a região. Para além das sucessivas reuniões com os senhores ministros das infraestruturas, desde Pedro Marques a Pedro Nuno Santos, o que vamos sempre transmitindo é realmente esta preocupação que nós temos, não só em relação ao Eco-Parque, mas também para o desenvolvimento económico da região.

Temos no Eco-Parque do Relvão um conjunto de empresas que tratam os resíduos de todo o país e há realmente aqui grandes constrangimentos e a questão da qualidade de vida das nossas populações está em causa todos os dias por causa da circulação de camiões com resíduos, sejam eles perigosos ou hospitalares, sejam lamas de ETAR.

A pedido do Observatório dos CIRVERs com as empresas do Eco-Parque do Relvão, com os operadores que com elas trabalham em termos de transportes, convidei também a comissão de acompanhamento do Eco-Parque, as associações de produtores florestais e agrícolas da nossa região para estarem presentes e debaterem os constrangimentos para a região e para o desenvolvimento económico e quais é que deveriam ser as soluções para o problema que nós temos. Foi unânime que, com a escalada do preço dos combustíveis, os muitos concursos públicos onde a questão da descarbonização já está associada àquilo que é pontuação dos próprios concursos, o passar dentro das povoações aumenta logo a penalização do transporte rodoviário. O que saiu desta reunião foi enviar um ofício ao Sr. Primeiro-Ministro a dizer que realmente a questão da coesão territorial não estava a ser cumprida dentro do que eram os próprios desígnios do Governo e que a questão do IC3 era uma prioridade para este território. Já tivemos resposta da parte do gabinete do Sr. Primeiro Ministro, encaminhou para o Sr. Ministro das Infraestruturas, mais uma vez, e à Sr. Ministra da Coesão. No dia 9 de maio, os deputados do Partido Socialista do Círculo de Santarém tiveram a oportunidade durante a audiência sobre o orçamento de Estado para 2022, perguntar ao Sr. Ministro das Infraestruturas qual era o ponto de situação do IC3 / A13. Não obtivemos resposta, mas de qualquer das maneiras estamos a pedir neste momento uma audiência ao Sr. Ministro das Infraestruturas. No nosso seminário da CIM, esteve presente a Sra. Ministra da Coesão, a quem tive oportunidade de transmitir esta informação e pedir uma nova audiência, e levar o Sr. Presidente da Assembleia Municipal e os Srs. Vereadores, para que também consiga entender que isto não é uma questão do Partido Socialista nem dos partidos da oposição, todos realmente queremos e identificamos esta como sendo uma prioridade para a região. Nunca é demais destacar que foi aprovada uma Resolução na Assembleia da República, subscrita por todos partidos políticos, para concluir este troço do IC3. Portanto, não sei o que é que podemos fazer mais do que isto, se não insistir, insistir, insistir.

E é o que vai continuar a fazer?

É o que vou continuar a fazer.

Para a abertura a Semana da Ascensão vai convidar algum membro do Governo?

Obviamente que sim, ainda sem confirmações, mas vamos convidar membros do Governo para estarem presentes, para mostrarmos o que temos de melhor e também os constrangimentos que nós temos.

Estando a Chamusca integrada na Comunidade da Lezíria do Tejo, pergunto quais os grandes desafios para o Concelho e para o trabalho concertado com a região envolvente nos próximos anos?

O grande desafio que se avizinha, o maior de todos, é a regionalização. Aliás, uma das dificuldades tem a ver com o planeamento e o recurso a fundos comunitários. Porque nós aqui na Lezíria do Tejo aprovamos o Plano Estratégico de Lisboa e Vale do Tejo, mas vamos aos fundos ao Alentejo. Portanto, estamos a aprovar uma estratégia quando depois o plano de ação é completamente diferente daquilo que aprovamos previamente. O Médio Tejo tem exatamente o mesmo problema, aprova também o plano em Lisboa e depois vai aos fundos ao Centro. Aliás há um documento de gestão territorial que é o PROT de Oeste e Vale do Tejo onde esta região está refletida de forma muito estratégica entre a Lezíria do Tejo, o Médio Tejo e o Oeste. Já foi apresentada em Bruxelas a proposta de criação de uma nova NUT II onde estas três sub-regiões constituem uma nova região, para que consigamos adaptar os fundos àquilo que é a nossa realidade territorial. Estamos a 100 quilómetros de Lisboa, mas infelizmente somos vistos como a coroa verde e não conseguimos ter esta coesão territorial entre os maiores centros urbanos e os mais pequenos, devia haver aqui um equilíbrio maior. Temos de nos conseguir alavancar enquanto região, temos o potencial, seja nos recursos seja enquanto território. É um caminho longo para percorrer, é certo, mas com certeza que, com a união de todos, vamos conseguir afirmar esta nova região.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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