Milhares de pessoas assistem à Entrada de Touros na Chamusca. Fotografia: Arquivo CMC

“O autocarro já passou?” é a pergunta que mais se ouve nas ruas da Chamusca na Quinta-feira de Ascensão, feriado local e ponto alto da Semana da Ascensão, que se celebra entre 21 a 29 de maio neste vila ribatejana.

Os visitantes vão chegando e enchendo as ruas da vila desde manhã cedo, para verem passar os touros a grande velocidade, num momento de adrenalina único.

No programa oficial, o horário definido para a entrada de toiros é às 12 horas, mas tudo depende da passagem do autocarro Expresso que vem de Santarém, e que normalmente só atravessa a vila às 12h20. “É sempre assim todos os anos”, explica um técnico da Câmara da Chamusca. “Às vezes o autocarro atrasa-se e a entrada dos touros também se atrasa…”

A EN118, que atravessa a vila no troço da rua Direita de São Pedro, só pode ser cortada ao trânsito “depois do autocarro da carreira das 12h20 passar. É assim que está estabelecido”.

Nessa altura, o troço desde a antiga adega cooperativa, na entrada sul da vila, até à praça de touros, é interditado ao trânsito e inicia-se a entrada dos animais e campinos a cavalo.

“Os touros estão na rua”, grita o “speaker” de serviço, que ajuda a criar um ambiente de euforia e expectativa, a par das sirenes da GNR a alertar para a passagem dos animais.

A entrada de touros é o ponto alta das celebrações na Quinta-Feira de Ascensão, na Chamusca. Fotografia: Arquivo CMC

Os cavaleiros, posicionados à frente, dos lados e atrás, tentam que os quatro touros se mantenham no meio dos cabrestos, o que nem sempre se consegue. Aliás, já tem acontecido alguns touros tresmalharem e voltarem para trás, provocando alguns sustos.

Ao longo do percurso, milhares de pessoas, atrás das vedações, nas janelas e nas varandas, assistem ao espetáculo que dura pouco mais de três minutos. Os mais afoitos ficam na estrada e, de braços no ar, tentam tocar nos touros à sua passagem.

Cavaleiros, touros e cabrestos percorrem cerca de 1,5km a uma velocidade entre os 30 a 40 km/h, naquele que é o momento mais emblemático da Semana da Ascensão na Chamusca.

O historiador António Matias Coelho, natural da Chamusca, considera este um momento mágico, sem paralelo na região, e diz mesmo: “Tivesse a Chamusca um Hemingway que lhe desse maior projeção e a sua entrada de touros seria tão famosa ou mais do que o encierro de Pamplona.”

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José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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