Foto: DR

Afirma o rifoneiro que «nem tudo o que reluz é ouro». O aforismo baseado na milenar experiência, como sempre não se engana, porém o reluz, brilha, relampeja à claridade diurna ou à Lua cheia especialmente nas noites límpidas dos meses de Janeiro e Agosto, dá grande encanto às peças dos mais variados géneros é um facto insofismável.

O mesmo voluptuoso encanto nos proporcionam as criações culinárias quando são habilmente pinceladas com uma coesa e bem doseada mistura de água ou leite com ovo batido.

O dourar uma ave assada no forno ou um prato de peixe cozido obriga a uma boa técnica na pincelagem, na área da pastelaria o pormenor é mais exigente como os pasteleiros bem sabem.

Se frequentarmos os museus de artes decorativas, podemos contemplar e aquilatar da minúcia dos criadores dos artistas – doceiros, pasteleiros e pintores –, que dedicaram estudo e tempo, muito tempo, às duas artes de embelezamento das suas criações porque «os olhos também comem».

Armando Fernandes

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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